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Missão em Timor

Durante 3 anos estarei a fazer uma missão em Timor, pela Ordem dos frades menores capuchinhos, e neste blog tenciono contar todas as minhas aventuras e a percepção que vou tendo dos acontecimentos, tudo de uma forma peculiar que só eu sei viver :D



Segunda-feira, 26.11.12

Mais um para se juntar à "festa"...

Esta semana tem sido muito agitada e cheia de festas. Tal como referi no último post, a semana começou com uma ida à praia, mas não se ficou por aí, o tão esperado regresso do frei Hermano Filipe e os aniversários do irmão Rafael e do frei Nicolau também marcaram esta semana, mas deste último falarei depois... Chegou a quinta-feira, estávamos todos ansiosos. O frei Fernando e a irmã Joana fizeram-se cedo à estrada em direcção a Dilli. A hora prevista da chegada do frei Hermano Filipe era às 14:15h… Cá em casa começamos a preparar tudo, era festa dupla, a recepção do frei Hermano e o aniversário do irmão Rafael. Como é tradição por cá, na missa, antes da oração final, os aniversariantes costumam dirigir-se para a frente do altar para que a assembleia lhe cante os parabéns e receba a bênção do sacerdote. O irmão Rafael não quebrou a tradição e lá subiu para a frente do altar… É um grande acto de louvor a Deus, se foi ele quem nos deu a vida, então no dia do nosso aniversário devemos festejar o dom da vida começando por agradecer a Deus ter-nos concedido tão maravilhoso dom… :D O dia foi passado nas limpezas, a casa tinha que estar a brilhar, incluindo o quarto do frei Hermano, claro… :D Com um pouco de esforço e colaboração de todos, o objectivo foi alcançado. Uma fraternidade consegue sempre o que quer quando os membros se interajudam como verdadeiros irmãos que são… :D Começa a chegar a hora prevista da chegada do frei Hermano e a ansiedade começa a sentir-se… Lá fora a rua está escura, já passam das 19h da noite… a cada luz que vemos na estrada desperta em nós a esperança de que sejam eles… A ansiedade foi rapidamente acalmada, não falharam muito em relação à hora prevista de chegada… grande alegria e animação na recepção do frei Hermano… Eu reencontrava um companheiro de missão, o frei Fernando reencontrava um companheiro no árduo trabalho pastoral, os três frades timorenses reencontravam aquele que os formaram durante o postulantado e mais importante que tudo, todos nós reencontrávamos um irmão… :D A mesa estava farta, com frango no churrasco, carne de búfalo e frango estufado (feitos por mim) e claro, massa e arroz, muito arroz… Era uma dupla festa que celebrávamos, tínhamos que marcar a diferença. E como todas as festas em Timor, também tínhamos um mestre-de-cerimónias, que eles cá chamam de protocolo. Tudo bem organizado e dividido por pontos, ninguém toma nenhuma iniciativa a não ser as propostas pelo MC… Os pontos são: 1 – Oração inicial de agradecimento e bênção pelos alimentos que vamos tomar 2 – Início da refeição 3 – Levantar os pratos 4 – Sobremesa (neste dia foi gelado, coisa rara) 5- Discurso (O MC decide quem faz o discurso e o tempo máximo de duração) 6 – Cantar os parabéns 7 – Cortar o bolo 8 – Acção de graças a Deus por tudo de bom que nos dá e despedida. Não falha um ponto… Para o discurso foram convidados a falar o irmão Rafael, que agradeceu a amabilidade em lhe terem preparado tão grande festa e terminou dizendo que não há melhor maneira de se celebrar o aniversário senão junto da sua família que neste momento é a família missionária. O frei Fernando foi o segundo convidado a discursar e realçou o trabalho inicial do irmão Rafael desejando-lhe uma boa continuação na sua missão. Por fim falou a irmã Joana realçando a importância que o irmão Rafael tem para os Leigos Capuchinhos em Missão e para o povo timorense. A animação foi constante e se não fosso pelo facto de no dia seguinte termos todos de acordar cedo, o frei Hermano querer descansar da longa viagem de 3 dias de avião e os LCM terem de preparar o trabalho do dia seguinte, a festa prolongar-se-ia noite dentro… É tão bom confraternizar em família, o tempo passa a voar, uma hora parecem apenas 5min… :D Sem esquecer a minha família de sangue que me educou, formou e me tornou o homem que sou hoje, estou feliz por pertencer à família franciscana… Não fui eu que os escolhi, foi Deus quem me deu estes irmãos e eu só tenho a agradecer a Deus tão maravilhosos dons… :D Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração.

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por missao em timor às 11:27

Sexta-feira, 23.11.12

Uma folga na praia.

Como por cá os leigos missionários trabalham muito mais ao fim-de-semana que durante a semana, apesar deque também trabalharem muito durante a semana, a segunda-feira é o grande dia de folga deles. Visto que eles estavam de folga e nós os frades estávamos sozinhos em casa, o Fr. Fernando tinha ido a Dili, aproveitamos o dia para irmos à praia. E que belo dia de praia… {#emotions_dlg.sol}

O sol batia forte e o céu estava limpo, nem sinal de qualquer nuvem… Preparamos tudo, metemo-nos no carro e lá fomos nós aproveitar da melhor maneira a nossa folga. {#emotions_dlg.happy}

O caminho não é muito seguro, ruas estreitas e buracos, como a maioria das ruas timorenses, mas desta vez conduzi sem problemas, já estou a aprender… {#emotions_dlg.happy} Durante a viagem vi um senhor com uma cana de pesca na mão e um balde e decidi ser um bom samaritano e oferecer-lhe boleia até à praia: “Senhor, quer boleia? Suba?” e o homem simplesmente apontou com o dedo para o lado esquerdo e dirigiu-se para o lado direito, pensei para comigo “ou não entendeu ou não vai para a praia”… É que nem uma coisa nem outra, o homem ia para a praia e percebeu o que lhe estava a perguntar, simplesmente não queria boleia, porque eu tinha acabado de chegar ao final da estrada possível onde o carro nos poderia levar… estacionei o carro, pegamos nas nossas coisas e metemo-nos floresta adentro… parecia que estávamos numa savana, só estava a ver quando aparecia um leão ou uma cobra, sendo que esta última era bem provável… Uns metros à frente e avistamos a praia… Passo seguinte: Procurar uma sombra… raríssimo, mas lá conseguimos uma debaixo de uma grande árvore… estendemos uma lona e comecei a explorar a praia… não havia nada de especial, simples areia e o mar, nem pedras bonitas, ou crustáceos, ou búzios, simplesmente areia e mar até que, de repente, olho para o meu lado esquerdo e vejo a coisa mais linda do mundo, um paraíso… uma paisagem linda tirada dos filmes… uma praia paradisíaca… só tem um defeito, tem crocodilos… É que se em Portugal, principalmente no norte, podemos ir á água sem problemas, mas normalmente não vamos por causa da poluição e pela água ser gelada, aqui temos água límpida e quentinha, mas não podemos mergulhar, porque os crocodilos são invejosos e não partilham a água connosco… Ainda por cima os pescadores disseram que os crocodilos só não atacam pessoas que não têm pecados… bem que era logo devorado… {#emotions_dlg.blushed}

Visto que chegamos à praia por volta das 9h, não podíamos ir à água e não tínhamos nada para nos entretermos, eu e dois missionários leigos, a Ana e o Rafael, decidimos aventurarmo-nos pela savana adentro em busca de uma árvore de frutos para a nossa sobremesa… Com alguns esforços para não nos picarmos nos catos e nos espinhos lá descobrimos uma clareira com duas grandes árvores de coco… Tínhamos que apanhar um coco e, claro, ideias malucas não me faltaram, como por exemplo: escalar a árvore que deveria ter uns 5metros, no mínimo… rapidamente mudei de ideias e foi aí que decidimos atirar pedras para ver se acertávamos nalgum coco e ele caia… Começou o irmão Rafael e nada, tentou uma, duas, três vezes e nada… e eu observava a forma mais radical de poder subir à árvore e apanhar os cocos que quisesse… finalmente desisti da ideia e decidi juntar-me ao irmão Rafael no tiro ao alvo. À primeira pedra que lanço… trunfas… em cheio num coco… grande festa, finalmente tínhamos sobremesa… mas não nos ficamos por aí, queríamos mais e mais… começamos a fazer planos, mais dois cocos, um para cada casa… e continuou o lançamento da pedra, até que todas as pedras se perderam no meio do matagal e ficamos sem munições… já os cocos continuavam a olhar para nós e a rirem-se da nossa falta de pontaria… A irmã Ana não desistiu e foi à praia buscar mais pedras… mas nada, a pontaria continuava fraca, sorte de principiante foi o que tive com o primeiro coco… mas não desisti, afinal de contas para que serve a fisga que arranjei cá em Timor?! Juntei uma dúzia de pedras e lá fui eu insistir mais uma vez… que bela pontaria, todas as pedras acertavam em cheio nos cocos, a sério, mas infelizmente eram tão pequenas que não batiam com força suficiente para os abanar, quanto mais para os deitar abaixo… Estava já eu desiludido a regressar à praia quando apareceu a irmã Ana com o frei Manuel “Tem calma Tinoco, este é timorense vai ajudar-nos a apanhar outro coco”, disse-me ela… mas também não resultou… nenhum coco apanhado, até que o frei Manuel nos diz “É melhor irmos embora, porque se o dono nos vê vai ficar chateado” “Como?! Este coqueiro no meio deste matagal tem dono?!”… E foi aí que percebi, Deus viu que não tínhamos fruta para sobremesa e decidiu dar-nos um coco, mesmo sendo de propriedade privada… Nós é que fomos gananciosos e quisemos mais… E ainda dizem os pescadores que os frades e os missionários podem mergulhar à vontade no mar, porque os crocodilos não nos fazem mal por não termos pecados… seríamos era os primeiros a ser engolidos… {#emotions_dlg.snob}

Para preparar o almoço acendeu-se uma fogueira, frango no churrasco com arroz… óbvio que o arroz já o trouxemos preparado de casa, mas o frango foi frito na hora. O que era suposto ser um jantar a 7 logo se transformou num jantar a 1001, cheirou a frango frito às formigas e logo elas vieram ataca-lo… mas não tiveram muita sorte, felizmente {#emotions_dlg.happy}

Depois de um dia tão bom de praia só faltava fazer uma coisa, agradecer com todo o amor a quem nos proporcionou dia tão maravilhoso, agradecer a Deus. Reunimo-nos todos em grupo, de bíblia na mão, e fizemos uma leccio divina focad nas leituras do próximo domingo, solenidade de Cristo Rei, o último domingo do ano litúrgico de 2012. Com este domingo terminamos uma longa viagem com S. Marcos para iniciarmos uma nova viagem, lado a lado com Jesus, com o Evangelista S. Lucas… {#emotions_dlg.happy}

Depois das leituras cada um teve a oportunidade de partilhar o que Deus lhe falou ao coração naquele momento. Estando eu a dizer que Cristo é Rei num reinado de fé, esperança e amor, que o seu trono é a cruz e a sua coroa não é feita de ouro, mas de espinhos quando apareceram algumas ovelhas para nos lembrar que Cristo também é o pastor que vai à frente das suas ovelhas e as conduz a pastagens verdejantes… Este pastor não só conduziu as suas ovelhas a pastagens quase verdejantes, como também se juntou a nós escutando o que íamos partilhando… {#emotions_dlg.happy}

Estes dias de descanso e relaxamento são mesmo importantes para os leigos missionários, eles fazem um trabalho tão grande por cá… deitam-se tarde para organizar o dia seguinte, acordam cedo para rezar a oração de laudes e a missa. De manhã estão no jardim com as crianças, de tarde estão no Centro S. Francisco de Assis, uma biblioteca com acesso à internet e ponto de fotocópias, organizam e trabalham na pastoral de crianças com deficiência, dão explicações de português… entre muitos outros serviços que vão aparecendo… e fazem-no sempre com um grande sorriso no rosto, porque quem corre por gosto não se cansa… {#emotions_dlg.happy}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração. {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 08:09

Domingo, 18.11.12

Ir a Dilli de carro? Puff, básico...

Acordei às 5:30h da manhã, cheio de sono, por incrível que pareça, o galo ainda não cantava e o sol ainda dormia. Precisava despertar, decidi tomar um banho de água fria… Tomei o pequeno-almoço mesmo sem conseguir comer muito (um chá e uma fatia de pão), o estômago estava apertado, ansioso, tinha uma longa viagem pela frente até Dilli e era eu o condutor… {#emotions_dlg.sidemouth}

Combinei encontrar-me com a leiga missionária, a Joana, as 6h da manhã… chegou a hora marcada e nem sinal dela, o tempo passava e só pensava “A Joana pensou duas vezes e decidiu não arriscar” e eu suspirava de alívio por tal decisão… 15min depois aparece ela toda sorridente e a dizer que estava pronta para a viagem… Sabia que não havia volta a dar, tinha que arriscar passar por estradas estreitas que num pequeno deslize nos podia levar a cair num abismo onde o mar é o que nos espera para nos engolir…

O resumo da viagem é: “Cuidado… trava, trava, trava… páaaaraaaaaaa… olhóóóóóóóó buraaaaaaaaco… cuidado com o carro… vira, vira,vira… cuidado com mota…. foooooogggggoooooo que susto… és doido…. Páaaaaaraaaaa”… Estou a brincar, tirando parte do “olha o buraco” e “cuidado com a mota” o resto não aconteceu {#emotions_dlg.tongue}

A viagem até Dilli foi simples e pacata, o pior foi quando entramos na cidade… Todo o mundo conduz a uma velocidade infernal de 30km/h, e como não podia deixar de ser, aqui o malai (estranja em Tetum) mostrou-lhes que 30km/h é para meninas e dei-lhe prego a fundo nos 40km/h… ah pois é, parecia um piloto de WRC… {#emotions_dlg.happy} Cedo percebi que ia ter muitos problemas em Dilli, não se guiam por uma faixa, se há espaço para colocar o carro eles lá entram e a palavra prioridade não entra no dicionário deles… É cada um por si… Todos os semáforos que passei estavam desligados até que de repente “olhóóóóó vermelhooooo” travagem imediata a fundo, as rodas até derraparam, mas parei a tempo… finalmente um semáforo a funcionar… foi cá um susto e uma risada ao mesmo tempo… {#emotions_dlg.clown} As motas são outro problema, elas nascem do nada… olhei para o espelho retrovisor e nada, estrada limpa, vou para mudar de faixa e lá aparece uma mota… e vinha a um velocidade igual à minha… elas aparecem do nada… uma pessoa é capaz de ter a estrada limpa e de repente aparecerem 10 motas seguidas umas pelo lado esquerdo outras pelo lado direito… São pior que as mosas…

Como é obvio dentro da cidade fui recebendo indicações por onde deveria ir… até chegar ao seminário onde vou estudar o frade que ia connosco foi dando as instruções, no regresso achou que eu já sabia o caminho e ficou calado… fui sempre em frente, passado um cruzamento ele diz-me “Era para virar à esquerda” “E só me dizes agora?” “Pois, esqueci-me!” “Tudo bem, mais à frente volto para a estrada correcta”… o estranho foi ver alguns carros a vir na direcção contrária à minha e nenhum na minha direcção… apesar de ouvir as típicas buzinadelas não liguei muito, porque eles aqui não buzinam para reclamar, buzinam para ultrapassar, cumprimentar e afastar os animais da estrada. Todos os carros buzinavam até que um condutor falou rispidamente para mim e, como não percebi, perguntei ao frade que ia comigo o que se passava e ele lá me esclareceu “Tás em contramão”… Fiquei sem reacção… mas consegui voltar à estrada correcta sem nenhum problema… Durante a viagem pela cidade de Dilli tive que evitar dois acidentes, tudo por causa das malditas motas…

O regresso é que foi mais assustador, viajar do lado do precipício numa rua estreita em que mal cabem dois carros e sem barreiras laterais para proteger é asustador, ao mínimo deslize poderíamos cair e seria um enorme tombo… volta e meia só via a Joana a dar sinal com o braço como que a dizer “Chega-te mais para a direita”… ia mesmo muito perto da berma da estrada, mas era uma linda paisagem… :D Pode-se dizer que a viagem foi tranquila e até consegui evitar mais buracos que na ida, mas o pior ainda estava para vir… A poucos quilómetros de chagar a Laleia e já depois de ter chovido bastante eis que surge uma grande fila de carros… Pensei em acidente, pensei que nunca mais iria sair de lá e dar a volta estava fora de questão por ser a única estrada que liga Dilli a Laleia… O frei Jesuíno foi informar-se do que se passava… ninguém podia passar, a estrada estava feita em lama, ninguém arriscava meter o carro lá a não ser que tivesse tracção às quatro rodas… e foi aí que surgiu a luz ao fundo do túnel… o nosso carro tem tracção, agora é só liga-la e fazer-nos à estrada a fim de voltar para casa… E eis que surge um novo problema, nenhum de nós sabe como se liga a tracção… e agora, que fazer? Quando três cabeças pensam ao mesmo tempo, tudo se resolve… Decidimos ligar ao Frei Fernando e ele lá nos explicou como tudo funcionava… afinal bastava mudar a patilha das rodas da frente para unlock e puxar a mudança da tracção toda para trás… difícil, onde é que alguma vez chegaria lá… voltamos à estrada e recomeçou a aventura… a partir do momento que o carro entrou todo na lama percebi que a tarefa não ia ser nada fácil… perdi praticamente todo o controlo que tinha na diracção, o carro virava para onde queria e eu bem tentava contradizê-lo, mas com pouco sucesso… o carro deslizava da esquerda para a direita tão descontroladamente, e eu não ia a mais que 5km/h, que eu estava a ver quando é que ia bater num monte de pedregulhos que lá havia, ou numa mota (sim, tinha que haver a mota) que por lá passava ou, na pior das hipóteses, caísse precipício abaixo… eu parecia que estava a fazer jet-ski com o carro e o pessoal que estava na estrada (ou no que restava dela) assistia todo contente rindo-se e gozando comigo chamando-me de malai… mas não me deixei ficar, cada vez mais decidido avancei e, depois de muito esforço e suor lá consegui atravessar a estrada, sem nenhum acidente… Gritei de alegria, tinha feito o que muitos timorenses não fizeram, cruzei a meta e como recompensa ouço um “Puff malai”… Incrível, depois deste grande feito e é assim que me dão os parabéns… Mas tudo bem, o que interessa é que a viagem correu bem, chagamos a casa são e salvos, mas não prontos para outra… pelo menos eu… {#emotions_dlg.brrrpt}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração! {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 01:23

Domingo, 11.11.12

A tragédia, o drama, o horror... e a falta de luz!!!!

Olá amiguinhos, já faz um tempo desde a minha última aventura… Esta semana tem muito que se lhe diga. Se era certo que segunda-feira ia para Tíbar, pois tenho a dizer-vos que a minha mudança definitiva de casa é como as vitórias do Sporting…  e adia e adia e adia… {#emotions_dlg.happy} Não fui na segunda (dia 5), não fui no sábado (dia 10), mas PARECE que vou terça-feira (dia 13), a ver vamos… {#emotions_dlg.happy}

No Domingo (dia 4) fui para Tíbar, numa longa viagem de 4horas… não é que seja longe, a estrada é que está péssima e não se consegue andar a mais de 50km/h… No dia seguinte fui a Maliana visitar as irmãs clarissas capuchinhas e o Bispo da Diocese de Dilli. Saímos de casa às 5h da manha para podermos estar às 10h em casa das irmãs (o mesmo problema das estradas). A meio do caminho paramos para tomar o pequeno-almoço, ou o mata-bicho como chamam os timorenses, nada mais nada menos que em frente (literalmente) a um pequeno cemitério… Aqui os cemitérios não são organizados e centrados por zonas. Existe um principal nas cidades e depois há quem crie o “seu” próprio cemitério junto das estradas e foi junto dum destes que comemos, com as campas esmo ali à nossa frente, sem nenhum muro a rodeá-las… foi estranho, muito estranho mesmo. Fomos visitar as irmãs que estão cá há pouco tempo, cerca de um mês, e almoçámos com elas. Finalmente tomei um descafeinado, grandes irmãs que pensaram em tudo e enviaram por correio uma caixa de descafeinado do Minipreço, valeu a pena a longa viagem… {#emotions_dlg.happy} O Bispo também foi muito acolhedor. É uma pessoa simples e muito simpática.

O regresso acabou por ser o que custou mais, Cerca de 10h de viagem com poucas pausas pelo meio… O mais assustador foi quando começou a escurecer. Como as estradas não têm postes de iluminação, a única luz que se via era a dos faróis dos carros. Parecia que estava num filme de terror, só me lembrava da cena inicial do filme “I know what you did last summer”, mesmo assustador. E como se isto não bastasse, paramos para jantar numa praia à beira mar, onde a única coisa que se via era a luz do carro… eu sabia que estava à beira mar, porque ouvia as pequenas ondas do mar a bater na areia. Sim, pequenas ondas, o mar de Timor não tem ondas, parece um rio… :D Mas foi uma cena mesmo delirante, mesmo assustadora… tenho que repeti-la… {#emotions_dlg.happy}

No sábado a seguir (dia 10), dia em que era suposto ir de vez para Tíbar, mais uma vez adiada, foi o grande dia da recepção aos novos missionários, a Joana (que já cá esteve um ano), a Ana e o Rafael que vêm para primeira vez. Foi lindo passar a tarde na cozinha e sem electricidade, que só voltará 2ª feira, dia em que os funcionários voltam para a central electrica, isto porque ao fim semana ninguém trabalha, nem que seja uma emergência. Foi uma tarde divertida, eu, os 3 frades timorenses que estão comigo na formação e uma missionária leiga timorense, a Joana Teresa. Uma tarde fantástica só com borga, risos e muitos disparates, mas todos com juízo, somos gente responsável, ou pelo menos eles são. :D Os novos missionários chegaram à noite, todos cansados da viagem de três dias. Foram muito bem recebidos por nós, com cânticos, muitos abraços e beijinhos e com muita alegria expressa nos nossos rostos, são mais 3 irmãos que vêm apoiar esta fantástica missão. Pena foi não haver luz para uma recepção iluminada… {#emotions_dlg.happy}

Se achei a viagem de carro assustadora, então aquilo que me aconteceu no sábado à noite foi de morte. Tudo às escuras, por falta de electricidade, por volta da 1:30h da manhã ouço um grande estrondo de chapas a bater, como se uma bomba tivesse rebentado um portão. Acordei todo sobressaltado, sem saber que fazer. Não tinha luz para poder ver o que se passava, nem procurei sair do quarto para investigar o caso, pois sei que nos filmes isso dá sempre asneira … comecei a imaginar um ladrão, o um grupo de ladrões, armados com catanas, mesmo assustador… dos frades não havia sinal, parecia ter sido o único a ouvir o estrondo, mas sabia que não tinha sido nenhum sonho, nem a minha imaginação… fiquei em silêncio a tentar ouvir mais alguma movimentação… nada … o silêncio voltara a apoderar-se da casa… voltei a dormir e quando estava prestes a desligar-me da realidade, novo barulho de chapas… imediatamente percebi que se tratava da garagem, alguém tentava entrar por lá… tive ainda mais medo… imaginando o que poderiam roubar, percebi que não havia nada de muito valor, não tinham acesso ao interior da casa a não ser que voltassem a arrombar outra porta… e de repente, novo silêncio se apodera da casa… o único som que se fazia sentir era o barulho dos ramos das árvores a abanar… decidi deitar-me, com algum receio do que pudesse acontecer… adormeci e só voltei a acordar com o despertados, já eram 6:30h da manha (sim acordo muito cedo ao Domingo) e a luz já raiava… Levantei-me, fiz a oração das Laudes com a fraternidade e fui tomar o pequeno-almoço. Como é obvio aproveitei esse momento para saber se mais alguém tinha ouvido o estrondo e, quem sabe, me explicassem o que tinha sucedido. Pelos vistos, o Padre Superior fechou a porta da garagem só com um arame e o vento decidiu rebentar com esse arame… o barulho de chapa que ouvia era a porta da garagem a bater devido à corrente de ar do vento que se abateu esta noite… Não sei porquê, mas acho que tinha jeito para realizador… faço cada filme… {#emotions_dlg.happy}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração.{#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 14:14

Sábado, 03.11.12

Angry birds

Olá amiguinhos, se quando estava no Porto o sábado era aproveitado para jogar futebol, aqui é para “passear”, ou seja, visitar as aldeias que estão situadas no meio das montanhas onde a única forma de se lá chegar é a pé. A viagem até que começou bem, apesar das dores musculares que sentia. Fui eu a levar o carro e, para não cair no erro da última viagem, não passei dos 50km/h, mesmo nas grandes rectas. Quando estacionei o carro um Senhor veio logo ter comigo a dizer que tinha feito algo perigoso (Estas acusações já começam a ser comuns) e mostrou-me como estava a parte de baixo da pequena ponte que tinha atravessado. Tinha desabado grande parte do suporte da ponte, foi realmente um grande risco tê-la atravessado, mas eu não sabia… {#emotions_dlg.happy}
Comecei a caminhada, acompanhado por três frades e dois leigos. Custou a começar, mas depois os músculos aqueceram e já nem sentia as dores. Desta vez o caminho não era de pedras grandes e soltas, mas feito de erva, ou algo parecido… bem mais suave :D

Paramos a meio do caminho onde havia uma árvore de mangas. Aqui existem árvores de fruto que não foram plantadas por ninguém. Todos os anos a água, no tempo das chuvas, muda de rota e, o que no ano anterior era um riacho, depois da mudança do curso da água, a terra seca e crescem árvores e algumas são de frutos, como o caso desta. Paramos para colher algumas mangas para comer pelo caminho. Eu dei aso à minha altura para segurar alguns ramos e arrancar a fruta, enquanto outros usavam uma fisga. Ao olhar para a fisga não resisti e também quis experimentar. Pego na pedra, puxo o elástico, faço mira e… poff, a pedra cai uns centímetros à minha frente… Não desisti e voltei à carga e… poff, uns centímetros mais à frente, mas longe de acertar nas mangas… desisti e voltei à caminhada. Mais à frente decidimos parar para descansar e foi quando decidi treinar o meu tiro com a fisga… Agora sim, valeu a pena as horas que passo a jogar angry birds no telemóvel, grande pontaria e a longa distância… {#emotions_dlg.happy}

Eu não sei quanto tempo andei, mas deve ter sido mais de 3horas… Nunca me cansei tanto a andar como neste dia, mas consegui chegar à aldeia. A visita às aldeias consiste em estar um pouco com a população e celebrar lá a Eucaristia.

Se na ida a minha cabeça estorricou com o calor, no regresso vim acompanhado de trovões e ameaça de chuva. Felizmente não passou de ameaça, algo que á me venho habituando… {#emotions_dlg.happy}

Se na ida atravessar riachos era a melhor coisa que podia fazer, a água era fresquinha, no regresso foi o contrário. Apesar do céu ameaçar chuva, o calor era imenso e a água era tão quente que nos queimava os pés. Eu acho que se metesse um ovo dentro de água ele cozia… {#emotions_dlg.sol}

Fui a um velório no domingo passado (28 Outubro), quer dizer, não fui propriamente ao velório, fui ao almoço. Cheguei a casa da família da falecida e o ambiente era típico de um funeral, os homens a jogar cartas e as mulheres na conversa ou a preparar o almoço. Dentro de casa a sala de estar estava praticamente vazia, só tinha lá o caixão apoiado em algumas cadeiras. O almoço foi em grande, parecia um casamento… tudo animado e no final mais uma partida de cartas. Homens de um lado mulheres do outro, sem misturas. Aliás, aqui os homens e as mulheres fazem tudo em separado, só não sei é como têm filhos… {#emotions_dlg.lol}

No final o Padre fez a encomendação da defunta e a família dirigiu-se para o cemitério.

Esta semana tivemos as festas de todos os santos (1Novembro) e a festa dos fiéis defuntos (2Novembro), ambos feriados em Timor, tomem… aqui é que é bom… Tudo é desculpa para ser feriado. Apesar da grande população, se não toda mesmo, ser católica até os feriados muçulmanos são vividos cá (e aqui não há muçulmanos) {#emotions_dlg.tongue} O “diferente” destes dias foi no dia 2. As pessoas vêm assistir à missa, até vem mais gente que o comum, e todas as famílias trazem grandes quantidades de flores para serem abençoadas na missa e, no final, serem levadas para o cemitério para enfeitar as campas dos familiares falecidos. Eu ainda não conheci o cemitério, porque ainda não morreu nenhum frade em Timor, serei eu o primeiro? Quem sabe… Estou a brincar… {#emotions_dlg.dork}

Ontem, na conversa durante o jantar disseram-me que virão para cá mais 3 missionários leigos. Chegam a Timor dia 10 Novembro. Vai ser muito bom, não só para eles como para a população timorense. É fantástico receber notícias destas, agora resta-nos rezar para que tudo lhes corra bem e que a missão que eles vêm cá fazer seja frutífera. {#emotions_dlg.happy}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração!{#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 04:15


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