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Missão em Timor

Durante 3 anos estarei a fazer uma missão em Timor, pela Ordem dos frades menores capuchinhos, e neste blog tenciono contar todas as minhas aventuras e a percepção que vou tendo dos acontecimentos, tudo de uma forma peculiar que só eu sei viver :D


Quinta-feira, 12.09.13

Frei Isidóros Cup

Olá amiguinhos! O meu professor de introdução à economia (apesar de estar a fazer o curso de filosofia-teologia, também tenho duas cadeiras de economia) dividiu a turma em 6 grupos e pediu-nos para fazermos um trabalho temático para depois o apresentarmos à turma. E esta semana começaram as apresentações. Nunca vi uma apresentação tão formal. Primeiro colocaram cadeiras para todos, atrás da secretária do professor, de seguida começaram a apresentação. Havia um moderador que indicou a ordem de apresentação do tema e qual o respectivo orador para esse tema, seguiu-se a temática do trabalho e, por fim, em que língua (neste caso línguas, decidiram apresentar em Tétum e Inglês) iria ser apresentado o trabalho. E como se isto já não fosse suficiente para achar a cena caricata (estamos a falar de uma simples apresentação à turma e não da defesa de uma tese) cada orador começava a apresentação com “Obrigado frater Domingos (o moderador) e à turma pelo tempo que me concedem para apresentar o meu tema…”. Fiquei tão surpreendido com tanta formalidade que estou assustado quando for a minha vez de apresentar… Acho que vou quebrar todos os protocolos timorenses… {#emotions_dlg.bunny}

Continuando a minha aventura, como no dia 9 de Maio o frei Isidóros faz anos e, como quando um frade faz anos costumam-se juntar as duas fraternidades de Timor, era preciso alguém ir a Laleia, no dia 8, buscar os postulantes (o frei Maximiliano viria só no dia seguinte depois da missa e o frei Filipe está em Portugal), essa tarefa coube-me a mim. Logo a seguir ao almoço peguei no carro e lá fui eu todo contente, sozinho mas não solitário (tinha os web10 da Mega Hits, que tirei da net quando ainda estava a morar em Laleia, para me acompanhar). O caminho não é difícil, só tenho que virar duas vezes, uma perto da residência do Presidente da República e outra em Hera. Se a última é fácil de saber quando tenho de virar, porque não há mais caminho em frente, a segunda requer um pouco mais de atenção. A única referência é um pilar no meio da estrada, já em cima da curva. E lá fui eu todo contente, a ouvir boa música e sempre atento à procura do tal pilar quando começo a achar que já tinha andado mais do que devia, mas como ainda não tinha visto o tal pilar e também não podia fazer inversão de marcha, porque a estrada é apertada (mal cabem dois carros) e com pouca visibilidade, só me restava continuar. O meu instinto estava certo, 10min depois chego a Cristo Rei e ao consequente final da estrada. Dei a volta (aqui já é possível) e lá voltei para trás com a atenção redobrada, porque a hora já estava a apertar. Encontrei o tal desvio e continuei a viagem mais tranquilo. A viagem durou-me cerca de 3horas. Não fui muito acelerado para poder evitar os buracos que afinal já tinham sido todos tapados. Cheguei a Laleia por volta das 17h. Relaxei por lá um pouco, tomei um café e umas bolachas e voltei à estrada acompanhado pelos postulantes. Eles eram cerca de 7. 3 Foram dentro do carro comigo e 4 foram atrás. Coitados dos que foram atrás, depois de saber que a estrada não tinha mais buracos aproveitei para acelerar, também porque queria chegar a casa à hora do jantar. Curva para a esquerda, curva para a direita, o carro sempre entre os 80Km/h e os 100km/h (à excepção de quando a curva era mais apertada, aí reduzia bastante) até que um dos rapazes pede para parar o carro, porque se estava a sentir mal. Parei o carro, esperamos um pouco para que o estômago dele se acalmasse e voltamos à carga. A partir daqui foi sempre directo até Tibar, sem parar. Eram cerca das 19:45h quando chegamos a casa, mesmo a tempo do jantar, e qual não foi o meu espanto quando olho para o carro e vejo a traseira toda suja de vomitado. Perguntei-lhes porque não me avisaram que estavam mal dispostos para eu parar o carro, eles disseram que tinham avisado, mas que provavelmente eu não teria ouvido… E realmente foi o que aconteceu. Como tinha o rádio ligado (tava sem bateria no tlm para ouvir o web10) não consegui ouvir os avisos dos rapazes… coitados, tive mesmo pena deles… {#emotions_dlg.sidemouth}

No dia seguinte, dia 9, foi o aniversário do frei Isidóros. Ele presidiu à celebração da Eucaristia, dando graças a Deus pelo dom da vida e por tudo o que Deus lhe tem oferecido. Durante a manhã os postulantes ficaram a preparar o grande almoço de festa enquanto nós, os pós-noviços, fomos para as aulas. Não faltou nada, a mesa estava recheada de coisas boas, muito arroz, Super Mi (uma massa esparguete feita em 2min muito boa,) vinho tinto, Martini e vinho do Porto (a minha perdição). No final da refeição cantamos os parabéns seguido do grande brinde, do partir do bolo e dos indispensáveis discursos. 

Como é óbvio, a festa não ficou por aqui, com tantos jovens numa casa, um campo de futebol só para nós e uma tarde livre só poderia resultar num jogo de futebol. Era a FREI ISIDÓROS CUP e seria disputado pelas duas melhores equipas de Timor-Leste, O Futebol Clube do Porto de Tíbar e o Sport Lisboa e Benfica de Laleia.

As equipas sobem ao relvado, tira-se a foto de apresentação e os jogadores cumprimentam-se em sinal de fair play (que realmente existiu, não houve registo de uma única falta, eu encarreguei-me de colocar uma venda nos olhos do árbitro).

As esquipas já estão constituídas, por parte do Futebol Clube do Porto de Tíbar: Na baliza Helton Tinoco (o único com a camisola do FCP), na defesa Fernando Alberto Otamentdi (2º em cima a contar da esquerda) e Manuel Maicon (3º em cima a contar da esquerda), no meio campo Fernando Nicolau (1º em cima a contar da esquerda) e João Agostinho Moutinho (4º em cima a contar da esquerda) e no ataque James Jesuíno Rodriguez (6º em cima a contar da esquerda) e Jackson Isidóros Martinez (Chegou atrasado ao jogo, porque estava a tratar do processo de renovação do contracto); Por parte do Sport Lisboa e Benfica de Laleia: Guarda-redes: Jeremias Artur (2º em baixo a contar da esquerda), na defesa: Jerónimo Luisão (4º em baixo a contar da esquerda) e Moisés Sidney (6º em baixo a contar da esquerda), No meio campo: Rido Gaitán (5º em baixo a contar da esquerda), no ataque: Sebastião Messi (1º em baixo a contar da esquerda) e Hélio Lima (3º em baixo a contar da esquerda).

Aqui vai o resumo do jogo:

0’ – Tem inicio o grande Derby Porto Vs Benfica. É o Benfica que dá o pontapé de saída.

3’ – Sebastião Messi arranca pelo lado direito, olha para a área, prepara-se para tirar o cruzamento e GOOOOOLLLLOOOOOO!!!!! Jogada inteligente de Sebastião Messi ao aproveitar o adiantamento de Helton Tinoco que se preparava para se antecipar e rematou colocado ao primeiro poste, não deixando qualquer hipótese ao guarda-redes portista. 0-1 para o Benfica e o jogo ainda mal começou.

5’ – Novo ataque na direita por parte de Sebastião Messi. Lance idêntico ao do primeiro golo, mas desta vez Helton Tinoco atento e a deitar a bola para canto.

12’ – Ataque do Porto pelo meio. João Agostinho Moutinho abre o jogo com um passe a rasgar para as costas da defesa, James Jesuíno Rodriguez ganha a bola, mas a não aproveitar o lance e a rematar para fora.

20’ – Ataque do Benfica. Sebastião Messi, desta vez pela esquerda, tira Manuel Maicon do caminho, isola-se, corre na direcção da baliza e… grande intervenção de Helton Tinoco a sair-se muito bem aos pés de Sebastião Messi e a roubar-lhe a bola.

22’ – É o Porto no ataque. Fernando Niculau abre na esquerda para João Agostinho Moutinho, ele corre com a bola, segue sem oposição, entra na área, tira um cruzamento rasteiro e GOOOOOLLLLLOOOOOOOO. James Jesuíno Rodriguez a aproveitar da melhor maneira o cruzamento e a restabelecer a igualdade. 1-1 no marcador.

35’ – Substituição. É Jackson Isidóros Martinez que entra em campo, para substituir… ninguém… Parece que ninguém quer sair. E fica o Porto a jogar com mais um… pronto… :P

40’ – Ataque do Porto. É Jackson Isidóros Martinez com a Bola. Ele finta Rido Gaitán, continua a progredir no meio campo, aproxima-se da área, tira Jerónimo Luisão do caminho com grande pormenor técnico, remata forte e colocado e GOOOOOOLLLLLLOOOOOO. É a reviravolta no marcador. 2-1 para o Porto… É o Rapa na rapaqueca…

45’ – Apita o árbitro para o intervalo (que aqui foi mesmo o Fernando Alberto Otamendi, ele é que andou a marcar o tempo com o seu relógio) :P

45’ – Inicia-se o segundo tempo. As equipas mantêm-se inalteradas. Sem mais demoras o Porto passa para o ataque. Fernando Nicolau entrega a bola na direita para James Jesuíno Rodriguez que imediatamente tira o cruzamento, Jackson Isidóros Martinez, na área, recebe a bola de peito, dá meia volta e… à barra… Que grande remate de Jackson Isidóros Martinez no poste superior da baliza encarnada… O lance não para, a bola sobra para João Agostinho Moutinho… remata de primeira com um pontapé artístico e GOOOOOLLLLLOOOOOOO. Bola colocada no ângulo da baliza de Jeremias Artur. 3-1 para o Porto… a vitória já não lhe deve escapar…

50’ – Jogada de insistência de Sebastião Messi, ele segue com a bola pelo meio, tira Fernando Alberto Otamentdi do caminho, entrega na esquerda para Hélio Lima, ele isola-se, entra na área, remata forte colocado e… Grande defesa de Helton Tinoco… é a defesa da noite… Nem o Super-homem conseguia voar tanto como ele voou… Os adeptos benfiquistas nem acreditam, na bancada já se gritava golo… ah espera, estou a ver o jogo errado… aqui não há bancadas nem adeptos… :P

75’ – (Tive que encurtar o resumo do jogo, porque o caché que me deram foi muito reduzido) O Porto já vence por 8-2. Vem novo ataque benfiquista. Depois de dilatada a vantagem e de perceberem que Helton Tinoco consegue travar tudo o que lhe aparece na frente os jogadores do Porto já nem se preocupam em defender… Novamente Sebastião Messi pelo meio, tira Manuel Maicon do caminho, abre na esquerda para Hélio Lima, que apercebendo-se da aproximação de Helton Tinoco, tira o cruzamento para o 2º poste, é Rido Gaitán que aparece isolado para fazer o remate e… incrível defesa de Helton Tinoco… Este jogador não anda, ele voa… num segundo está no 1º poste e logo de seguida já está no 2º poste a fazer mais uma brilhante defesa… Melhor guarda-redes do mundo, com certeza…

85’ – 2ª substituição do jogo. Manuel Maicon troca de posição com Helton Tinoco. O primeiro recua para a baliza e o segundo sobe no terreno para lateral esquedo.

89’ – O jogo já se aproxima do fim. É o Benfica no ataque. Sebastião Messi arranca pelo lado direito, aproxima-se da área, Helton Tinoco aproxima-se Sebastião Messi parte para finta, Helton Tinoco mete o pé à bola e grande desarme de Helton Tinoco, de meter inveja até mesmo a Puyol. Entrega já no meio para Fernando Alberto Otamendi, vê a desmarcação na direita de João Agostinho Moutinho, ele recebe a bola, olha para a área, vê Helton Tinoco a entrar na área à velocidade da luz, João Agostinho Moutinho cruza para a área, Helton Tinoco antecipa-se a Moisés Sidney, estica a sua perna de 3metros e meio, desvia, com um ligeiro toque, a bola de Jeremias Artur e GOOOOOOLLLLLLLOOOOOOO. Incrível este jogador. O melhor em campo… Não só brilhou na baliza evitando que a sua equipa sofresse mais de 10 golos, como de seguida dá uma arrancada pela esquerda, de área a área, para restabelecer o resultado final. 9-2 para o Futebol Clube do Porto de Laleia na melhor partida de futebol alguma vez realizada…

90’ – O árbitro, ou melhor, Fernando Alberto Otamenti, dá por terminada a partida. O Porto vence por 9-2 e sagra-se campeão franciscano da taça FREI ISIDÓROS CUP. {#emotions_dlg.portugal}

Amiguinhos foi realmente assim que aconteceu, não estou a exagerar… :P Eu sei que podem dizer “Ah e tal, mas vocês jogaram quase todo o jogo com mais um”. Está certo, mas o Benfica tinha o Messi… Ainda pensei em convidar o Cristiano Ronaldo, mas não quis que o Messi ficasse intimidado com a sua presença… {#emotions_dlg.blink}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração. {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 08:44

Terça-feira, 11.06.13

Pequena homenagem a um grande missionário...

Olá amiguinhos! Desculpem ter ficado tanto tempo sem dar notícias, tive cerca de 15 dias para preparar e fazer 6 exames (de 17 a 31 de Maio) e depois disso entrei em dois retiros que duraram a semana toda. Fiz anos no Domingo passado (dia 2) e posso dizer que tive das melhores prendas que me podiam ter dado aqui em Timor. Uma ida à praia com respectivo banho. Sim, finalmente mergulhei nas lindas, limpas e quentes águas de Timor. O senão é que por baixo da água, em vez de areia, como é normal nas nossas praias portuguesas, tem pedras e o resultado foi um calcanhar magoado que, quase uma semana depois, ainda me dói, mas valeu mesmo a pena {#emotions_dlg.happy}(a seu tempo contarei melhor esta aventura)

Tendo terminado todas as festividades pascais e visto que ainda faltavam 4 dias para começarem as aulas, o frei Fernando, o nosso formador principal, decidiu conceber 3 dias de férias aos pós-noviços para poderem visitar a família, excepto a mim, visto que 3dias, no máximo, dariam para aterrar no aeroporto de Lisboa, vir cá fora, dizer “Olá mãe. Adeus mãe. Beijos.” E voltar a embarcar de volta a Timor e talvez não chegasse a horas para o jantar no 3º dia. {#emotions_dlg.bunny}Ainda me chegou a perguntar se queria ir a Laleia, mas eu recusei para poder cobrir as necessidades da fraternidade, nomeadamente as o que mais detesto fazer, cozinhar... É que não é só pelo trabalho que dá ter de descascar cebolas e alhos, é também porque me aleijo sempre que cozinho, se não é uma faca que me abre um dedo é uma panela que decide marcar-me os dedos, tenho-os todos queimadinhos… Estas foram as últimas queimadelas…

Na sexta-feira, dia 5 de Maio (tão atrasado que vai o blog), os nossos formando postulantes vieram a Tíbar, a fim de participar num encontro de formação para todos os postulantes da família franciscana. Como eles são 4 e a casa ainda não tem assim tantos quartos para acolher tanta gente combinou-se partilhar os quartos. Como cada quarto tem dois beliches dividiu-se duas pessoas para cada quarto, ficando dois quartos a serem ocupados por nós (os pós-noviços) e dois pelos postulantes. Cada um ficou responsável por preparar o seu quarto. Durante a tarde de 5ª feira (dia 4) decidi pôr mãos à obra e pôr o quarto a brilhar. Nunca vi aquele quarto tão limpo como ficou naquele dia, parecia novo… Na sexta-feira, quando chegaram os postulantes, distribuíram-se os quartos e percebi que ninguém queria partilhar o quarto comigo. Ainda pensei que fosse por cheirar mal dos pés, ou por ressonar muito alto, mas afinal são eles que têm vergonha de partilhar o quarto com um estrangeiro… Eu agradeço, porque gosto da minha privacidade, mas eles é que perderam a possibilidade de assistir a um grande filme do Van Dame, actor que eles tanto admiram :P Durante a tarde aproveitamos a estadia deles por cá para os desafiar para uma partida de futebol inter-fraternidades, com a fraternidade de Tíbar a ganhar por 10-5. Neste jogo fiquei o tempo todo a guarda-redes (não tive vontade de correr), por isso não marquei nenhum golo para vos poder dedicar, desculpem! {#emotions_dlg.blushed}

Uma semana depois, sexta-feira dia 12, os postulantes regressaram à nossa fraternidade para dar continuidade ao encontro de formação que começaram no fim-de-semana passado. Desta vez não quiseram ser humilhados e até vieram com a desculpa de “ah e tal, não temos chuteiras para jogar futebol…” que por acaso até é verdade, temos campo, temos bola, mas falta-nos equipamento. Num dos nossos jogos houve mesmo que jogasse de chinelos e, mais caricato ainda, houve quem jogasse de galochas por não ter calçado para jogar… cheguei mesmo a ver esquerdinos e destros a partilharem as chuteiras para poderem chutar mais à vontade… Estou mesmo a pensar tentar convencer o Pinto da Costa e o Luís Filipe Vieira para ver se nos financiam uns equipamentos… Se as equipas italianas fazem isso com os frades capuchinhos de Cabo-verde, porque não os portugueses fazerem isso com os frades capuchinhos de Timor?! Não custa ajudar quem é de Ti…Mor… {#emotions_dlg.lol} E nem vou pedir equipamentos novos, ficamos contentes se nos enviarem os equipamentos de treino de épocas passadas que já não usam… é um sonho que um dia, se Deus quiser, se poderá concretizar… quem sabe… {#emotions_dlg.unknown}

Estava a brincar, os postulantes não ficaram com medo de voltar a jogar contra nós, até o faziam descalços, se fosse preciso, nós é que “fugimos” deles assim que o almoço de sexta-feira acabou. Como tinha sido programado no início do ano, a fraternidade de Tíbar teve o seu Capítulo local (encontro periódico de toda a fraternidade para programar as actividades pastorais e limar algumas arestas que sejam preciso nos assuntos internos da casa). Ao contrário do que é habitual, fomos fazer o nosso capítulo fora de casa, na última aldeia de Tíbar, Lebuloa. Mal acabamos de almoçar e lavar a louça arrancamos logo para lá. A viajem até se faz tranquilamente, apesar de a estrada não estar em muito bom estado. Chegando lá estava a família responsável pela igreja (por acaso até mora mesmo em frente) à nossa espera, parece que nos esperavam desde manhã cedo… Enquanto davam os últimos preparativos na sala da reunião aproveitei para conhecer a zona e reparei nuns miúdos, provavelmente no intervalo das aulas, a jogar à bola. Eram cerca de 20 miúdos, incluindo raparigas, a fintarem, passarem a bola e a marcarem golos como o Cristiano Ronaldo, quer dizer, passar a bola como o CR7 é difícil, porque ele não o faz, mas isso são outras histórias… {#emotions_dlg.tongue}Enquanto assistia àqueles miúdos a jogar à bola lembrei-me dos meus tempos de escola, era tal e qual, todos a jogar à bola e eu a assistir é preciso alguém para dar apoio moral, pelo menos é o que s meus colegas me diziam… Eu nunca fui muito dado ao desporto, cansa muito… {#emotions_dlg.tired} No final da reunião a família que nos acolheu ofereceu-nos um grande lanche, que mais parecia jantar, o pior é que ofereceram bacalhau, logo a comida que mais detesto… Felizmente tínhamos trazido umas bolachas de casa, o qual seria o nosso lanche se este povo não fosse tão generoso, que deu para eu me entreter… {#emotions_dlg.confused}

Chegamos a casa ao fim da tarde, mais tarde até que a hora prevista, e com uma única coisa em mente… Temos que preparar uma despedida em grande para o frei António, toda a sua dedicação e carinho para com o povo timorense o merece… O frei António é um frade missionário português da nossa Ordem que esteve cerca de 4 anos em Timor, na nossa comunidade de Tíbar a apoiar no serviço pastoral. Criou uma escola de música onde ensinou várias crianças a tocar flauta, e que bem que elas tocam, e criou também uma pequena turma a quem dava aulas de português. As crianças adoravam estas actividades e, principalmente, todo o carisma, entusiasmo e amor com que o frei António se entregava a estas actividades. Todos os anos o número de inscritos aumentava, uns persistam até ao fim, outros, dando mais prioridade a outras actividades, acabavam por sair, mas o mais importante é que todos os anos havia sempre caras novas a bater-nos à porta e a pedir ao frei António que os deixasse entrar tanto na escola de música como na turma de português. Foi um missionário sempre atento às necessidades da população e sempre disponível para ajudar quem necessitasse. Como temos um poço, as pessoas que não têm água canalizada aproveitam para vir cá buscar água, o frei António, ao ver que as condições para tirar a água não eram as melhores, decidiu angariar fundos e construir uma fonte a fim de dar alguma dignidade, e higiene também, às dezenas de pessoas que diariamente vêm cá buscar água para as suas necessidades diárias. Dentro da fraternidade procurou sempre empregar os seus conhecimentos na melhoria das condições da casa, tratando muito bem da nossa quinta e, principalmente, nunca guardando os seus conhecimentos para si, mas transmitindo-os a quem com ele trabalhava. Muita coisa se poderia dizer do frei António, provavelmente daria para escrever um novo blog. Foi uma despedida emotiva e mais significativa se tornou pela presença de todos os frades e candidatos do qual ele foi formador. Esperemos que daqui a um ano, pelo menos, ele possa regressar. Tal como disse o frei Isidóros no discurso de despedida “Vai bem e volta melhor”.

PS: O frei António é o katuas (o mais velho), lado esquerdo da mesa, de barbas brancas...

 

Espero que tenham gostado. Um mês sem publicar é muito tempo, mas agora que os stresses dos exames acabaram vou começar a publicar com mais frequência. Ah, é verdade, tenho uma boa notícia para vos dar, tive 19 a Filosofia do conhecimento e logo eu que não gosto muito de Filosofia. As outras notas ainda não sei… {#emotions_dlg.sarcastic}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração! {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 10:45

Quarta-feira, 13.02.13

Mais um para se juntar à festa...

Ola amiguinhos! No último post falei-vos da forma como certas pessoas vivem aqui (felizmente não todas e felizmente que existe uma evolução para melhorar o estado de vida da população, por mais lento que possa ser). Hoje vou falar-vos das condições de estudo das crianças por cá. As propinas (pelo menos a primária) são baratas, 1$ por mês no ensino público e 5$ por mês no ensino privado, mas esta é a única benesse que os estudantes têm. Para quem mora longe de uma escola (e não são poucos) têm de pagar também o transporte público, ou seja, cerca de 0.50$ por viagem, num total de 1$ por dia que multiplicado por 24 dias (+/- um mês de aulas) perfaz um total de 25$ só por mês, para quem estuda no ensino público, e 29$ por mês para quem estuda numa privada. No público, com propinas tão baixas não há como pagar uma cantina, logo, ou as crianças levam comida de casa, ou compram fora, ou simplesmente ficam o dia todo sem comer, sendo que esta última costuma ser a mais comum… Em relação ao privado já desconheço o funcionamento interno. Se as instalações do privado são aceitáveis, já no público varia de escola para escola. O caso mais dramático que assisti foi uma escola sem teto, as paredes todas esburacadas, e com enormes buracos, e sem cadeiras para as crianças e o professor se sentarem (sentavam-se directamente na gravilha). A única coisa que a sala tinha era um quadro preto e giz… Escusado será dizer que nos dias de chuva não há aulas nessa escola e em tantas outras espalhadas pelo país. Mas apesar de todas estas dificuldades, as crianças vão alegres para a escola, com vontade de aprender e assimilam a matéria com muita inteligência, uns verdadeiros heróis… {#emotions_dlg.happy}

Continuando com a minha história, desde o dia em que o frei Isidoros chegou até à 2ª semana de aulas que o nosso tempo tem sido passado a cortar a relva da grande quinta que temos e, está claro, do nosso grande campo de futebol relvado… Ah pois é, temos um estádio de futebol dentro de nossa casa, com relvado bem aparado (aparentemente) e comparável com os melhores relvados da europa, ou não… {#emotions_dlg.happy} Uma coisa é certa, neste estádio, quando há jogos, as bancadas nunca estão vazias… não temos bancadas… {#emotions_dlg.tongue} Todas as sextas-feiras jogamos futebol com as crianças que vão aparecendo por cá.

 

 A última semana de Janeiro foi passada na expectativa da chegada do Padre Provincial, o frei António Martins, e do meu companheiro timorense de Pós-Noviciado, no Porto, o frei Agostinho dos remédios (finalmente uma farmácia por cá). Todos estávamos expectantes com a vinda deles. Começamos os preparativos, com reuniões para ler o comunicado oficial da sua visita e para estudarmos como os haveríamos de instalar na casa durante a sua estadia. A reunião também serviu para preparar o dia do consagrado que se realizaria no dia 2 de Fevereiro, dia também previsto para a chegada do Provincial.

No dia 1 de Fevereiro começaram as actividades para celebrar o dia do consagrado, celebrado sempre no dia 2 de Fevereiro, dia que a Igreja celebra a apresentação do Menino Jesus ao Templo, uma tradição judaica que a Igreja também celebra por fazer parte da vida pública de Jesus (cf Lc 2,22-24). No dia 1, ao final da tarde, foi organizado, para todos os religiosos da diocese de Dili, uma vigília de oração com a exposição do Santíssimo Sacramento. Uma Igreja grande e cheia de gente, cerca de 800 frades e freiras presentes. A celebração iniciou-se com todos os religiosos no átrio da Igreja, com uma vela na mão acendida a partir do Círio Pascal. Com a vela acesa fomos entrando na igreja que, à porta, tinha uns jarros de água para lavarmos as mãos enquanto se cantava “Senhor quem entrará no santuário para te louvar”. Já lá dentro e ainda com as velas acesas rezamos alguns salmos e cânticos terminando a celebração com a adoração ao Santíssimo Sacramento. No dia seguinte foi o dia da grande enchente. Acorreram religiosos de todas as dioceses para ouvir as palavras santas do bispo D. Basílio Nascimento que nos falou, durante cerca de uma hora, sobre último sínodo dos Bispos. Não vou mencionar nada do que ele falou, porque foi em tétum, excepto aquela parte em que ele disse “agora vou falar em português” aí eu virei a cabeça na direcção e diz o Bispo virado para mim “Ah! Agora já estou a captar outras atenções”… Pudera, a conferência, para mim, foi quase “bla bla bla sínodo dos bispos, bla bla bla Bento XVI bla bla bla”. Ainda ia entendendo algumas palavras em tétum e uma frase ou outra, mas ainda assim… {#emotions_dlg.happy} Depois do encontro tivemos uma pequena pausa para um lanchezinho que deu para subir a minha autoestima (se é que já não está no topo) quando um frade veio ter comigo e me disse “Estão ali umas noviças a dizer que és demasiado giro para ser frade” e muito subtilmente respondo “Ainda bem que a Igreja tem gente gira, pode ser que ajude o Espírito Santo a trazer mais pessoas à missa” {#emotions_dlg.happy} Ainda durante este convívio reencontrei uma portuguesa que tinha conhecido na embaixada portuguesa quando fui lá tratar da renovação do meu visto. Uma prova que Deus actua em qualquer momento e usa todos os meios foi o desta minha amiga, veio a Timor fazer voluntariado com as irmãs dominicanas e agora é postulante, ou seja, gostou tanto da experiência e o contacto com as irmãs que decidiu entregar e consagrar a sua vida a Deus.

Depois deste pequeno convívio participamos na celebração da eucaristia, onde os superiores de todas as congregações foram chamados ao altar para assumirem o compromisso de reacender o carisma da sua ordem nos seus irmãos. O encontro terminou com uma grande almoçarada e alguns espetáculos produzidos pelos frades e freiras de alguns institutos. Ainda eu ia a meio do meu saboroso almoço quando me interromperam, porque já estava na hora de ir buscar o Provincial e o frei Agostinho. Chegados ao aeroporto pus-me logo à espreita para ver quando apareciam (para mim não é difícil, porque normalmente os timorenses dão-me pelos ombros). Ao fim de 30min de espera (que podia ter usado para acabar o almoço) consegui ver o Provincial, mas nada de Agostinho… Entrei para o ajudar com as malas e, vindo do nada, ouço um “Tinaaaaas”, viro-me para ver quem era e vejo, nada mais nada menos que, um gajo magro, de chapéu na cabeça e a mancar… era o Agostinho. Parece que tinha ido à faca uma semana antes de viajar, por causa de um problema no joelho… Voltamos todos para casa a fim de instalar a nova comitiva nos seus respectivos quartos e começou o blá blá habitual “Como foi a viajem? Como vai o Porto? Como está a minha família? Alguma novidade?”. Ao falar da viajem veio a parte caricata, como o frei Agostinho estava manco pediram, nos aeroportos onde passou, uma cadeira de rodas para ele se poder deslocar com maior facilidade. Como o rapaz é muito solidário aproveitava a onda da oferta e dizia sempre “Já agora uma também aqui para o meu amigo (O Padre Provincial frei António Martins) que também tem um problema na perna… e, segundo ele, lá andavam os dois de cadeira de rodas a ver quem andava mais depressa… {#emotions_dlg.happy} É bom ter por cá o frei Agostinho, é alguém que já conheço e que me vai ajudar ainda mais na integração neste maravilhoso país.

 

Bom amiguinhos, por hoje fico por aqui, no próximo há mais.

 

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por missao em timor às 23:47


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