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Missão em Timor

Durante 3 anos estarei a fazer uma missão em Timor, pela Ordem dos frades menores capuchinhos, e neste blog tenciono contar todas as minhas aventuras e a percepção que vou tendo dos acontecimentos, tudo de uma forma peculiar que só eu sei viver :D



Quinta-feira, 28.02.13

1,2,3 e força maestro...

Olá amiguinhos! Este mês tem sido cheio de visitas, ora são irmãs que decidem aparecer por cá, ou são amigas voluntárias que vêm cá matar saudades, tivemos também a visita do Provincial… muita gente… E agora tivemos outra visita muito importante, o nosso Concelheiro Geral para as províncias franciscanas capuchinhas na Ásia. Traduzindo por miúdos, é o delegado do Ministro Geral (O manda-chuva dos Franciscanos Capuchinhos) que tem como função transmitir-nos as mensagens que o Ministro Geral tem para nós e de lhe fazer chegar as nossas mensagens. O Definidor Geral chama-se César Aquino e é filipino.

A parte da logística estava toda preparada, mas faltava um pormenor muito importante, saber que línguas ele falava. Começamos a raciocinar e lembramo-nos que as filipinas foram uma colónia espanhola no tempo do reinado de D. Filipe (daí o nome da ilha), logo o espanhol seria uma das línguas que ele falaria, o que já era uma grande vantagem… Mas foi nesse mesmo instante que o frei Isidoros nos lembrou que muito provavelmente a única língua falada pelo Conselheiro Geral seria mesmo o inglês e que o espanhol já não faz parte da cultura linguística das Ilhas Filipinas… Resumindo: Só eu e o frei Isidoros é que poderíamos comunicar com ele… {#emotions_dlg.sidemouth}

A chegada do frei César Aquino estava prevista para dia 16 de Fevereiro. Estávamos todos a postos. Os freis Isidoros, António Martins e Fernando foram busca-lo ao aeroporto, enquanto na casa eu e os freis António Pojeira, Nicolau, Agostinho, Gesuíno e Manuel ficamos a preparar a sua chegada. Ela estava prevista para as 14:30h. A mesa estava posta com umas bolachas simples e outras com recheio, pacotes de chá, água quente, água fresca, sumo e café, um requinte. Estávamos todos a postos para o receber, o frei Nicolau segurava o Tais para lho entregar, o frei Gesuíno tinha consigo a viola e eu a máquina fotográfica (como sempre). Meia hora depois e nenhuma notícia do frei César. Lá fora chovia torrencialmente, na soalheira da casa tirava-se sortes para ver quem ia, com um guarda-chuva, acompanhar o frei César do carro até à casa (eu estava safo por ser o fotógrafo) e o cansaço da espera já se começava a sentir. Chegaram a passar um ou dois carros em frente à casa (o que é raro), mas não era o carro desejado… A ansiedade aumentava até que o frei António nos disse “Vamos para dentro fazer a nossa oração da tarde… O avião atrasou-se”… E lá fomos nós todos desanimados… {#emotions_dlg.cry} Acabamos a oração e nem sinais do frei César... De repente ouve-se um barulho de carro, vai tudo a correr para a entrada da casa, era o nosso carro, a expectativa era grande, a chuva já tinha parado. O carro entra para junto da porta de entrada da casa, as portas do carro abrem-se e começam a sair os primeiros frades. Primeiro saiu o frei António Martins, de seguida foi o frei Fernando e depois… Os nossos olhos colam-se ao carro, todos nos perguntávamos quando é que ele sairia, os segundos transformam-se em minutos… Até que, depois de tanta ansiedade, o carro avança em direcção à garagem, chegamos que o frei César iria entrar pela porta traseira por ser mais fácil transportar as malas até ao quarto onde se iria hospedar, mas não… ficamos todos desiludidos, a expectativa de ver o Conselheiro Geral era muita, mas não seria neste dia que o veríamos… Pelos visto o avião teve de ser desviado para a Indonésia devido às más condições climatéricas… 

No dia seguinte a mesma dose, o frei Isidóros andava em contacto com a companhia aérea para saber pormenores do voo. Não lhe garantiram horas, mas disseram que era de manhã… Como era domingo, fomos logo cedo para a missa… terminada a celebração os freis Isidóros e António Martins foram esperar o frei César ao Aeroporto, o frei Fernando foi celebrar fora enquanto os restantes ficamos em casa a preparar a chegada do Conselheiro. Desta vez aconteceu tudo como tínhamos planeado, no minuto seguinte à chegada do frei Fernando chegou, finalmente, o carro que trazia o frei César Aquino. A expectativa para saber como era ele era grande, o frei António Martins saiu do carro e logo de seguida, como uma estrela de Hollywood, saiu o Conselheiro Geral. Primeiro ficamos admirados por ver uma pessoa branca, um quanto forte e cara quadrada tipo o velhote do filme ‘Up – Altamente’.

Depois ficamos paralisados e com cara de parvos a olhar para o frei César como se esperássemos que algo acontecesse. Lembramo-nos que tínhamos uma música preparada para a recepção dele e começamos a cantar o ‘Bem-vindo, bem-vindo’ que depois teve de ser traduzido para inglês para que ele pudesse entender. A minha máquina fotográfica não parava de disparar, sempre a tirar fotos… sempre à procura da foto ideal (e ainda a procuro) e aproveitando uma desculpa para não cantar (não tenho propriamente uma voz de rouxinol). Deu-se a entrega do Tais e a devida apresentação individual, isto ainda de manhã, por volta das 12:30h.

Depois do almoço fez-se uma Tour pela casa, deu-se a conhecer o horário da fraternidade e programou-se o horário da sua visita, ou seja, quando ia falar com os frades, com quem ia falar, quando ia visitar os Bispos, basicamente o que iria fazer na semana que ia passar connosco.

Na segunda-feira o frei César foi visitar o Bispo de Maliana, o que durou o dia todo pois só a viagem de ida são 5h, e no dia seguinte começou o encontro com todos os frades. Foi um encontro comunitário. Quando se reuniu connosco (os pós-noviços) tive de fazer de tradutor, pois mais ninguém sabia falar inglês… O difícil não foi traduzir do inglês para o português, mas o contrário… Traduzir expressões tipicamente portuguesas para inglês não é assim tão fácil como pensava… Traduzo do inglês para o português, sem grandes dificuldades, a letra de uma música, um artigo, um livro, qualquer coisa, agora fazer o contrário… Mas lá me desenrasquei, e a meio da reunião já parecia um tradutor profissional, já saltava do português para o inglês, e vice-versa, como se apenas de uma língua se tratasse… foi pena a reunião só ter durado duas horas, estava a gostar da experiência… {#emotions_dlg.blink}

Mas nesta semana as experiências não se ficaram só pela cultura linguística. Era a minha semana de trabalho pastoral, ou seja, orientar o grupo coral e apoiar na reunião com os jovens. Sim, tive que orientar o grupo coral… quem me conhece deve estar neste momento a rir que nem um perdido, a meter as mãos à cabeça e a dizer “coitado dos miúdos do coro”… O ensaio foi o frei Fernando que o fez, não só porque eu não conhecia bem os cânticos (a maioria era em tétum), mas também porque não tenho lá muito jeito para o ensaio, dei um apoio com a minha linda viola azul

Chegou a missa de Domingo (no mesmo dia em que o Conselheiro chegaria a Timor), depois de distribuir as folhas com os cânticos pelo grupo coral e pela assembleia, coloquei-me de fronte para o coro, com a minha viola na mão. O padre, juntamente com os acólitos, estavam no fundo da igreja prontos para começar a procissão de entrada, o suor escorria pela minha cara, não só por estar calor, mas também pelo nervosismo da minha estreia como regente de um coro, marco o tom do cântico de entrada com a minha viola, dou o primeiro acorde, os outros guitarristas fazem o solo introdutório, levanto a mão direita a fim de marcar os tempos da música, conto até 3, baixo a mão e toda a gente, em uníssono e afinado (menos mal), começaram a cantar… um suspiro de alivio deslizou pelo meu corpo, o pior já tinha passado, a partir daí era só deixar a confiança fluir e acreditar que tudo ia correr bem… tirando um ou dois cânticos que não começaram da melhor forma (eram cânticos novos e o grupo coral não tinha estado todo no ensaio) o resultado final foi positivo… O objectivo final foi atingido, animar a eucaristia e, com o cântico, ajudar os participantes a interiorizar o espírito da celebração. Uma experiência muito boa que irei repetir dentro de duas semanas… {#emotions_dlg.happy}

(O grupo coral no ensaio. A foto tem pouca qualidade porque foi tirada com o tlm)

 

Amiguinhos, mais uma vez, não consegui contar tudo o que queria… Continuarei no próximo post. {#emotions_dlg.happy}

 

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 23:11

Quinta-feira, 21.02.13

Fotos de Timor

Igreja Nossa Senhora de Laleia, onde residi os meus primeiros 3 meses...

 

Tebedai, a dança típica de Timor. Quando cá cheguei todas as noites, em frente da igreja, dançavam durante horas. Escusado será dizer que não falhei uma noite... {#emotions_dlg.blink}

 

A rua de Laleia que passa em frente da igreja, não é a artéria principal, mas representa bem a mioria das ruas deste país...

Os caraus (búfalo em Tetum), são uma constante nas estradas de Timor... pacíficos, não se metem com ninguém... só pensam em estar deitados à sombra e comer (quando há erva para comer) {#emotions_dlg.happy}

 O Toké... o bicho mais famosos de Timor e o mais barulhento também {#emotions_dlg.happy}

Quando comecei a visita às aldeias que se situam no meio das montanhas, esta foi a primeira montanha que escalei... quase até ao pico e ainda não tinha uma semana em Timor :D

Estava ainda nas minhas primeiras semanas por Timor (provavelmente na segunda semana) quando se deu a peregrinação a Nossa Senhor de Aitara. Aqui foi o começo da longa, cansativa, mas divertida viagem...

 A montar as tendas. Ficamos 3 dias e duas noites acampados...

 

 O restaurante para quem não trouxe comida de casa e para o convívio. Passei lá bons momentos {#emotions_dlg.happy}

 A minha tenda, pois está claro... {#emotions_dlg.happy}

 Santuário de Nossa Senhora de Aitara

 

 

 Procissão de Nossa Senhora de Aitara...

  

 Por hoje ficam estas, assim que puder publicar mais o farei... {#emotions_dlg.happy}

As fotos têm pouca qualidade, porque ando a fotografar com a qualidade mínima da máquina para poder depois carregá-las para a net, senão não consigo...

 

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 03:08

Quarta-feira, 20.02.13

"Onde fica tal sitio?" "Hum... deve ser em frente"...

Olá amiguinhos! Quero vos agradecer pelas vossas orações pela minha mana e dizer em alta voz (ou escrever em letras maiúsculas) “EU SOU TIO PELA SEGUNDA VEZ”… É verdade, nasceu no dia 16 por volta das 18h, quer dizer para mim foi mais às 3h da manhã do dia 17, mas pronto… :D Por volta das 23:30h (hora Timor) recebi a primeira mensagem a dizer que as águas tinham rebentado e que a minha mana já estava no hospital e às 3h (+/-) confirmaram-me que a minha mana tinha tido um rapagão de 47centrímetros e 3,1Kg, é grande e gordo… Mas pelos vistos a minha mana não sofreu muito {#emotions_dlg.happy}

Com a chegada do Provincial e do frei Agostinho iniciou-se a visita pastoral. É uma visita anual que o Padre Provincial faz a todas as fraternidades para saber como os irmãos estão a viver a sua fé, para dar alguns conselhos e para fortalecer espiritualmente a fé dos irmãos. Todos os frades tiveram uma reunião em particular com o Provincial e depois realizou-se uma em conjunto para limar algumas arestas… O término da visita deu-se com a missa de encerramento, o almoço festivo (que não foi assim tão festivo por ter sido na quarta-feira de cinzas) e a foto da praxe.

 

 

A casa teve umas pequenas obras esta semana, era preciso completar a parede exterior dos arrumos, porque não chegava totalmente ao telhado deixando assim um espaço para que todo o tipo de bicharada entrasse… Pusemo-nos todos a trabalhar, uns a remover tudo o que estava dentro da sala de arrumos (eu e o frei Manuel), outros, do lado de fora, colocavam tábuas para que o cimento novo não caísse, outros a fazer cimento e um a cimentar a parede… uma manhã passada nisto. Foi divertido, gozávamos com tudo e mais alguma coisa, mandávamos piadas e ainda ouvíamos boa música… no final ficamos foi todos sujos, mas felizmente que a água limpa tudo… {#emotions_dlg.clown}

 

Chegou o domingo, um dia em que a tarde é livre. Um domingo por mês é usado para um passeio em fraternidade. Um escolhe o destino e a actividade dessa tarde e todos os outros frades seguimos o programa… mas disso falar-vos-ei na próxima página do blog, agora quero falar-vos da minha primeira ida às compras… Levaram-me a um mercado, tipo uma feira, a fim de comprar uma camisa e umas calças… Comecei pelas calças, primeiro que encontrasse o meu número… era tudo pequeno, não só na cintura como na altura (e ainda dizem que sou magro)… Apesar de não encontrar as calças que queria acabei por comprar uma camisa muito fixe… {#emotions_dlg.style} Depois destas comprar, como tinha tempo, fui passear para o Shopping Timor Plaza (sim, há um Shopping por cá)

 

(Não se iludam com a publicidade, a maioria é repetida)

 

É agradável, não tem assim muitas lojas, mas vi umas com peças de artesanato muito bonitas e baratas… Acabei por comprar uma prenda para o Rodrigo… Agora já sabem, se quiserem alguma recordação de cá é só pedir… se der eu levo para Portugal {#emotions_dlg.blink}

Pedir direcções aqui em Timor é uma desgraça… nunca dizem que não sabem e depois apontam o dedo em qualquer direcção e mandam-nos para lá… Precisava de ir à Policia Nacional Departamento de Migração e os pontos de referência que tinha eram a Igreja Catedral e a sede da ONU. E lá ia eu perguntando onde ficava o Departamento de Migração ou a sede da ONU e as únicas indicações que recebia eram “é em frente” ou “isso fica em Colmera” (que é como dizer que fica na Baixa do Porto ou no Chiado)… E lá andava eu desesperado à procura de encontrar o tal Departamento… Andei quilómetros, o sol batia forte, o meu corpo já desidratava e não havia nenhuma loja de bebidas nem nenhum vendedor ambulante, o desespero começava a tomar conta de mim até que um senhor, que até falava bem o português, me deu indicações completas, o problema foi ter usado a sede da ONU como ponto de referência. Como a ONU já não está em Timor, todas as placas de referência à sede foram removidas e lá voltei eu a andar às voltas e voltas… até que, já desesperado, depois de mais de uma hora a correr sempre as mesmas ruas e prestes a desistir, lá me apareceu um estudante que conhecia bem o local (morava lá perto) e teve a bondade de me levar até lá, mas de táxi, não a pé… Quando disse ao motorista onde queria ir ele imediatamente confirmou que sabia exactamente onde era… e realmente sabia… Paguei a deslocação, claro, agradeci e entrei no Departamento para tratar dos assuntos. E se, aparentemente, a história começava a ter um final feliz, a desgraça ainda estava na fase de aquecimento, o pior ainda estava para vir… No pátio do Departamento, ao desviar-me de uma poça de água fui pisar em cheio outra, que me deixou o pé completamente encharcado e enlameado; Quando entrei dentro das instalações, apresentei o documento que me levou até lá e logo o policia me disse “Esse assunto só é resolvido da parte da tarde, de manhã não resolvemos isso”… e lá tive eu que voltar para o instituto de filosofia-teologia completamente desanimado e com um pé encharcado… o que me safou foi que da Catedral até ao instituto já tinha carro, algo positivo no meio de tanta desgraça… {#emotions_dlg.blushed}

Tenho ainda muitas histórias para vos contar e tenho mesmo pena de não ter tempo para vos escrever com maior regularidade, mas aos poucos vou escrevendo tudo. Espero que se estejam a divertir com o blog, o próximo (talvez ainda esta semana) será só com fotografias e um pequeno comentário a elas. {#emotions_dlg.happy}

Paz e bem amiguinhos. Estaremos juntos na oração e no coração {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 00:24

Quarta-feira, 13.02.13

Mais um para se juntar à festa...

Ola amiguinhos! No último post falei-vos da forma como certas pessoas vivem aqui (felizmente não todas e felizmente que existe uma evolução para melhorar o estado de vida da população, por mais lento que possa ser). Hoje vou falar-vos das condições de estudo das crianças por cá. As propinas (pelo menos a primária) são baratas, 1$ por mês no ensino público e 5$ por mês no ensino privado, mas esta é a única benesse que os estudantes têm. Para quem mora longe de uma escola (e não são poucos) têm de pagar também o transporte público, ou seja, cerca de 0.50$ por viagem, num total de 1$ por dia que multiplicado por 24 dias (+/- um mês de aulas) perfaz um total de 25$ só por mês, para quem estuda no ensino público, e 29$ por mês para quem estuda numa privada. No público, com propinas tão baixas não há como pagar uma cantina, logo, ou as crianças levam comida de casa, ou compram fora, ou simplesmente ficam o dia todo sem comer, sendo que esta última costuma ser a mais comum… Em relação ao privado já desconheço o funcionamento interno. Se as instalações do privado são aceitáveis, já no público varia de escola para escola. O caso mais dramático que assisti foi uma escola sem teto, as paredes todas esburacadas, e com enormes buracos, e sem cadeiras para as crianças e o professor se sentarem (sentavam-se directamente na gravilha). A única coisa que a sala tinha era um quadro preto e giz… Escusado será dizer que nos dias de chuva não há aulas nessa escola e em tantas outras espalhadas pelo país. Mas apesar de todas estas dificuldades, as crianças vão alegres para a escola, com vontade de aprender e assimilam a matéria com muita inteligência, uns verdadeiros heróis… {#emotions_dlg.happy}

Continuando com a minha história, desde o dia em que o frei Isidoros chegou até à 2ª semana de aulas que o nosso tempo tem sido passado a cortar a relva da grande quinta que temos e, está claro, do nosso grande campo de futebol relvado… Ah pois é, temos um estádio de futebol dentro de nossa casa, com relvado bem aparado (aparentemente) e comparável com os melhores relvados da europa, ou não… {#emotions_dlg.happy} Uma coisa é certa, neste estádio, quando há jogos, as bancadas nunca estão vazias… não temos bancadas… {#emotions_dlg.tongue} Todas as sextas-feiras jogamos futebol com as crianças que vão aparecendo por cá.

 

 A última semana de Janeiro foi passada na expectativa da chegada do Padre Provincial, o frei António Martins, e do meu companheiro timorense de Pós-Noviciado, no Porto, o frei Agostinho dos remédios (finalmente uma farmácia por cá). Todos estávamos expectantes com a vinda deles. Começamos os preparativos, com reuniões para ler o comunicado oficial da sua visita e para estudarmos como os haveríamos de instalar na casa durante a sua estadia. A reunião também serviu para preparar o dia do consagrado que se realizaria no dia 2 de Fevereiro, dia também previsto para a chegada do Provincial.

No dia 1 de Fevereiro começaram as actividades para celebrar o dia do consagrado, celebrado sempre no dia 2 de Fevereiro, dia que a Igreja celebra a apresentação do Menino Jesus ao Templo, uma tradição judaica que a Igreja também celebra por fazer parte da vida pública de Jesus (cf Lc 2,22-24). No dia 1, ao final da tarde, foi organizado, para todos os religiosos da diocese de Dili, uma vigília de oração com a exposição do Santíssimo Sacramento. Uma Igreja grande e cheia de gente, cerca de 800 frades e freiras presentes. A celebração iniciou-se com todos os religiosos no átrio da Igreja, com uma vela na mão acendida a partir do Círio Pascal. Com a vela acesa fomos entrando na igreja que, à porta, tinha uns jarros de água para lavarmos as mãos enquanto se cantava “Senhor quem entrará no santuário para te louvar”. Já lá dentro e ainda com as velas acesas rezamos alguns salmos e cânticos terminando a celebração com a adoração ao Santíssimo Sacramento. No dia seguinte foi o dia da grande enchente. Acorreram religiosos de todas as dioceses para ouvir as palavras santas do bispo D. Basílio Nascimento que nos falou, durante cerca de uma hora, sobre último sínodo dos Bispos. Não vou mencionar nada do que ele falou, porque foi em tétum, excepto aquela parte em que ele disse “agora vou falar em português” aí eu virei a cabeça na direcção e diz o Bispo virado para mim “Ah! Agora já estou a captar outras atenções”… Pudera, a conferência, para mim, foi quase “bla bla bla sínodo dos bispos, bla bla bla Bento XVI bla bla bla”. Ainda ia entendendo algumas palavras em tétum e uma frase ou outra, mas ainda assim… {#emotions_dlg.happy} Depois do encontro tivemos uma pequena pausa para um lanchezinho que deu para subir a minha autoestima (se é que já não está no topo) quando um frade veio ter comigo e me disse “Estão ali umas noviças a dizer que és demasiado giro para ser frade” e muito subtilmente respondo “Ainda bem que a Igreja tem gente gira, pode ser que ajude o Espírito Santo a trazer mais pessoas à missa” {#emotions_dlg.happy} Ainda durante este convívio reencontrei uma portuguesa que tinha conhecido na embaixada portuguesa quando fui lá tratar da renovação do meu visto. Uma prova que Deus actua em qualquer momento e usa todos os meios foi o desta minha amiga, veio a Timor fazer voluntariado com as irmãs dominicanas e agora é postulante, ou seja, gostou tanto da experiência e o contacto com as irmãs que decidiu entregar e consagrar a sua vida a Deus.

Depois deste pequeno convívio participamos na celebração da eucaristia, onde os superiores de todas as congregações foram chamados ao altar para assumirem o compromisso de reacender o carisma da sua ordem nos seus irmãos. O encontro terminou com uma grande almoçarada e alguns espetáculos produzidos pelos frades e freiras de alguns institutos. Ainda eu ia a meio do meu saboroso almoço quando me interromperam, porque já estava na hora de ir buscar o Provincial e o frei Agostinho. Chegados ao aeroporto pus-me logo à espreita para ver quando apareciam (para mim não é difícil, porque normalmente os timorenses dão-me pelos ombros). Ao fim de 30min de espera (que podia ter usado para acabar o almoço) consegui ver o Provincial, mas nada de Agostinho… Entrei para o ajudar com as malas e, vindo do nada, ouço um “Tinaaaaas”, viro-me para ver quem era e vejo, nada mais nada menos que, um gajo magro, de chapéu na cabeça e a mancar… era o Agostinho. Parece que tinha ido à faca uma semana antes de viajar, por causa de um problema no joelho… Voltamos todos para casa a fim de instalar a nova comitiva nos seus respectivos quartos e começou o blá blá habitual “Como foi a viajem? Como vai o Porto? Como está a minha família? Alguma novidade?”. Ao falar da viajem veio a parte caricata, como o frei Agostinho estava manco pediram, nos aeroportos onde passou, uma cadeira de rodas para ele se poder deslocar com maior facilidade. Como o rapaz é muito solidário aproveitava a onda da oferta e dizia sempre “Já agora uma também aqui para o meu amigo (O Padre Provincial frei António Martins) que também tem um problema na perna… e, segundo ele, lá andavam os dois de cadeira de rodas a ver quem andava mais depressa… {#emotions_dlg.happy} É bom ter por cá o frei Agostinho, é alguém que já conheço e que me vai ajudar ainda mais na integração neste maravilhoso país.

 

Bom amiguinhos, por hoje fico por aqui, no próximo há mais.

 

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 23:47

Quarta-feira, 06.02.13

Ensinar? Quem? Eu? Nah!!!! É melhor não...

Olá amiguinhos! Eu tenho-vos falado das maravilhas que é Timor e do paraíso que tem sido viver por cá, mas infelizmente nem tudo é um mar de rosas. Para mim até tem sido, mas olhando à minha volta, vendo a realidade deste povo deixa-me angustiado. Timor é um país com apenas 10anos de independência, está “habituado” a viver no meio da guerra, primeiro com o colonialismo português e depois com a invasão indonésia. Apesar do país ter petróleo, os benefícios não entram todos nos cofres do estado, são explorados por outros países/entidades… No meio disto tudo é o povo quem mais sofre. Apesar de já se começar a ver construções de casas em cimento, tijoleira no interior e telhados de zinco, a maioria das pessoas ainda têm casas de madeira, muitas delas com grandes buracos entre as tiras, cimento não trabalhado no chão, ou até mesmo terra, e telhados feitos com folhas de palmeira… A semelhança em todas as casas é a não existência de divisões no interior ou de portas, no máximo têm uma cortina…

Uma coisa que me chocou bastante foi quando fui levar o lixo à lixeira. Ao chegar lá deparei-me com meia dúzia de crianças que deliraram quando viram o carro a chegar. Ainda pensei que fosse por ser o carro do Sr. Padre, mas logo me apercebi que estava errado… O que lhes interessava mesmo eram as latas de sumo e conserva que iam ser depositadas no lixo. Muita gente, desde crianças a adultos, vão todos os dias para a lixeira na esperança de encontrarem algo que consigam vender para arranjar dinheiro e como se isto já não fosse chocante, custa ainda mais saber que tem dias que eles passam uma manhã inteira no meio da porcaria para conseguirem uns míseros 50centavos… Isto é que é ver a humanidade a bater no fundo, no mais baixo da sua dignidade… é chocante presenciar este cenário…

Voltando à minha aventura, chegou 2013 e duas semanas depois, dia 14 de Janeiro, iniciam-se as aulas. Confesso que estava ansioso, pela primeira vez vou ser o aluno estrangeiro… é quase como fazer um Erasmus… Tudo começou muito em cima do joelho, não sabia ao certo em que ano ia ficar, que disciplinas ia fazer nem quais as equivalências que ia ter… digamos que tudo começou não a meio, mas a um terço de gás… até porque 3 foi o nº de aulas que tive na 1ª semana… Estava pronto para o meu primeiro dia de aulas, mas o entusiasmo inicial rapidamente virou frustração, todos os dias percorro cerca de 4km de costa marítima, todos os dias passo pelas lindas praias de Tacitolo e todos os dias olho para aquele mar limpo e quentinho e não posso dar um mergulho… {#emotions_dlg.snob}

Ainda estava em casa quando começaram a aparecer as contrariedades, os frades que estudam comigo avisaram-me que seria melhor vestir uma camisa, porque não costumam deixar entrar no instituto de t-shirt… ah pois é, aqui as instituições são muito rigorosas com a apresentação, tudo de calças, camisa e sapatos, ou sandálias (isso ainda vão permitindo)… {#emotions_dlg.happy} Cheguei ao seminário acompanhado pelo frei Fernando e pelos freis Manuel, Gesuíno e Nicolau (colegas de formação de pós-noviciado). Vieram logo todos os estudantes ter comigo para me cumprimentar, foi uma alegria, e os mais corajosos ainda tentavam falar comigo em português… foi muito bom, senti-me verdadeiramente acolhido entre eles… mais tarde vim a saber que eles pensavam que eu era um professor e não um aluno, daí o entuiasmo… {#emotions_dlg.happy} Mas não desistiram da ideia de me verem ensinar, logo no final do primeiro dia de aulas reuniram par decidir se seria proveitoso ou não eu dar-lhes aulas de português nos dias em que algum professor faltasse… apesar de os furos serem constantes, ainda não dei nenhuma aula… Todos os dias vêm ter comigo, perguntam-me se tenho alguma coisa sobre as matérias que temos vindo a aprender e eu vou dispensando tudo o que tenho. É fantástico, eu procuro estar no meio deles, eles procuram estar comigo, vamo-nos comunicando e português, tétum e algum inglês (quando falha a palavra em pt) está a ser uma boa troca de culturas. Perguntam-me de tudo, quantos seminaristas há em Portugal, como é o estudo por lá, se há muitas vocações, como é viver em Pt, todas as perguntas imaginárias e inimaginárias eles fazem… Ultimamente têm em começado a pedir livros. Sempre que levo um livro para o instituto eles perguntam logo o preço, onde o comprei, como é que eles o podem comprar, se lhes posso emprestar para tirarem fotocópias… ao principio ainda pensei que fosse por interesse pela leitura ou para aprofundar a matéria das aulas, mas a partir do momento que eles me pediram para lhes emprestar um livro que é um curso de tétum em inglês, percebi que eles pedem por pedir, até porque quem mo pediu já sabe falar tétum e não percebe quase nada de inglês (e não, não dá para aprender inglês a partir daquele livro, só o contrário). Como o livro está em inglês e é muito bom, decidi traduzi-lo. Ainda só traduzi 3 capítulos, mas já tenho gente interessada em ver o resultado final, espero que não se desiludam… {#emotions_dlg.blushed}

As aulas começaram bem, o primeiro professor era brasileiro, logo a aula foi 100% português, o segundo, apesar de ser timorense, também só falou português (de vez em quando explicava alguma coia em tétum para que o pessoal entendesse melhor), mas a partir da aí a coisa complicou… na segunda semana de aulas apareceu mais um professor e, por mais que lhe tenha pedido, não valeu a pena, as aulas vão ter de ser irremediavelmente em tétum, ele fala tanto português como eu tétum… o pior é que vai ser meu professor em duas cadeiras, pelo menos… Esta semana aproveitei um dos furos do meu horário (dispensaram-me de ter aulas de português. Não sei porquê, se fosse marroquinês ainda entendia já que sou marroquino, agora português…) para fazer mais uma cadeira, mas já me começo a arrepender, o professor é indonésio e na aula fala tétum (90% das vezes, indonésio 7% das vezes, inglês 2% das vezes e português 1% que é quando diz bom dia ou alguma palavra em tétum que coincida com o português) … Felizmente para mim as sebentas são em português ou brasileiro (como são antigas não têm ainda o acordo ortográfico) {#emotions_dlg.tongue}

Bom amiguinhos, as aventuras por cá têm sido fantásticas, tenho adorado a experiência que estou a viver do outro lado do mundo estou a ficar fascinado com esta nova cultura e, apesar de já terem passado 4meses eu espero que os 3 anos previsto para a minha estadia cá não passem a correr, quero aproveitar cada minuto por cá que são mesmo únicos {#emotions_dlg.happy}

Desculpa maninha, eu sei que estás ansiosa por me apresentares o Rodrigo que vai nascer, no máximo, no próximos mês, mas eu estou mesmo a adorar estar por cá…

PS: Rezem por ela e para que o parto corra bem e que o Rodrigo nasça saudável. Não será por falta de amor da mãe, dos tios e dos avós que isso não acontecerá. Apesar da distância, tenho acompanhado, através de sms e internet, a gravidez dela e confesso cheguei a ter um pouco de inveja por ter rejeitado a criar tão maravilhoso milagre, mas consolo-me por tê-lo feito por um bem maior… Se ela escrevesse um blog seria dos melhores blogs sobre a relação entre mãe e filho desde o ventre materno alguma vez feito… Estou radiante e muito feliz por ela. Tenho a certeza que ela será a melhor mãe do mundo, quer dizer, a segunda melhor mãe do mundo, a melhor (empatadas) continuam a ser as minhas mães (sim, tenho mais que uma e a 3ª é Nossa Senhora).

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 03:01


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