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Missão em Timor

Durante 3 anos estarei a fazer uma missão em Timor, pela Ordem dos frades menores capuchinhos, e neste blog tenciono contar todas as minhas aventuras e a percepção que vou tendo dos acontecimentos, tudo de uma forma peculiar que só eu sei viver :D


Quarta-feira, 02.01.13

No Katua's às 10horas...

Foi a frase que nos marcou no encontro com o Frei Filipe e a irmã Joana, nossos anfitriões, os quais ainda não conhecíamos.

Chegar lá foi fácil! Basta sobreviver à viagem de táxi que inclui suportar os típicos 35º e quase 100% de humidade de Dili, coisa pouca quando não se tem meia centena de mordidelas de mosquitos pelo corpo, o que infelizmente não era o nosso caso. {#emotions_dlg.blushed}

Não sabíamos bem como nos iríamos reconhecer mutuamente, mas quando entramos no restaurante, nada podia ser mais fácil. Eramos basicamente os dois únicos ‘gringos’ com duas mochilas de dois metros cúbicos às costas! Difícil mesmo, era passar despercebido. Tivemos no entanto a sorte de o Frei Filipe enfrentar a vergonha de dizer que nos conhecia e vir ter connosco, apresentando-se. {#emotions_dlg.happy}

Deu-se assim início a esta grande aventura. Comemos sofregamente a primeira refeição de jeito em Dili e fizemo-nos à estrada, rumo a Laleia. Debatendo as grandes questões da astrologia pelo caminho, foi-nos sendo introduzida a vida no aquário de Laleia. Peixe era Pouco, a Balança era para ver se não emagrecíamos demasiado e os escorpiões podiam andar no chinelo. {#emotions_dlg.tongue}

À chegada conhecemos a comunidade de irmãos em que nos íamos integrar. Toda a gente era muito simpática, à excepção de um indivíduo alto e magro meio marroquino. Esse não. {#emotions_dlg.annoyed}

 De manhã as funções eram dadas pela Joana. Fazíamos a formação às seiscentas (6:00) e as coordenadas de ataque eram vincadas por batidas da sua chibata. 

Não espera, estou a confundir. Estávamos só a comer bolachas e a tomar o pequeno-almoço, sim, é isso. Bolachas e ABC, uma mistura local viciante que faz as pessoas voltar por mais!

Claro que não é possível descrever tudo o que fizemos, primeiro porque nós não sabemos bem o que é relevante nem sabemos avaliar o tamanho das coisas, e segundo porque a internet não é grande que chegue. 

As pessoas são muito simpáticas e têm sempre um Bom dia ou um “Di’ak ka lae” pronto para nós, fazendo-nos sentir parte da rotina muito rapidamente. {#emotions_dlg.happy}

As histórias que se ouvem são muito duras de se contar, transparece mais o sofrimento nessa dificuldade do que nas poucas palavras que se dizem. Faz-se algum jogo de cintura para matar a curiosidade, mas com muito cuidado para não desrespeitar ninguém.

No entanto a alegria dos mais novos é o que mais transparece na rua. Os grupos de meninos a correrem e pedalarem pela rua fazem relembrar aquilo que de tão bom se perdeu em Portugal. Há muito que não se vêm bandos de pardais à solta no nosso bairro. 

Fizemos o possível por ir espalhando betadine pelas feridas que víamos (montados a cavalo e utilizando uma útil super-bisnaga), ensinar o que de pouco e oportuno sabíamos e mostrar que também queríamos aprender com todos. Demos, com gosto, conselhos sempre que nos foi pedido e achamos oportuno sempre que o recebemos.

Chegada a hora de partir, ficamos com saudades, muitos dos sítios visitados e ainda mais das pessoas. Certamente nenhumas dos mosquitos.
O nosso obrigado por todas as acções e conversas em grupo.

Um forte abraço e beijos na testa para todos, {#emotions_dlg.cry}

Camilo e Pedro (oin-oin)

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração. {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 10:10

Quarta-feira, 12.12.12

As mulheres e as suas fobias...

Olá amiguinhos! Continuando o desenvolvimento da última semana, depois dos aniversários do irmão Rafael e do frei Nicolau, da visita dos familiares do frei Nicolau, das minhas apetitosas refeições e da visita do grupo de estudantes missionários, novos rostos apareceram no meio de nós para nos ajudar na nossa missão.

Na quarta-feira (dia 28) acolhemos, no meio de nós, um jovem, o Carlitos, vindo de Ossu querendo experimentar o sabor da nossa vida capuchinha. Com todo o gosto o acolhemos e connosco permaneceu durante uma semana. É um rapaz interessante, inteligente e com sentido de humor. Participou em todas as nossas actividades e disponibilizou-se para nos auxiliar em tudo o que precisássemos. Que Deus o abençoe e que ele cresça em graça e sabedoria e que o torne um santo frade capuchinho.

No dia seguinte foi dia de mais “visitas”. A chegada de mais dois missionários portugueses, o Camilo e o Pedro, ambos de Braga. O Camilo é engenheiro e o Pedro enfermeiro. Dois rapazes fantásticos, com grande sentido de humor e cheios de vontade de nos auxiliar em tudo o que precisarmos. Têm sido incansáveis… E claro, quando se mistura uma tarde de descanso, 3 portugueses e 3 computadores com internet só pode dar em tarde de vício nos jogos online… {#emotions_dlg.bunny} Foi assim que nós os 3 passamos a tarde de Domingo, depois de uma manhã a alimentar espiritualmente a comunidade de Laleia…

Como a vida não pode ser só trabalho também é preciso parar para reflectir e escutar a voz de Deus. Sendo assim, no dia 1, os pós-noviços (eu e os 3 timorenses) e o frei Hermano Filipe fomos participar num retiro espiritual, só para religiosos, no colégio salesiano na Diocese de Baucau… O retiro contou com todos os religiosos (ou quase todos) da Diocese de Baucau. É sempre muito bom reencontrar esta grande família de religiosos, de trocar experiências e de nos divertimos como uma grande família de Deus que somos. Para mim o retiro foi mais uma espécie de travessia do deserto (apanhei uma grande seca durante a exposição do tema) misturada com o Pentecostes (o pregador não disse uma única palavra em português, só usou o tétum e duas ou três palavras do inglês)… felizmente Deus abriu-me o entendimento e consegui perceber a ideia da pregação, mas não foi fácil… {#emotions_dlg.happy} Depois de enchermos o espirito fomos encher a barriga… um lanche à maneira cheio de coisas boas, só larguei a mesa, porque o pessoal começou a dirigir-se para o local onde iria haver confissões e a celebração da eucaristia… {#emotions_dlg.happy} Chegada a hora das confissões quem é que estava disponível para me atender? Um padre indonésio… Ele não falava português, eu ainda não falo fluentemente tétum, só restava uma língua, o inglês… {#emotions_dlg.smile} E comecei eu: “Sorry bro, i’m a big sinner” (em português: “Desculpa mano, sou um granda pecador”)… Estou a brincar, confessei-me em inglês, mas num inglês correcto {#emotions_dlg.bunny} Depois de celebrada a eucaristia veio o grande almoço… Durante o almoço, ao falar com uma irmã timorense que residiu durante dois anos em Portugal, ela contou-me que ficou desiludida com o natal em Portugal… Tanto alarido em volta desta grande festa, tantas cerimónias e expectativas para no final comer bacalhau cozido com batatas cozidas… Habituada a ver, nos dias de festa, muita e variada comida ficou desiludida quando viu a nossa ementa natalícia… {#emotions_dlg.no}

De regresso a Laleia, depois do retiro, paramos numa pousada com esplanada, em Baucau, para tomar algo fresco… Enquanto esperava que fosse atendido reparei num grande alarido a acontecer dentro do estabelecimento era um português, o Carlos, que trabalha lá na construção, que estava a assustar as empregadas da esplanada com um toké, um bicho parecido com o sardão. Elas gritavam, elas corriam, tentavam fugir do português, mas não havia hipóteses, elas só de olhar para a mão do Carlos, que segurava o toké, borravam-se de medo… Pelos vistos o toké em Timor é como as baratas em Portugal, não fazem mal nenhum, mas as mulheres fogem deles como o diabo foge da cruz… As raparigas estavam tão apavoradas que foram esconder-se dentro da casa de banho e uma até desmaiou lá dentro (segundo o que elas dizem)… Entretanto o Carlos decidiu dar umas tréguas às raparigas e largou o toké… dentro da esplanada junto da casa de banho delas… ahahah {#emotions_dlg.bunny} Depois de meia hora disto lá fui ajudar o Carlos a pegar no bicho que entretanto já tinha apanhado com uma vassourada das raparigas, coitado do bicho… Devolvi o bicho à natureza, as raparigas saíram da casa de banho e ficamos todos à porta da esplanada na conversa. Depois de tudo resolvido, regressamos todos a casa numa viagem tranquila… {#emotions_dlg.happy}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração{#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 02:56

Sexta-feira, 23.11.12

Uma folga na praia.

Como por cá os leigos missionários trabalham muito mais ao fim-de-semana que durante a semana, apesar deque também trabalharem muito durante a semana, a segunda-feira é o grande dia de folga deles. Visto que eles estavam de folga e nós os frades estávamos sozinhos em casa, o Fr. Fernando tinha ido a Dili, aproveitamos o dia para irmos à praia. E que belo dia de praia… {#emotions_dlg.sol}

O sol batia forte e o céu estava limpo, nem sinal de qualquer nuvem… Preparamos tudo, metemo-nos no carro e lá fomos nós aproveitar da melhor maneira a nossa folga. {#emotions_dlg.happy}

O caminho não é muito seguro, ruas estreitas e buracos, como a maioria das ruas timorenses, mas desta vez conduzi sem problemas, já estou a aprender… {#emotions_dlg.happy} Durante a viagem vi um senhor com uma cana de pesca na mão e um balde e decidi ser um bom samaritano e oferecer-lhe boleia até à praia: “Senhor, quer boleia? Suba?” e o homem simplesmente apontou com o dedo para o lado esquerdo e dirigiu-se para o lado direito, pensei para comigo “ou não entendeu ou não vai para a praia”… É que nem uma coisa nem outra, o homem ia para a praia e percebeu o que lhe estava a perguntar, simplesmente não queria boleia, porque eu tinha acabado de chegar ao final da estrada possível onde o carro nos poderia levar… estacionei o carro, pegamos nas nossas coisas e metemo-nos floresta adentro… parecia que estávamos numa savana, só estava a ver quando aparecia um leão ou uma cobra, sendo que esta última era bem provável… Uns metros à frente e avistamos a praia… Passo seguinte: Procurar uma sombra… raríssimo, mas lá conseguimos uma debaixo de uma grande árvore… estendemos uma lona e comecei a explorar a praia… não havia nada de especial, simples areia e o mar, nem pedras bonitas, ou crustáceos, ou búzios, simplesmente areia e mar até que, de repente, olho para o meu lado esquerdo e vejo a coisa mais linda do mundo, um paraíso… uma paisagem linda tirada dos filmes… uma praia paradisíaca… só tem um defeito, tem crocodilos… É que se em Portugal, principalmente no norte, podemos ir á água sem problemas, mas normalmente não vamos por causa da poluição e pela água ser gelada, aqui temos água límpida e quentinha, mas não podemos mergulhar, porque os crocodilos são invejosos e não partilham a água connosco… Ainda por cima os pescadores disseram que os crocodilos só não atacam pessoas que não têm pecados… bem que era logo devorado… {#emotions_dlg.blushed}

Visto que chegamos à praia por volta das 9h, não podíamos ir à água e não tínhamos nada para nos entretermos, eu e dois missionários leigos, a Ana e o Rafael, decidimos aventurarmo-nos pela savana adentro em busca de uma árvore de frutos para a nossa sobremesa… Com alguns esforços para não nos picarmos nos catos e nos espinhos lá descobrimos uma clareira com duas grandes árvores de coco… Tínhamos que apanhar um coco e, claro, ideias malucas não me faltaram, como por exemplo: escalar a árvore que deveria ter uns 5metros, no mínimo… rapidamente mudei de ideias e foi aí que decidimos atirar pedras para ver se acertávamos nalgum coco e ele caia… Começou o irmão Rafael e nada, tentou uma, duas, três vezes e nada… e eu observava a forma mais radical de poder subir à árvore e apanhar os cocos que quisesse… finalmente desisti da ideia e decidi juntar-me ao irmão Rafael no tiro ao alvo. À primeira pedra que lanço… trunfas… em cheio num coco… grande festa, finalmente tínhamos sobremesa… mas não nos ficamos por aí, queríamos mais e mais… começamos a fazer planos, mais dois cocos, um para cada casa… e continuou o lançamento da pedra, até que todas as pedras se perderam no meio do matagal e ficamos sem munições… já os cocos continuavam a olhar para nós e a rirem-se da nossa falta de pontaria… A irmã Ana não desistiu e foi à praia buscar mais pedras… mas nada, a pontaria continuava fraca, sorte de principiante foi o que tive com o primeiro coco… mas não desisti, afinal de contas para que serve a fisga que arranjei cá em Timor?! Juntei uma dúzia de pedras e lá fui eu insistir mais uma vez… que bela pontaria, todas as pedras acertavam em cheio nos cocos, a sério, mas infelizmente eram tão pequenas que não batiam com força suficiente para os abanar, quanto mais para os deitar abaixo… Estava já eu desiludido a regressar à praia quando apareceu a irmã Ana com o frei Manuel “Tem calma Tinoco, este é timorense vai ajudar-nos a apanhar outro coco”, disse-me ela… mas também não resultou… nenhum coco apanhado, até que o frei Manuel nos diz “É melhor irmos embora, porque se o dono nos vê vai ficar chateado” “Como?! Este coqueiro no meio deste matagal tem dono?!”… E foi aí que percebi, Deus viu que não tínhamos fruta para sobremesa e decidiu dar-nos um coco, mesmo sendo de propriedade privada… Nós é que fomos gananciosos e quisemos mais… E ainda dizem os pescadores que os frades e os missionários podem mergulhar à vontade no mar, porque os crocodilos não nos fazem mal por não termos pecados… seríamos era os primeiros a ser engolidos… {#emotions_dlg.snob}

Para preparar o almoço acendeu-se uma fogueira, frango no churrasco com arroz… óbvio que o arroz já o trouxemos preparado de casa, mas o frango foi frito na hora. O que era suposto ser um jantar a 7 logo se transformou num jantar a 1001, cheirou a frango frito às formigas e logo elas vieram ataca-lo… mas não tiveram muita sorte, felizmente {#emotions_dlg.happy}

Depois de um dia tão bom de praia só faltava fazer uma coisa, agradecer com todo o amor a quem nos proporcionou dia tão maravilhoso, agradecer a Deus. Reunimo-nos todos em grupo, de bíblia na mão, e fizemos uma leccio divina focad nas leituras do próximo domingo, solenidade de Cristo Rei, o último domingo do ano litúrgico de 2012. Com este domingo terminamos uma longa viagem com S. Marcos para iniciarmos uma nova viagem, lado a lado com Jesus, com o Evangelista S. Lucas… {#emotions_dlg.happy}

Depois das leituras cada um teve a oportunidade de partilhar o que Deus lhe falou ao coração naquele momento. Estando eu a dizer que Cristo é Rei num reinado de fé, esperança e amor, que o seu trono é a cruz e a sua coroa não é feita de ouro, mas de espinhos quando apareceram algumas ovelhas para nos lembrar que Cristo também é o pastor que vai à frente das suas ovelhas e as conduz a pastagens verdejantes… Este pastor não só conduziu as suas ovelhas a pastagens quase verdejantes, como também se juntou a nós escutando o que íamos partilhando… {#emotions_dlg.happy}

Estes dias de descanso e relaxamento são mesmo importantes para os leigos missionários, eles fazem um trabalho tão grande por cá… deitam-se tarde para organizar o dia seguinte, acordam cedo para rezar a oração de laudes e a missa. De manhã estão no jardim com as crianças, de tarde estão no Centro S. Francisco de Assis, uma biblioteca com acesso à internet e ponto de fotocópias, organizam e trabalham na pastoral de crianças com deficiência, dão explicações de português… entre muitos outros serviços que vão aparecendo… e fazem-no sempre com um grande sorriso no rosto, porque quem corre por gosto não se cansa… {#emotions_dlg.happy}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração. {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 08:09

Sábado, 03.11.12

Angry birds

Olá amiguinhos, se quando estava no Porto o sábado era aproveitado para jogar futebol, aqui é para “passear”, ou seja, visitar as aldeias que estão situadas no meio das montanhas onde a única forma de se lá chegar é a pé. A viagem até que começou bem, apesar das dores musculares que sentia. Fui eu a levar o carro e, para não cair no erro da última viagem, não passei dos 50km/h, mesmo nas grandes rectas. Quando estacionei o carro um Senhor veio logo ter comigo a dizer que tinha feito algo perigoso (Estas acusações já começam a ser comuns) e mostrou-me como estava a parte de baixo da pequena ponte que tinha atravessado. Tinha desabado grande parte do suporte da ponte, foi realmente um grande risco tê-la atravessado, mas eu não sabia… {#emotions_dlg.happy}
Comecei a caminhada, acompanhado por três frades e dois leigos. Custou a começar, mas depois os músculos aqueceram e já nem sentia as dores. Desta vez o caminho não era de pedras grandes e soltas, mas feito de erva, ou algo parecido… bem mais suave :D

Paramos a meio do caminho onde havia uma árvore de mangas. Aqui existem árvores de fruto que não foram plantadas por ninguém. Todos os anos a água, no tempo das chuvas, muda de rota e, o que no ano anterior era um riacho, depois da mudança do curso da água, a terra seca e crescem árvores e algumas são de frutos, como o caso desta. Paramos para colher algumas mangas para comer pelo caminho. Eu dei aso à minha altura para segurar alguns ramos e arrancar a fruta, enquanto outros usavam uma fisga. Ao olhar para a fisga não resisti e também quis experimentar. Pego na pedra, puxo o elástico, faço mira e… poff, a pedra cai uns centímetros à minha frente… Não desisti e voltei à carga e… poff, uns centímetros mais à frente, mas longe de acertar nas mangas… desisti e voltei à caminhada. Mais à frente decidimos parar para descansar e foi quando decidi treinar o meu tiro com a fisga… Agora sim, valeu a pena as horas que passo a jogar angry birds no telemóvel, grande pontaria e a longa distância… {#emotions_dlg.happy}

Eu não sei quanto tempo andei, mas deve ter sido mais de 3horas… Nunca me cansei tanto a andar como neste dia, mas consegui chegar à aldeia. A visita às aldeias consiste em estar um pouco com a população e celebrar lá a Eucaristia.

Se na ida a minha cabeça estorricou com o calor, no regresso vim acompanhado de trovões e ameaça de chuva. Felizmente não passou de ameaça, algo que á me venho habituando… {#emotions_dlg.happy}

Se na ida atravessar riachos era a melhor coisa que podia fazer, a água era fresquinha, no regresso foi o contrário. Apesar do céu ameaçar chuva, o calor era imenso e a água era tão quente que nos queimava os pés. Eu acho que se metesse um ovo dentro de água ele cozia… {#emotions_dlg.sol}

Fui a um velório no domingo passado (28 Outubro), quer dizer, não fui propriamente ao velório, fui ao almoço. Cheguei a casa da família da falecida e o ambiente era típico de um funeral, os homens a jogar cartas e as mulheres na conversa ou a preparar o almoço. Dentro de casa a sala de estar estava praticamente vazia, só tinha lá o caixão apoiado em algumas cadeiras. O almoço foi em grande, parecia um casamento… tudo animado e no final mais uma partida de cartas. Homens de um lado mulheres do outro, sem misturas. Aliás, aqui os homens e as mulheres fazem tudo em separado, só não sei é como têm filhos… {#emotions_dlg.lol}

No final o Padre fez a encomendação da defunta e a família dirigiu-se para o cemitério.

Esta semana tivemos as festas de todos os santos (1Novembro) e a festa dos fiéis defuntos (2Novembro), ambos feriados em Timor, tomem… aqui é que é bom… Tudo é desculpa para ser feriado. Apesar da grande população, se não toda mesmo, ser católica até os feriados muçulmanos são vividos cá (e aqui não há muçulmanos) {#emotions_dlg.tongue} O “diferente” destes dias foi no dia 2. As pessoas vêm assistir à missa, até vem mais gente que o comum, e todas as famílias trazem grandes quantidades de flores para serem abençoadas na missa e, no final, serem levadas para o cemitério para enfeitar as campas dos familiares falecidos. Eu ainda não conheci o cemitério, porque ainda não morreu nenhum frade em Timor, serei eu o primeiro? Quem sabe… Estou a brincar… {#emotions_dlg.dork}

Ontem, na conversa durante o jantar disseram-me que virão para cá mais 3 missionários leigos. Chegam a Timor dia 10 Novembro. Vai ser muito bom, não só para eles como para a população timorense. É fantástico receber notícias destas, agora resta-nos rezar para que tudo lhes corra bem e que a missão que eles vêm cá fazer seja frutífera. {#emotions_dlg.happy}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração!{#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 04:15

Domingo, 28.10.12

Conduzir? Eu? Só se fizer rally!!!!!!!

Olá amiguinhos, finalmente senti-me útil durante a minha estadia em Timor. Não falo do meu trabalho na fraternidade, que apesar de pouco tem a sua importância. Falo do meu contributo para a sociedade. Apesar de não ter sido nada de extraordinário, como eu verdadeiramente gostaria de fazer, acabou por ser uma boa acção. Depois de ganhar experiência a fazer curativos aos meus dedos, já são dois os dedos magoados, decidi pôr essa experiência em prática. No átrio da igreja estávamos eu, um grupo de crianças e outro frade na conversa quando deparo que o joelho de uma das crianças estava a sangrar, mas uma ferida bem grande e com fortes possibilidades de infeccionar se não fosse bem tratada. Não aguentei ver aquilo naquele estado, a ferida estava tapada com um farrapo velho, o sangue estava sempre a escorrer e a ferida não tinha sido minimamente tratada e pedi à rapariga para esperar um pouco e fui a casa buscar água oxigenada, betadine, algodão e uma gaze para fazer o curativo. Com muito jeitinho tratei a ferida. Com a água oxigenada limpei a ferida, que deitou mesmo muito pus, estanquei o sangue e coloquei o betadine e a gaze. O sorriso da criança no final foi a melhor recompensa que poderia ter recebido… Quando a criança foi embora apareceram outras que me foram mostrando as suas feridas, já toda saradas, mas que me fez reflectir. Estas crianças não têm noção do perigo de uma ferida mal tratada, se calhar deveria sensibilizá-los e até mesmo trata-los… A partir de agora estarei mais atento às crianças fazendo-lhes os curativos às feridas que elas forem apresentando… {#emotions_dlg.happy}

Sou um perigo na estrada… Era preciso ir às compras, ou seja, era preciso ir à cidade vizinha, porque em Laleia não há muita coisa à venda. Como a casa só tem dois condutores, eu e um padre, e o padre estava indisponível, lá fui eu aventurar-me. A distância é mais ou menos como do Porto a Gondomar (para quem é do sul Lisboa-Setúbal). Começo a aventura, mentalizo-me que tenho que conduzir pela esquerda e faço-me à estrada. Inicialmente tudo tranquilo, conduzindo entre os 30-50km/h até ao momento em que me habituo à estrada e, vendo-a tão livre e em condições minimamente apresentáveis, começo a colocar o pé no acelarador. Má ideia, sempre que chegava aos 90km/h lá aprecia um buraco. Se uns conseguia evitar outros batia em cheio neles. Que loucura, o carro dava cada salto, parecia que estava no filme “Ace Ventura em África” quando ele vai de carro para a floresta. Os saltos eram tantos que quase batia com a cabeça no tejadilho. Só pensava nos amortecedores do carro e a cada buraco novo rezava para que os pneus não furassem… era a loucura. Cheguei ao local sem maiores precedentes, fiz as compras que tinha a fazer e ainda tive que esperar que a mercearia abrisse (Supostamente abria às 16h, mas já eram 16:30h e ainda estava fechada e é uma loja de chineses…) O regresso, que deveria ter sido tranquilo devido à experiência, foi ainda pior. Apesar de evitar melhor os buracos não gostei da forma como um condutor me ultrapassou e decidi pôr pé a fundo, bati recorde de velocidade máxima (100km/h) e pumba… bati em cheio num buraco acontecendo aquilo que mais temia, um furo no pneu… {#emotions_dlg.happy} Primeira coisa a fazer é encontrar pedras grandes para fazer de calço e encontrar duas ou três pedras grandes e lisas para fazer de base para o macaco, senão ele não sobe o suficiente para levantar a roda do carro. Depois segue-se o desapertar dos parafusos, ou o apertar para quem fôr aselha e não souber distinguir para que lado se apertam e desapertam os parafusos… um bónus para mim que me pus aos pulos em cima da chave de desapertar os parafusos, porque o parafuso não queria desapertar, até que me disseram “E se tentasses para outro lado, acho que terias mais sorte”… E tinha razão, ainda bem que não estava sozinho… :D Depois de trocado o pneu voltamos à estrada, mas desta vez com velocidade controlada entre os 30-50km/h… ainda vou aprendendo com os erros… {#emotions_dlg.happy}

Na sexta-feira tivemos uma visita muito especial. As irmãs vitorianas, mais concretamente as postulantes e a sua mestre, vieram de propósito de Baucau a Laleia (viajem mesmo grande e cansativa, tipo Porto-Fátima, mas aos pulos por causa dos buracos) para um retiro. O local escolhido para o retiro foi a nossa igreja, por ser a igreja de espiritualidade franciscana mais próxima. É sempre bom receber alguém que fala português para trocarmos ideias e para eu falar um pouco mais que o habitual. A mestre das postulantes é uma irmã missionária portuguesa e teve a contar-me as suas histórias desde os tempos que veio para cá, já há uns longos anos. Que testemunho, achei fantástico. Apesar de estarem numa casa um pouco isolada da grande concentração populacional, nada a deteve. Quando chegou a Timor, pela primeira vez, foi convidada para dar aulas de português e aqui começaram os desafios, é que nem uma gramática ela tinha. E como quando se tem fé em Deus tudo se resolve, passado umas semanas uma voluntária, que não conhecia a irmã nem o seu trabalho, apareceu em Timor com umas gramáticas e uns dicionários que tanto encheram de alegria a bendita irmã. Outra história que me fascinou foi o testemunho dela que, sem carro (prometeram-lhe um, mas duraram um ano para lho oferecer) fazia todos os dias 13km a pé para o seu trabalho pastoral e para dar aulas de português. É fascinante a forma como estas pessoas se entregam com tudo o que têm aos outros. Uma lição de vida… {#emotions_dlg.happy}

Está quase a fazer um mês que estou cá, passou tão depressa que parece que estou cá há uma semana… {#emotions_dlg.faro}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos no coração e na oração! {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 07:24


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