Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Missão em Timor

Durante 3 anos estarei a fazer uma missão em Timor, pela Ordem dos frades menores capuchinhos, e neste blog tenciono contar todas as minhas aventuras e a percepção que vou tendo dos acontecimentos, tudo de uma forma peculiar que só eu sei viver :D


Sexta-feira, 03.05.13

Jesus Kristu Moris Iha's Ona Aleluia!!!!!

Olá amiguinhos! Eu sei que já estamos na Páscoa, mas ainda vos quero falar de como foram as minhas duas últimas semanas da quaresma. O frei Fernando decidiu inovar as coisas por cá, e como a zona de Tíbar está dividida por bairros, cada bairro, no Domingo de Ramos (dia 24), organizaria a sua via-sacra percorrendo todo o seu bairro de modo que a última estação fosse em casa das irmãs Franciscanas dos Sagrados Corações de onde se faria a bênção dos ramos seguido de uma procissão, para aclamar a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém, até à Igreja que fica mesmo em frente à casa das irmãs. Com tudo pensado há que começar a preparar as coisas. Fizeram-se 6 equipas constituídas por 1 frade, uma noviça das irmãs Concepcionistas ao serviço dos pobres, uma postulante e uma Irmã das irmãs Franciscanas dos Sagrados Corações. Eu fiquei com o bairro 1, o bairro maior, e com uma equipa fantástica, dinâmica, animada e com grande sentido de humor. A primeira reunião com o chefe do bairro deu-se no sábado (dia 23). Explicamos em pormenor tudo o que se iria passar, qual a função destinada aos moradores do bairro e preparamos o esquema com a escolha dos respectivos cânticos. Como o bairro é grande o chefe do bairro decidiu que se devia dar início à via-sacra às 6:30h de modo a que às 9:30h estivéssemos em casa das irmãs para dar continuidade à celebração. Quando, em casa, começamos a ajustar o horário da fraternidade para que todos pudéssemos estar presentes na oração da manhã e também tomarmos o pequeno-almoço juntos eu fui completamente gozado… não havia nenhum bairro, nem mesmo o bairro 2 que é logo ao lado do meu, que começasse a via-sacra antes das 7:30h… Os frades riam-se quando falava nas horas previstas para começar a “minha” via-sacra, e mandavam piadas tipo “Mas a tua via-sacra começa em Dili?” ou “Se calhar é melhor ficares por lá a dormir” ou “Se calhar é melhor começares mais cedo, não queremos que te atrases” ou “Estão a pensar fazer uma pausa a meio para o pequeno-almoço?”, entre outras tantas… as piadas duraram a semana toda até depois da Páscoa… Chegou o Domingo de Ramos, aqui o madrugador acordou às 5:00h, a morrer de sono e a rogar pragas a quem decidiu começar a via-sacra tão cedo… era o único na casa acordado… Tentei tomar o pequeno-almoço, mas como não consigo acordar e comer logo a seguir fiquei-me por um café e meio pão e fiz-me à estrada, já por volta das 6:00h. Tudo escuro, não via um palmo à frente do nariz, estradas desertas, ao longe ouviam-se latidos de cães, parecia estar dentro dum filme de terror no meio de uma floresta deserta, escura e selvagem. Chego ao local do ponto de encontro marcado com as irmãs ainda antes das 6h, esperava impacientemente a chegada da noviça Ângela, da postulante Margareth e da irmã Rose, enquanto dois cães, no outro lado da estrada, não paravam de ladrar para mim. A impaciência começava a tomar conta de mim, as 6h já tinham batido há muito e nem sinal das mulheres (pelos vistos o atraso feminino é um factor comum em todas as culturas). Dadas as 6:20h umas sombras começam a aparecer ao fundo da estrada, era ela, de certeza e não vinha sozinha, trazia em sua companhia outras noviças destacadas para outros bairros. Estava pronto para descarregar nela toda a minha fúria por causa do seu atraso (e eu que detesto esperar), mas a forma delicada com que me pediu desculpa e o sorriso angelical (faz jus ao nome dela) com que me deu o bom dia fez desaparecer todo o aborrecimento que ensombrava o meu coração. Apesar da irmã Rose e da Margareth ainda não terem chegado ao ponto de encontro, decidimos ir para casa do chefe de bairro ultimar os últimos preparos. Só a família do chefe de bairro se encontrava presente. Os moradores iam aparecendo às pinguinhas e, já perto das 6:40h, apareceram as irmãs que faltavam. Reunimos toda a comunidade e iniciamos a via-sacra eram já 7h. A via-sacra foi feita com calma e muito reflexiva parando uns segundo em cada estação para que se meditasse bem o mistério da Paixão de Jesus e apesar de toda esta calma a via-sacra durou pouco mais de uma hora. Andei eu a acordar mais cedo que as galinhas para no final voltar a apanhar grande seca à espera que a celebração começasse… e claro, na hora do almoço levei ainda mais gozo tipo “Quase que não chegavam a tempo, foi mesmo no limite…” “Quando combinares o compasso agora para a Páscoa é melhor marcares para as 4h…” e coisas assim… Até eu já gozava com o assunto… Ao menos a tarde desse Domingo deu para dormir e recuperar o sono perdido Já no culminar da quaresma, começaram as celebrações da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Na quinta e no sábado a oração da manhã, as laudes, foram rezadas na capela de Tíbar juntamente com toda a comunidade (ou o pouco que dela apareceu) e o almoço de quinta-feira foi de grande festa, era a celebração do dia do Sacerdote. Como era eu o cozinheiro da semana decidi, mais uma vez, deliciar toda a gente com o meu melhor prato, a feijoada. Foi das melhores que fiz, limparam tudo, não sobrou nada… Começava a aproximar-se a Páscoa e, com ela, as respectivas reuniões com o chefe de bairro a fim de preparar o compasso. Seria a segunda vez que se iria fazer algo do género em Tíbar, pelo que quase ninguém sabia como as coisas funcionavam, excepto eu… Na sexta-feira (dia 27) entregaram-nos as pagelas com o que haveríamos de dizer ao entrar nas casas de modo que as pudéssemos, com antecedência, distribuir pela comunidade. No sábado tivemos a reunião de preparação com o chefe do bairro. Desta vez ia preparado, não aceitava começar antes das 7h, desta vez não ia madrugar, nem pensar nisso… Como sabíamos que a comunidade só começaria a aparecer 30min depois da hora marcada, decidimos marcar o ponto de encontro com a comunidade para as 6:30h, sendo que nós (eu e as irmãs) marcamos o nosso ponto de encontro para as 6:45h. Fui para casa satisfeito, desta vez sabia que não ia ser gozado, tinha quase a certeza que era por esta hora que os outros bairros também iriam começar. Assim que nos reunimos todos à mesa para almoçar começaram as piadas “então a que horas vais começar, às 4h?” “Se calhar é melhor ires para lá directo depois da celebração de logo à noite” “E vê se chegas a horas à capela, não te atrases”. Deixei-os gozar à vontade, assim que se calaram ergui a voz com orgulho e disse “Desta vez não vou para lá madrugar, vamos começar o compasso às 7h”. Começaram todos a rir às gargalhadas como desalmados… Mais uma vez eu iria ser o madrugador, todos os outros bairros começavam o compasso entre as 8h e as 9h… Domingo de manhã, depois de todos reunidos na casa do chefe de bairro, nem se atrasaram assim muito, dividimos as pessoas em duas equipas e começamos a proclamar em alta voz a ressurreição de Jesus. Eu fiquei no grupo da noviça das irmãs concepcionistas, a Ângela, e fizemos uma grande dupla, eu, com o altifalante ia gritando, com todas as minhas forças, pelas ruas e ao entrar nas casas, “Jesus Kristu moris ona aleluia” (Jesus Cristo ressuscitou aleluia) e ela, com a sua linda voz, cantava cânticos de ressurreição. Foi o grupo mais animado que eu vi naquele domingo. A cada casa que entravamos o grupo ia entrando cada vez mais no espírito da visita pascal, toda a gente, pelo menos os católicos, abriam as portas das suas casas para beijar a cruz e receber a sua bênção. Até os protestantes que se encontravam dentro da sua Igreja vieram à rua ver o que se passava e, claro, aproveitei para lhes dizer “Jesus Kristu moris ona, Aleluia” O nosso compasso acabou às 9:30h e a missa só começava às 10h. Tudo estava a correr como planeado, pelo menos pelo meu grupo, mas faltava ainda o grupo da Irmã Rose. Ela ficou com a zona do bairro mais dispersa e mais longa também, era de se prever o atraso. Chegaram ao ponto de encontro por volta das 10h e apesar de atrasados não negaram o lanche que já estava preparado. Das cruzes dos outros bairros chegavam notícias. Os bairros 3 e 4 já tinham chegado, o bairro 2 também estava atrasado e dos bairros 5 e 6 não havia sinal. Saímos rumo à Igreja já passava das 10:30h. Estávamos descontraídos, porque sabíamos que a missa não começava sem que todas as cruzes estivessem presentes. Pelo caminho cruzamo-nos com o grupo do bairro 2 e juntos encaminhamo-nos para a Igreja. Quando chegamos lá vimos o desespero das pessoas pelo já longo tempo que esperavam, principalmente o bairro 4 que ficava mesmo em frente da Igreja. Com a nossa chegada ficariam apenas a faltar dois bairros, o 5 e o 6. Entretanto um carro, a toda a velocidade (10km/h) entra pelo local onde se situa a Igreja, um rapaz com batina branca e uma cruz na mão salta do carro e corre com toda a ferocidade para dentro da Igreja para depois, passados 1min, sair desanimado. O rapaz, morador do bairro 5, pensava que estava atrasado para a celebração… Faltava o bairro 6. Os telemóveis começam a tocar, é preciso entrar em contacto com alguém de lá para saber o que se passa, qual o motivo de tal atraso… Afinal já estavam a caminho e não demoram muito a chegar, também de carro. Estavam cansados, desesperados e a darem graças a Deus por isto só se fazer uma vez por ano… Já passavam das 11:30h quando a missa começou com todos já mais calmos e animados. O almoço nesse dia foi em casa das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, para grande satisfação minha, porque era quase 13h e ainda nem tinha descongelado a carne que se usaria caso almoçássemos em casa… Pode-se dizer que até tive uma Páscoa bem animada! Desculpem o texto longo e a falta de fotos, o fotógrafo que as tirou voltou para Portugal sem me dar uma cópia delas… Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração!

Autoria e outros dados (tags, etc)

por missao em timor às 02:43

Quarta-feira, 23.01.13

Benvindo 2013

Olá amiguinhos! Depois da noite de Natal mais pura que vivi, onde o centro da celebração foi o nascimento de Jesus e o convívio familiar, veio o dia de Natal, o dia 25. O acordar foi, como todos os dias, muito cedo, mas desta vez, ao contrário do que eu esperava, não foi dos melhores acordares. Acordei com muita azia, resultado de misturar café, coca-cola e vinho numa só refeição… :D Tomei um simples chá ao pequeno-almoço e fui para a missa. Enquanto se ultimavam os preparativos fui convidado para levar o Menino Jesus na procissão de entrada e ficar de pé com o Menino erguido até ao final das leituras. Com apenas um chá no estômago e o calor que se faia sentir, sabia que ia ser difícil cumprir a missão, mas mesmo assim aceitei. A missa era ao ar livre, como em todas as grandes celebrações, e o sol batia directamente em mim como se me quisesse destacar de todos os que me rodeavam. Eu, de pé, em frente do altar, de braços erguidos ao alto suava rios de suor sem fim, não havia poro que não largasse água, os que estavam na primeira fila até levantaram os pés do chão para não os molhar tamanho era a quantidade de água que me escorria e ainda só tinham passado 5min de missa… estava longe de terminar a minha missão… Uns minutos depois o padre colocou-se na minha frente de forma a poder incensar o menino e vendo a minha figura (parecia as cascatas de Niágara), disse-me aquilo que eu estava ansioso por ouvir “podes pousar o Menino e voltar para o teu lugar”… Foi um alívio total para mim. :D Visto que o Pedro e o Camilo tinham viagem marcada para regressarem a Portugal no dia seguinte, a tarde do dia 25 foi passada, uma vez mais, viciados no jogo PES13… Apesar de eu continuar invencível, a tarde foi muito divertida e animada. Chegou o dia das despedidas, dia 26. Eu, o frei Fernando, o frei Nicolau, o Pedro, o Camilo e a Ana dirigimo-nos bem cedo para Tíbar. A viagem foi tranquila. Os primeiros a ficarem pelo caminho foram o Pedro e o Camilo. Ficaram em Dili, num Hostel de onde, mais tarde, partiriam para o aeroporto rumo a Portugal. Foi bom tê-los por cá, com eles a animação foi constante e o trabalho deles na missão foi muito importante e precioso. Obrigado rapazes! No dia 27 era o dia da Ana partir, tal como os freis Nicolau, Jesuíno e Manuel que iriam passar 4dias a casa. A grande dúvida da Ana era se a concha grande que tinha na mala iria passar no check in ou não. Mandaram-na parar, pediram para trazer de volta a mala e perguntaram-lhe se ela não tinha nada fora do comum na mala tipo uma concha. Ela abriu a mala, tirou a concha e, quando se preparava para a entregar ao segurança ele pergunta-lhe “A senhora é portuguesa?” “Sim, sou de Lisboa” “Ah! Então pode levar a concha, vou fazer de conta que não a vi”. O sorriso na cara dela disparou, finalmente ser portuguesa tinha as suas vantagens… :D Depois de 4 dias sozinho em casa com o frei António, os 3 rapazes regressaram das suas mini férias a fim de, todos juntos, celebrarmos a passagem de ano. Perguntei-lhes o que eles faziam de especial e eles disseram que não faziam nada de especial. Disse-lhes que este ano iriamos fazer algo diferente. Como já era dia 31 não deu para comprar nada para a grande noite, mas haveríamos de arranjar algo para nos entretermos. À medida que as horas passavam eu desanimava cada vez mais, porque não tinha ideias de como animar a noite de 31 (pegar na viola e cantar uns cânticos estava fora de questão, porque não podíamos fazer barulho). Por volta das 22h fomos para a missa, muita gente na celebração, mais que o normal, e no final a grande surpresa. Terminada a missa começo a ouvir “Pum, pum, pum, trum, pum, pum” era a loucura, o povo, em frente da igreja, deitava foguetes, fogo-de-artifício e umas bombinhas que rebentavam no chão. O povo todo animado, toda a gente entusiasmada a ver o espetáculo, mesmo que a segurança não fosse a mais indicada (uma das bombinhas, ao rebentar, quase batia num dos rapazes). Podia não fazer mais nada até à meia-noite (também deviam faltar cerca de 30min), mas aquele momento já valia para me animar a noite. Chegados a casa ligamos a tv e ficamos a ver a final da casa dos segredos, a voz da Júlia Pinheiro é tão suave quando o som da tv está desligado… Tou a brincar, o que ficamos a ver foi o especial fim de ano da TVTL transmitido directamente a partir do palácio do governo, com vários concertos e a participação especial do Primeiro-ministro timorense Xanana Gusmão (já estive pessoalmente com ele, é muito simpático e brincalhão). Chegadas as 23:59:50h começou a contagem decrescente e pum, pum, pum, trum, pum, pum novo fogo-de-artifício rebentou e a tv transmitiu tudo… O fogo era bonito, mas só vi metade, porque entretanto a minha mãe ligou-me a desejar boas entradas… Só atendi porque era a minha mãe, se fosse outra pessoa não sei se atendia… interromper alguém enquanto está a desfrutar dos seus primeiros minutos de 2013 sentadinho no sofá para perguntar como é viver no novo ano?! Não tenho culpa que sejam atrasados e gostem de viver no passado… brincadeirinha, claro. Eu estava tão ansioso para receber aquela chamada que passei os últimos segundos de 2012 a olhar para o telemóvel. :D As duas semanas seguintes têm sido vividas na expectativa do novo ano escolar que começa agora em Janeiro, dia 14… Só espero que não se lembrem de dar as aulas em tétum ou de me fornecerem sebentas em indonésio, senão estou bem tramado… :D Têm visto a série Supernatural? E a série Walking dead? E o filme Paranormal activity? Pois é, vocês podem não acreditar, mas coisas estranhas têm acontecido nesta casa desde que ela foi construída… Tudo começou quando estava a ver tv e, depois de tocar o sino para chamar os frades para a oração, ela se desligou sem ninguém ter carregado em nenhum botão, apagou-se completamente, eu era o único na sala… Ainda pensei que a tomada se estivesse estragado, mas quando a oração terminou ela voltou a acender, também sem ninguém tocar em nenhum botão, visto que a pessoa mais próxima da sala da tv era eu e ainda me encontrava no corredor… Foi então que me começaram a contar tudo. Ao que parece, esta casa foi construída por cima de um dos locais onde foram enterradas pessoas vítimas do massacre de Santa Cruz, um massacre grande provocado pelos indonésios… E esta não foi a única manifestação, uma vez estava um frade a ver tv quando ouve, no lado de fora, água a correr duma torneira que temos lá para regar o jardim. Chegado lá deixa de ouvir o barulho de água a correr e repara que a torneira está fechada. Volta para dentro e ouve novamente o mesmo barulho, volta lá e não encontrou nada… Outra vez, um frade tinha plantado couves na horta. De manhã cedo, um dos formandos foi abrir a porta e reparou que estava alguém a regar as couves, pensando que seria o frade que as plantou (na verdade esse frade ainda estava a dormir) dirigiu-se ao local e, chagado lá não vê ninguém, nem a mangueira que essa suposta pessoa estaria a usar para regar as couves… Outra vez, a meio da noite um dos formandos estava a dormir (esta foi contada na primeira pessoa) e, acordando de repente, vê uma pessoa vestida com um pano branco a dançar algo típico asiático. Assustado e com a respiração ofegante acabou por acordar os companheiros da camarata e, mal eles acordaram, a pessoa que estava a dançar puff desapareceu e sou eu agora que durmo nesse quarto, sozinho… O portão grande da rua supostamente é para ser fechado antes do jantar, mas eu esqueci-me e só o fui fechar depois do jantar. Para surpresa minha encontrei-o fechado e supus que tivesse sido o frei António a fechá-lo. Para meu espanto, no dia seguinte de manhã, quando chego lá para o abrir encontro-o já aberto, sendo que fui o primeiro a acordar, ninguém o poderia ter feito antes. Qual a minha surpresa quando reparo que todas as portas que dão acesso a casa (ou pelo menos as que usamos com frequência) também se encontravam abertas, quando antes tinha a certeza que tinham sido fechadas… Se são coisas da mente ou se é verdade eu não sei, o que sei é que cada vez mais estou a gostar de viver nesta casa e tenho a certeza que numa casa onde Deus também reside, presente no sacrário e no coração de cada frade, nada de mal nos pode acontecer… Quanto ao caso da tv foi mais tarde explicado o fenómeno. O superior tem no seu quarto um interruptor que permite desligar a tomada da tv e ele fá-lo sempre antes de cada oração, voltando a liga-lo quando a oração acaba. Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração. PS: A minha net está muito, muito, muito lenta e não abre muito bem as páginas, por isso vai ser impossível postar fotos... esperemos que melhore... beijos!

Autoria e outros dados (tags, etc)

por missao em timor às 12:44

Domingo, 06.01.13

A grande noite de Natal.

Olá amiguinhos! Continuando a minha aventura, depois de ter passado uma semana às voltas em Dili consegui regressar a Laleia. A minha grande preocupação era o presépio que tinha começado a construir. Como ele estaria? Será que ainda estava de pé? Durante a viagem ninguém me respondeu directamente à pergunta, só me faziam cara feia quando perguntava se ainda estava de pé… Fiquei chocado quando cheguei em frente da minha construção. Ainda estava de pé, mas as folhas de palmeira que cobriam o exterior estavam horrivelmente secas e as folhas de papaieira que cobriam o chão estavam mais enrugadas que a pele de um idoso de 90anos, nem os pilings da Lili Caneças chegariam para esticar uma única folha… Fiquei desanimado e com vontade de destruir tudo, mas como já tinha as imagens quase todas desenhadas decidi não desistir e pensar noutra forma de dar vida ao presépio… No dia 15 de Dezembro começaram os preparativos para a celebração da tomada de posse do novo pároco da Paróquia de Laleia, o frei Hermano Filipe. A festa seria em grande, com missa campal e um convidado ilustre, o Bispo de Baucau D. Basílio Nascimento. Era quase toda a paróquia a trabalhar, uns ensaiavam os cânticos, outros preparavam os enfeites do altar, outros ensinavam os acólitos e nós (os pós-noviços) limpávamos a casa de alto a baixo, não podia haver uma nesga de pó, tinha que estar tudo branquinho :D De noite ainda ajudamos a preparar as mesas e as cadeiras para o almoço. O trabalho foi tanto que houve quem saísse de lá já depois da meia-noite… O dia seguinte foi em grande, a missa estava marcada para as 10h e o Bispo, como homem muito pontual que é, chegou às 10:20h… Grande solenidade na missa, inicialmente presidida pelo frei Fernando (antigo pároco) e, depois da tomada de posse, presidida pelo frei Hermano. O local estava cheio, toda a população queria estar presente para receber o novo pároco de braços abertos. Ao contrário do que se esperava, a missa nem foi assim muito longa… :D O tão esperado almoço chegou (estávamos mesmo cheios de fome) e digo-vos uma coisa, o povo timorense pode ser um povo com apenas 10anos de independência, mas não há ninguém melhor que eles a organizarem festas e a receberam convidados, se montassem uma empresa de Catering seriam a melhor empresa do mundo, a sério. Duas mesas repletas de comida e bebidas, uma mesa lateral com sobremesas e uma mesa central com champagne e um grande bolo a desejar as boas-vindas ao novo pároco. No final da refeição, os vários grupos constituintes da paróquia (Os carismáticos, os catequistas, a catequese, os grupos corais, etc…) foram um a um despedir-se do antigo pároco e dar as boas-vindas ao novo, entregando-lhes uma prenda simbólica, um Tais que é um pano característico da terra… Os grupos eram tantos e as predas também que a certa altura já não se viam as cabeças dos freis Fernando e Hermano… :D No final o Bispo autorizou que, durante a noite, se dançasse o Tebe dai, a dança típica dos timorenses (Ver post “Ita ba dança?”), mas infelizmente a companhia electrica de Timor-Leste não foi da mesma opinião e cortou a luz nessa noite… :( Felizmente que no domingo a seguir a luz não falhou e assim eu, o Pedro e o Camilo pudemos ficar a tarde toda a viciar-nos no computador a jogar PES13… coisa de homens… :D A semana seguinte já foi bem mais calma e com o pensamento no último domingo antes do Natal e, claro, no respectivo Natal. Eu pessoalmente só pensava o que iria fazer para que o presépio ficasse bonito… Decidi retirar todas as folhas que tinham murchado, retirar também alguns paus que estavam a mais, de forma a torna-lo mais simples, e, apesar de ser só a única imagem que estava completa nessa altura, coloquei lá Nossa Senhora e uma lâmpada, para que ela não ficasse às escuras durante a noite… :D Nessa semana a luz falhou constantemente, o que me dificultou o trabalho, pois precisava dela para desenhar as imagens que faltavam. A meio da semana decidimos, juntamente com alguns missionários do LCM, ir buscar relva para colocar no chão. Foi uma lufada de ar fresco, finalmente o presépio começava a ganhar vida e cor, mas ainda faltavam terminar duas imagens e já íamos no dia 21… Entretanto S. José ficou concluído e juntou-se a Maria na sua nova casa, mas faltava o menino… Tinha que estar pronto no dia 23, pois sabia que dia 24 não iria ter tempo para nada… o tempo apertava, a luz tardava em aparecer e eu sem poder desenhar… Finalmente a companhia electrica deu-me tréguas e consegui terminar o desenho do Menino Jesus já no final de tarde do dia 23, mas ficou aquém do que esperava e isso refletiu-se na cara do pessoal a quem eu o mostrava… Não tinha tempo para fazer outro, teria mesmo de ser aquele não havia volta a dar… e assim foi, com a magia dos lápis-de-cor consegui fazer com que o menino ficasse mais agradável de se ver, valeu a pena o esforço… :D Chegou a véspera de Natal e a calma reinava na casa, nem parecia que nessa noite iria nascer o Menino Jesus. A manhã foi passada nas limpezas, tudo tinha que estar a brilhar, não podia falhar nada. Durante a tarde foi a azáfama total para preparar a minha comida favorita bacalhau (para quem não conhece o meus gostos estou a ser irónico). Fartos de comer bacalhau cozido (eu não porque nunca comi, graças a Deus) decidiram fazer bacalhau assado com batatas assadas… Realmente o jantar contou com o bacalhau assado (para mim foi frango frito, isto sim eu gosto), já com as batatas assadas pelo Pedro… O jantar começou e as batatas ainda iam no forno, o Pedro bem se justificava “Está quase, mais um bocadinho” e o jantar lá se desenrolava com muita harmonia, risos e muita alegria, as batatas é que nunca mais apareciam. Volta e meia o Pedro lá ia à cozinha ver as batatas e, enquanto o pessoal esperava o regresso dele cheio de expectativa, lá trazia ele nas mãos uma desilusão vazia… as batatas ainda continuavam no forno… e nós continuávamos a comer… e assim foi até que terminou o jantar sem as tão aguardadas batatas assadas do Pedro… Acabamos por comê-las no almoço do dia seguinte, mas ao menos vinham quentinhas e saborosas… :D às 22h tivemos a missa do galo e no final uma petiscada e convívio com os paroquianos que ao longo do ano foram contribuindo para o desenvolvimento e desenrolar da Paróquia de Nossa Senhora de Laleia. Como o texto já vai muito longo, vou deixar as próximas semanas para o próximo post. PS: Se não viram ou não conhecem a série de televisão americana Supernatural então é melhor começarem a ver, têm acontecido coisas estranhas nesta casa… Paz e bem amiguinhos! Estamos juntos na oração e no coração!

Autoria e outros dados (tags, etc)

por missao em timor às 13:42

Segunda-feira, 26.11.12

Mais um para se juntar à "festa"...

Esta semana tem sido muito agitada e cheia de festas. Tal como referi no último post, a semana começou com uma ida à praia, mas não se ficou por aí, o tão esperado regresso do frei Hermano Filipe e os aniversários do irmão Rafael e do frei Nicolau também marcaram esta semana, mas deste último falarei depois... Chegou a quinta-feira, estávamos todos ansiosos. O frei Fernando e a irmã Joana fizeram-se cedo à estrada em direcção a Dilli. A hora prevista da chegada do frei Hermano Filipe era às 14:15h… Cá em casa começamos a preparar tudo, era festa dupla, a recepção do frei Hermano e o aniversário do irmão Rafael. Como é tradição por cá, na missa, antes da oração final, os aniversariantes costumam dirigir-se para a frente do altar para que a assembleia lhe cante os parabéns e receba a bênção do sacerdote. O irmão Rafael não quebrou a tradição e lá subiu para a frente do altar… É um grande acto de louvor a Deus, se foi ele quem nos deu a vida, então no dia do nosso aniversário devemos festejar o dom da vida começando por agradecer a Deus ter-nos concedido tão maravilhoso dom… :D O dia foi passado nas limpezas, a casa tinha que estar a brilhar, incluindo o quarto do frei Hermano, claro… :D Com um pouco de esforço e colaboração de todos, o objectivo foi alcançado. Uma fraternidade consegue sempre o que quer quando os membros se interajudam como verdadeiros irmãos que são… :D Começa a chegar a hora prevista da chegada do frei Hermano e a ansiedade começa a sentir-se… Lá fora a rua está escura, já passam das 19h da noite… a cada luz que vemos na estrada desperta em nós a esperança de que sejam eles… A ansiedade foi rapidamente acalmada, não falharam muito em relação à hora prevista de chegada… grande alegria e animação na recepção do frei Hermano… Eu reencontrava um companheiro de missão, o frei Fernando reencontrava um companheiro no árduo trabalho pastoral, os três frades timorenses reencontravam aquele que os formaram durante o postulantado e mais importante que tudo, todos nós reencontrávamos um irmão… :D A mesa estava farta, com frango no churrasco, carne de búfalo e frango estufado (feitos por mim) e claro, massa e arroz, muito arroz… Era uma dupla festa que celebrávamos, tínhamos que marcar a diferença. E como todas as festas em Timor, também tínhamos um mestre-de-cerimónias, que eles cá chamam de protocolo. Tudo bem organizado e dividido por pontos, ninguém toma nenhuma iniciativa a não ser as propostas pelo MC… Os pontos são: 1 – Oração inicial de agradecimento e bênção pelos alimentos que vamos tomar 2 – Início da refeição 3 – Levantar os pratos 4 – Sobremesa (neste dia foi gelado, coisa rara) 5- Discurso (O MC decide quem faz o discurso e o tempo máximo de duração) 6 – Cantar os parabéns 7 – Cortar o bolo 8 – Acção de graças a Deus por tudo de bom que nos dá e despedida. Não falha um ponto… Para o discurso foram convidados a falar o irmão Rafael, que agradeceu a amabilidade em lhe terem preparado tão grande festa e terminou dizendo que não há melhor maneira de se celebrar o aniversário senão junto da sua família que neste momento é a família missionária. O frei Fernando foi o segundo convidado a discursar e realçou o trabalho inicial do irmão Rafael desejando-lhe uma boa continuação na sua missão. Por fim falou a irmã Joana realçando a importância que o irmão Rafael tem para os Leigos Capuchinhos em Missão e para o povo timorense. A animação foi constante e se não fosso pelo facto de no dia seguinte termos todos de acordar cedo, o frei Hermano querer descansar da longa viagem de 3 dias de avião e os LCM terem de preparar o trabalho do dia seguinte, a festa prolongar-se-ia noite dentro… É tão bom confraternizar em família, o tempo passa a voar, uma hora parecem apenas 5min… :D Sem esquecer a minha família de sangue que me educou, formou e me tornou o homem que sou hoje, estou feliz por pertencer à família franciscana… Não fui eu que os escolhi, foi Deus quem me deu estes irmãos e eu só tenho a agradecer a Deus tão maravilhosos dons… :D Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por missao em timor às 11:27

Segunda-feira, 08.10.12

"A força armada timorense"

Não a verdadeira força militar timorense, mas uma representação...
Com direito a voz de comando e tudo... "direita, volver" {#emotions_dlg.happy} 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por missao em timor às 03:44


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Janeiro 2016

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31

Contador de visitas




Posts mais comentados



Links

Blogs sobre missões

Frades Menores Capuchinhos


Facebook