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Missão em Timor

Durante 3 anos estarei a fazer uma missão em Timor, pela Ordem dos frades menores capuchinhos, e neste blog tenciono contar todas as minhas aventuras e a percepção que vou tendo dos acontecimentos, tudo de uma forma peculiar que só eu sei viver :D



Domingo, 28.10.12

Conduzir? Eu? Só se fizer rally!!!!!!!

Olá amiguinhos, finalmente senti-me útil durante a minha estadia em Timor. Não falo do meu trabalho na fraternidade, que apesar de pouco tem a sua importância. Falo do meu contributo para a sociedade. Apesar de não ter sido nada de extraordinário, como eu verdadeiramente gostaria de fazer, acabou por ser uma boa acção. Depois de ganhar experiência a fazer curativos aos meus dedos, já são dois os dedos magoados, decidi pôr essa experiência em prática. No átrio da igreja estávamos eu, um grupo de crianças e outro frade na conversa quando deparo que o joelho de uma das crianças estava a sangrar, mas uma ferida bem grande e com fortes possibilidades de infeccionar se não fosse bem tratada. Não aguentei ver aquilo naquele estado, a ferida estava tapada com um farrapo velho, o sangue estava sempre a escorrer e a ferida não tinha sido minimamente tratada e pedi à rapariga para esperar um pouco e fui a casa buscar água oxigenada, betadine, algodão e uma gaze para fazer o curativo. Com muito jeitinho tratei a ferida. Com a água oxigenada limpei a ferida, que deitou mesmo muito pus, estanquei o sangue e coloquei o betadine e a gaze. O sorriso da criança no final foi a melhor recompensa que poderia ter recebido… Quando a criança foi embora apareceram outras que me foram mostrando as suas feridas, já toda saradas, mas que me fez reflectir. Estas crianças não têm noção do perigo de uma ferida mal tratada, se calhar deveria sensibilizá-los e até mesmo trata-los… A partir de agora estarei mais atento às crianças fazendo-lhes os curativos às feridas que elas forem apresentando… {#emotions_dlg.happy}

Sou um perigo na estrada… Era preciso ir às compras, ou seja, era preciso ir à cidade vizinha, porque em Laleia não há muita coisa à venda. Como a casa só tem dois condutores, eu e um padre, e o padre estava indisponível, lá fui eu aventurar-me. A distância é mais ou menos como do Porto a Gondomar (para quem é do sul Lisboa-Setúbal). Começo a aventura, mentalizo-me que tenho que conduzir pela esquerda e faço-me à estrada. Inicialmente tudo tranquilo, conduzindo entre os 30-50km/h até ao momento em que me habituo à estrada e, vendo-a tão livre e em condições minimamente apresentáveis, começo a colocar o pé no acelarador. Má ideia, sempre que chegava aos 90km/h lá aprecia um buraco. Se uns conseguia evitar outros batia em cheio neles. Que loucura, o carro dava cada salto, parecia que estava no filme “Ace Ventura em África” quando ele vai de carro para a floresta. Os saltos eram tantos que quase batia com a cabeça no tejadilho. Só pensava nos amortecedores do carro e a cada buraco novo rezava para que os pneus não furassem… era a loucura. Cheguei ao local sem maiores precedentes, fiz as compras que tinha a fazer e ainda tive que esperar que a mercearia abrisse (Supostamente abria às 16h, mas já eram 16:30h e ainda estava fechada e é uma loja de chineses…) O regresso, que deveria ter sido tranquilo devido à experiência, foi ainda pior. Apesar de evitar melhor os buracos não gostei da forma como um condutor me ultrapassou e decidi pôr pé a fundo, bati recorde de velocidade máxima (100km/h) e pumba… bati em cheio num buraco acontecendo aquilo que mais temia, um furo no pneu… {#emotions_dlg.happy} Primeira coisa a fazer é encontrar pedras grandes para fazer de calço e encontrar duas ou três pedras grandes e lisas para fazer de base para o macaco, senão ele não sobe o suficiente para levantar a roda do carro. Depois segue-se o desapertar dos parafusos, ou o apertar para quem fôr aselha e não souber distinguir para que lado se apertam e desapertam os parafusos… um bónus para mim que me pus aos pulos em cima da chave de desapertar os parafusos, porque o parafuso não queria desapertar, até que me disseram “E se tentasses para outro lado, acho que terias mais sorte”… E tinha razão, ainda bem que não estava sozinho… :D Depois de trocado o pneu voltamos à estrada, mas desta vez com velocidade controlada entre os 30-50km/h… ainda vou aprendendo com os erros… {#emotions_dlg.happy}

Na sexta-feira tivemos uma visita muito especial. As irmãs vitorianas, mais concretamente as postulantes e a sua mestre, vieram de propósito de Baucau a Laleia (viajem mesmo grande e cansativa, tipo Porto-Fátima, mas aos pulos por causa dos buracos) para um retiro. O local escolhido para o retiro foi a nossa igreja, por ser a igreja de espiritualidade franciscana mais próxima. É sempre bom receber alguém que fala português para trocarmos ideias e para eu falar um pouco mais que o habitual. A mestre das postulantes é uma irmã missionária portuguesa e teve a contar-me as suas histórias desde os tempos que veio para cá, já há uns longos anos. Que testemunho, achei fantástico. Apesar de estarem numa casa um pouco isolada da grande concentração populacional, nada a deteve. Quando chegou a Timor, pela primeira vez, foi convidada para dar aulas de português e aqui começaram os desafios, é que nem uma gramática ela tinha. E como quando se tem fé em Deus tudo se resolve, passado umas semanas uma voluntária, que não conhecia a irmã nem o seu trabalho, apareceu em Timor com umas gramáticas e uns dicionários que tanto encheram de alegria a bendita irmã. Outra história que me fascinou foi o testemunho dela que, sem carro (prometeram-lhe um, mas duraram um ano para lho oferecer) fazia todos os dias 13km a pé para o seu trabalho pastoral e para dar aulas de português. É fascinante a forma como estas pessoas se entregam com tudo o que têm aos outros. Uma lição de vida… {#emotions_dlg.happy}

Está quase a fazer um mês que estou cá, passou tão depressa que parece que estou cá há uma semana… {#emotions_dlg.faro}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos no coração e na oração! {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 07:24

Quinta-feira, 25.10.12

O corte que me ia arrancando o dedo...

No post anterior contei-vos que me tinha cortado enquanto cozinhava, agora venho mostrar-vos o ENORME corte...

Não vou mostrar mesmo o corte, porque pode haver pessoas sensíveis a ler este blog... mas fica marcado pelo traço vermelho... {#emotions_dlg.happy}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 10:49

Quarta-feira, 24.10.12

Aaaaiiiiiii!!! Rápido, chamem uma ambulância... tanto sangue...

Aconteceu uma coisa estranha. Eram por volta das 23h (hora de Timor) quando começo a ouvir uns cânticos. Na altura não liguei, pensei que fosse o frade do quarto ao lado a ouvir música, ou a tv que estivesse ligada ou até mesmo o grupo coral a ensaiar na Igreja, mas não. Ao almoço o padre Fernando, missionário português, perguntou-me se tinha ouvido os cânticos. Eu disse que sim, mas que não sabia a sua origem, como que a dizer “a música não vinha do meu quarto”… E foi aí que ele me explicou tudo. Em Timor, quando as pessoas morrem, durante a noite do velório os familiares cantam uma espécie de desafio e desgarrada contando a história de vida do defunto. Os cânticos duram enquanto houver bebida, quanto mais bebida mais cânticos, ou seja, vou escrever uma tese comprovando cientificamente que a bebida elucida a mente… {#emotions_dlg.beer} Os velórios e funerais aqui são estranhos. Primeiro as pessoas não parecem sofrer muito com a perda de um familiar, tendo as suas excepções, claro, já me contaram histórias de pessoas que ficaram desesperadas com a perda de familiares. Durante o velório ora riem ora choram e durante a missa estão tranquilos e assistem à missa como se fosse uma missa dominical comum, se choram é mais por cortesia. No único funeral que assisti não vi ninguém a chorar e até durante a missa vi crianças a correr e a brincar de forma muito natural. Daí eu ficar curioso e informar-me melhor. Eles têm mesmo uma forma diferente de viver estes momentos. Até cheguei a ver gente a tirar fotos enquanto o Padre fazia as últimas exéquias ao caixão…

Nestes dias tivemos uma visita agradável. Um colaborador missionário da Ordem de S. João de Deus hospitaleiro. Ele está cá há cerca de 3 anos a fazer um trabalho excepcional com os doentes de deficiência mental. Neste momento passou por cá para visitar umas aldeias desta zona, fazer um levantamento do número de doentes existentes, estamos a falar de cerca de 10% da população, por distrito, e ensinar as enfermeiras dos centros de saúde como deve preencher a ficha, para que haja um registo dos pacientes e da evolução da doença. É um excelente trabalho que ele faz cá. Infelizmente nesta área ainda só são os missionários que trabalham, os timorenses não se querem aventurar. Uma questão de crendices culturais…

Avançando para algo mais particular do meu dia-a-dia… Eu não percebo os indonésios, como é que eles conseguem aguentar comidas tão picantes? Credo, ontem à noite só o arroz e que não tinha piripiri… e depois ando sempre com a boca arder… Eles comem piripiri como eu como marmelada, eles barram piripiri no pão do pequeno-almoço… ok, agora foi um exagero, mas já os vi a colocar piripiri na fruta… como é que eles aguentam? São os meus heróis… {#emotions_dlg.bunny}

Hoje, quarta-feira, voltei a dar outra de MasterChef, ou melhor, DesapareceDaCozinhaChef… fui um desastre total, nem sei como conseguimos comer aquilo, acho que foi mesmo por termos fome… tava tudo a correr bem até ao momento em que achei que faltava molho de tomate e carne no feijão e trunfas… cortei o dedo… mal a lâmina da faca atravessa a carne do meu dedo larguei um F****, era sangue a escorrer pelo dedo, meti-o à boca, o sangue sempre a pingar, pensei que teria de ir ao Centro de Saúde levar pontos… e de repente só ouvia “Vai pôr álcool na ferida”, passei-me “Como? Álcool? Tamos a falar de um corte que me vai fazer levar cerca de dois pontos, não vou meter álcool nesta enorme ferida, isso arde bastante… Comecei a desesperar e a pensar como ia desinfectar este enorme corte que quase me deixava sem dedo, até que vi a bendita água oxigenada… desinfectei a ferida, coloquei um penso e voltei para a cozinha como um herói como se nada tivesse acontecido. Já agora, ninguém tem um ben-u-ron para me tirar estas dores? {#emotions_dlg.matrix}

Conclusão: Tenho o dedo com um enorme penso e ao dependuro, já nem consigo comer direito, o arroz virou papa e o feijão fiquei sem grande sabor… Tá dito, não volto a cozinhar. Quando tiver fome apanho o avião para Singapura e vou comer ao MacDonald’s que sabe sempre melhor {#emotions_dlg.happy}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 07:36

Domingo, 21.10.12

Chamem os bombeiros que estou a arder...

Finalmente já tenho os meus hábitos de sono de acordo com os horários de Timor. Já durmo de noite e estou acordado de dia, em vez do contrário {#emotions_dlg.away}

A casa onde estou a viver agora, em Laleia, tem dois pequenos jardins. Nem imaginam a quantidade de insectos que isso atrai, parece que estou a viver numa savana, mas em vez de tigres, leões e zebras, tenho louva-a-Deus, gafanhotos, tokés,  mosquitos… {#emotions_dlg.viseu}

Esta semana decidi experimentar, na comida, os típicos molhos da Indonésia. À primeira dentada: “FOOOGGGGOOOO CHAMEM OS BOMBEIROS, A MINHA BOCA ESTÁ A ARDER…” credo, que picantes que são… eles abusam mesmo do piripiri… Ah e os bombeiros não ajudaram nada, porque eles aqui não apagam incêndios, só servem para arrombar portas e pegar os gatos que ficam presos nos topos das árvores, a sério… {#emotions_dlg.barf}

No sábado fui conhecer uma nova aldeia, chama-se Turiaha. Metade do percurso de carro e outra metade a pé, cerca de 1h… Havia alturas que parecia que estava no deserto, mas em vez de areia no chão tinha pedras grandes e soltas. O sol batia forte e não via sinais de civilização, só faltava começar a ouvir o cantar dos corvos… que medo… {#emotions_dlg.sidemouth}

Se os caminhos do interior de Angola forem iguais aos do interior de Timor, então está explicado porque o Eusébio tinha um remate forte, é cada chuto nas pedras que dou… {#emotions_dlg.blink}

Entretanto, durante a viagem, quase ficava sem telemóvel. A meio da viagem paramos para descansar e o tlm escorregou-me do bolso. Terminada a pausa levanto-me, dou dois passos em frente, olho para trás e lá estava ele deitadinho na relva todo sorridente como que a dizer: “Não te estás a esquecer de nada?” {#emotions_dlg.tlm}

A atenção e carinho deste povo são enormes. Sempre que nos deslocamos para uma aldeia fora de Laleia somos recebidos com uma chávena de café e algo para comer. E fazem questão que comamos. Eles sabem como receber os convidados… e nunca saímos de lá sem almoçarmos primeiro…{#emotions_dlg.heart}

Por outro lado, os cães de cá parecem tirados do Evangelho de S. Lucas, da parábola do pobre Lázaro, sempre debaixo das mesas a tentar apanhar as migalhas que caem ao chão (Cf Lc 16,19-31). Não os censuro, deve ser a única coisa que comem, são tão esqueléticos que quando vão ao médico não precisam fazer raio-X, consegue-se contar todos os seus ossos… {#emotions_dlg.happy}

Como podem ver estou a adorar esta experiência, está a ser mesmo fantástica e enriquecedora. Tal como diz a minha irmã Carla e um amigo que temos em comum: quando voltar estarei um homem diferente, mais maduro. É provável que sim, pelo menos terei outra visão da realidade da vida. Mas não perderei a minha ingenuidade(se é que ainda tenho) e o meu sentido de humor (se algum dia o tive) {#emotions_dlg.happy}

PS: Ontem, Sábado, matei 21 mosquitos com a minha raquete eléctrica enquanto via o telejornal português. Obrigado Zé, Tem sido um instrumento muito importante para mim. {#emotions_dlg.happy}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos no coração e na oração. {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 07:05

Quarta-feira, 17.10.12

Alguém viu a electricidade?

Está a ser difícil habituar-me ao fuso-horário de timor, principalmente quando nunca me deito antes da 1h da manhã (não consigo ter sono antes, ou porque fico a falar com família e amigos) e tenho que me levantar às 6h… resultado: Passo as manhãs a dormir para recuperar o sono perdido… {#emotions_dlg.sleeping}

Começou a época das chuvas… Grande choveirada que se abateu em Timor. Foram mesmo chuvas torrenciais, pena que não durou mais que hora e meia… Uma coisa que não passa é o calor. Mesmo a chover torrencialmente o calor não desaparece. Só para terem uma ideia, neste momento são 22h e estou de calções, descalço e sem t-shirt e mesmo assim tenho muito calor… O que também não dura muito por cá é a electricidade. Agora lembra-se de ir passear a meio da manhã e voltar só ao final da tarde… Estou tramado… {#emotions_dlg.sidemouth}

Normalmente, e isto mais nas crianças, qual é a coisa indispensável que se tem que fazer antes de se ir ao médico? Tomar banho… pois aqui com os carros é a mesma coisa. Como é dia de levar o carro à oficina, toca a dar-lhe um banhinho… nem mesmo o facto de ter chovido tirou a obrigação de limpar o menino… {#emotions_dlg.happy}

Na paróquia onde estou a residir, em Laleia, há uma regra de ouro que o pároco criou que diz “Todo o animal que pisar o recinto da igreja passará a ser propriedade do Padre”. A sorte da população é que temos consciência da necessidade que eles têm dos seus animais para se sustentarem e, durante o dia, simplesmente os expulsamos do recinto sempre que eles cá entram senão só hoje teríamos grande banquete, 5 porcos e 6 cabras foram encontrados a passear no nosso recinto… Quando os vi até esfreguei as mãos, mas decidimos deixá-los ir… {#emotions_dlg.smile}

Quero agradecer a todos vós que tendes lido o meu blog, o vosso feedback tem sido muito importante para mim e um entusiasmo ainda maior para continuar a escrever e contar-vos tudo o que estou a viver e sentir nesta missão. Obrigado a quem me deu esta ideia de criar o blog. Na altura nunca pensei que fosse correr tão bem. Obrigado a todos os que têm partilhado o blog nos sites e com os vossos amigos no facebook e outras redes sociais. Obrigado do fundo do coração a todos vocês que leem e acompanham assiduamente este blog. É muito gratificante para mim poder compartilhar isto com vocês e muito mais gratificante é saber que vocês estão a gostar. Não tenho palavras para vos agradecer. O Blog está a ter um sucesso que nunca imaginei que fosse ter. São vocês que o tornam especial. Obrigado! {#emotions_dlg.heart}

PS: Tomar banho de água fria à meia noite e não sentir frio não é para qualquer um, só para quem vive num país tropical como eu… ah pois é… {#emotions_dlg.happy}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos no coração e na oração! {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 12:50

Terça-feira, 16.10.12

O famoso sapo do acampamento...

A foto do famoso sapo que fez com que todo um restaurante entrasse em rebuliço... :D

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por missao em timor às 14:44

Segunda-feira, 15.10.12

O grande acampamento!!!!

Depois de acordar às 6h para dar os parabéns à minha mãe (era para ser às 5h, mas adormeci) fui à missa, tomei o pequeno-almoço, voltei à net para dar um último beijinho de parabéns à grande mulher que me deu vida e comecei a preparar a mochila para a grande peregrinação. 3 dias acampado num descampado, em Soibara, para comemorar a festa de Nossa Senhora de Aitara (=espinhos).

Às 9:30h já estavam reunidas cerca de 80 pessoas só de Laleia para subir até ao santuário. Metemo-nos nos carros e demos início à nossa Road Trip… Uns foram numa carrinha Toyota Dyna, eu numa Pick Up caixa aberta e outros num camião, sim literalmente num camião normalmente usado para transportar areia e cimento nas obras… Estávamos todos entusiasmados durante a viagem, cantando e rindo em grande algazarra. O sol batia forte, e eu só tinha os meus óculos de sol para me proteger. O caminho inicial foi em estrada minimamente aceitável, mas a meio é que começou a provação. Acabou a estrada de alcatrão dando lugar a uma estrada de terra e gravilha cheia de buracos que levantava imenso pó (acho que nesta viajem inalei mais pó que o Maradona em toda a sua vida…). Paramos para almoçar. Num local com um coberto fizemos o nosso piquenique. Durante o almoço começam a surgir imensos carros do estado e da polícia, o povo começa a ficar entusiasmado e de repente alguém me diz “É o vice-presidente de Timor-Leste”. Nem pensei duas vezes, peguei na máquina fotográfica e “click” uma foto a tão ilustre figura…{#emotions_dlg.sarcastic}

Recomeçamos a peregrinação. O pessoal que vem comigo no carro já está cansado, há mais de 3horas que andamos de carro parando só para almoçar. Cansado do silêncio que se abateu decidi ouvir música… melhor, decidi recordar as minhas viagens de carro em Portugal e comecei a ouvir a Mega Hits (não a rádio, mas um improviso meu). A cada intervalo de 2/3 músicas repetia “Mega Hits, boa tarde, eu sou a Filipa Galrão e tenho 45’ de música sem para só para ti”, entre outras coisas do género (sim, tinha que ser a Filipa Galrão, afinal de contas sou o seu fã nº 1 e sim, eu imitava a voz dela, tudo para criar um clima mais real das suas emissões). Como tem sido hábito, só eu é que percebia a piada e só eu é que me ria…{#emotions_dlg.tongue}

Mais duas horas de viagem e paramos numa ribeira (paramos literalmente lá, porque o carro tem que a atravessar para passar para o outro lado da margem e não existem pontes… a parte mais funda da ribeira dá-me pelos tornozelos…). Mais uns quilómetros e finalmente chegamos ao destino… uma espécie de recinto de festival de verão. O local estava animado, cheio de música. Umas vinham das carrinhas dos peregrinos que vinham chegando e outras músicas vinham dos dois restaurantes presentes na zona. Depois de montada a tenda fui dar uma volta para conhecer a zona. A primeira coisa que me apresentaram foram as casas de banho e a partir desse momento rezei para que nada de mal acontecesse com o meu estômago… havia sanitas, não havia era como fazer a descarga… O banho também foi posto de lado, uma pequena pia onde ia pingando água de vez em quando… Em Roma sê romano, mas há que manter um pouco o nível… {#emotions_dlg.snob}

Fui conhecer o pessoal do restaurante. Eram pessoas simpáticas e até falavam razoavelmente bem o português. O contacto com eles deu para perceber que, tal como eu, eles também viram o filme Madagáscar, principalmente a cena final dos pinguins. Sempre que eles não entendiam algo que dizia eles “sorriam e acenavam”, tal como os pinguins no filme :D No dia seguinte, por volta das 7h, acordei com a melhor música que há para despertar “ai se eu te pego”… Quase me estragavam o dia… Depois da missa veio o pequeno-almoço e uma manha inteira sem muito para fazer… Aproveitei o tempo morto para melhor conhecer o pessoal que veio comigo à peregrinação e para conhecer o santuário e a igreja paroquial. À tarde tivemos a procissão do Santíssimo Sacramento que mais uma vez durou uma eternidade. Começou às 17h e acabou depois das 20h… Já estava farto de andar… a parte positiva é que deu para ir rindo com as gaf’s dos padres que iam orientando a procissão seguida da voz irritada do Bispo a corrigi-los. {#emotions_dlg.clown}

À noite, enquanto uns preparavam o jantar (as mulheres), os outros iam-se divertindo com uma guitarra e cânticos populares timorenses. Eu só batia palmas, mas foi tão animado que desejei que aquele momento se prolongasse por muitas mais horas…{#emotions_dlg.happy} Depois do jantar fui ter com as meninas do bar para continuarmos as nossas conversas em quase português até que uma me diz “eu gosto muito de Português, ensina-me a falar melhor” “claro, em 5min. irás aprender muita coisa, sem dúvida... “. Tudo corria dentro da normalidade até que, de repente, vi um sapo à minha frente. Fiquei entusiasmado e decidi tirar-lhe uma foto. Peguei no tlm, liguei a câmara e lá fui eu atrás do sapo. Como a camara não tem flash e era de noite, não dava para tirar uma foto nítida, resultado? Coloquei toda a gente do restaurante em grande alvoroço atrás do sapo a fim de o encaminhar para um local com luz para que, finalmente, pudesse tirar a bendita foto. Com muito esforço consegui tirá-la, a prova virá noutro post.

O último dia começou com a desmontagem do acampamento. O programa do dia era participar na procissão da Nossa Senhora de Aitara, assistir à missa, metermo-nos no carro e arrancar. O almoço seria junto do riacho que não ficava muito longe do local do acampamento. Inicia-se a procissão e, claro, o repórter Tinoco começa a andar duma ponta a outra a tirar fotos, parecia um profissional. Chegado perto da entrada do Santuário parei com as fotos a fim de me juntar com alguns jovens que vieram comigo. E qual não é o meu espanto quando, de repente, começo a ouvir alguém a rezar o terço em português. Nem pensei duas vezes, aproveitei uma pausa e meti conversa. Cada vez mais tenho orgulho em ser português, nós somos realmente um povo solidário. Mal me apresentei como um português que estava em Timor há duas semanas ela, a menina Helena, perguntou-me logo se estava bem instalado, se precisava de alguma coisa e até me deu o contacto dela caso precise de apoio durante a minha estadia por cá. Uma pessoa fantástica. É por isto que me orgulho em ser português, somos um povo realmente solidário.

Acabadas todas as celebrações regressamos a casa. A paragem no riacho foi muito boa não só para almoçar, mas também para o meu corpo sentir o que já não sentia há 3 dias… água fresca…{#emotions_dlg.happy} Acabado o almoço lá fomos nós em direcção a casa. O nosso carro ia animado, eu ia na parte de trás, de pé. Por cada casa que passávamos as pessoas acenavam-nos e nós respondíamos. Foi incrível, parecia o Papa no Papamóbil a acenar às pessoas. A animação aumentava sempre que nos cruzávamos com outros carros da peregrinação. Como as paragens foram muitas, devido a uma avaria numa das carrinhas, acabamos por nos cruzarmos muitas vezes com os mesmos carros. Num desses cruzamentos, enquanto acenava para o camião, umas raparigas que viajavam nele gritaram “amô”. Passei-me, “Como?! Amor?! Eu até acredito no amor à primeira vista, mas com tanta gente ao mesmo tempo?” – parei para pensar – “Ups! É verdade, amô quer dizer Padre em Tetum…” O meu Ego quase me tramava…{#emotions_dlg.bunny}

Devido à avaria da carrinha, um problema com o radiador, as paragens foram muitas e demoradas, o que deu para continuar a “tentar” meter conversa com o pessoal. Finalmente, e ao fim de muitas tentativas, já nos começamos a entender… numa mistura de Tetum-português-linguagem gestual as conversas, ou o que mais se aproximava disso, começaram a fluir.

A nossa carrinha parecia aquelas carrinhas dos filmes americanos que transportam os grupos corais em que o pessoal só canta música de Igreja com todos aqueles nerd’s… Foi melhor do que esperava, não pelas músicas (prefiro as do meu tlm), mas pela animação…{#emotions_dlg.blink} Com a chegada da noite, chegou também o cansaço. O sono apanhou quase toda a gente, restando só eu e outro frade acordado. Chegados finalmente a casa jantei, tomei um mais que merecido banho e fui à net dar os parabéns ao meu afilhado. {#emotions_dlg.happy} E como sou um padrinho dedicado, ou pelo menos tento, ainda acordei às 5h da manha para lhe dar novamente os parabéns… Com cerca de 3horas dormidas, depois de uma viagem dura como foi, as minhas olheiras eram tão grandes que mal conseguia abrir os olhos… mas foi bom ter visto a minha família toda e em especial o meu pai que já não o via desde o jantar de despedida em família, ainda em Portugal.

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração.{#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 15:22

Quinta-feira, 11.10.12

The Masterchef

Farto de comer sempre massa e arroz acompanhado com frango ou carne de búfalo decidi cozinhar eu… Fantástico, uma massa esparguete com frango estufado…ah! Arroz também, claro, que o timorenses não passam sem arroz. Numa mesa portuguesa o pão sempre à mesa, numa mesa timorense o arroz… sempre esse (falhou-me a rima) {#emotions_dlg.blushed}

Chega o Masterchef à cozinha, começo a preparar tudo. Começar a descongelar o frango, pacote de massa em cima da mesa, polpa de tomate, coentros, noz moscada, alho, azeite e para o estrugido (coisa que eles não fazem)… nada… não há cebola… Pronto, caldo entornado… e agora como vou cozinhar o frango? Como quem não tem cão caça com gato, quem não tem cebolas faz estrugido com azeite e alho… Só sei que no final ficou tudo uma delícia, não sobrou nada… limparam tudo… agora querem que cozinhe feijoada… e porque não, desde que me comprem cebolas… e cenouras também, já gora… {#emotions_dlg.gay}

Ainda me estou a habituar ao fuso-horário… 5h da manha (hora timorense) e ainda sem conseguir dormir… fui praticamente com uma directa para a missa, mas depois compensei tudo passando a manha toda na caminha… ainda bem que os trabalhos indispensáveis são só de tarde…

Hoje foi um dia melancólico e nostálgico para mim, tudo explicado no post anterior… É duro sofrer à distância…

A mamã faz anos, quero falar directamente com ela pelo facebook, logo terei de acordar às 5h para a apanhar a jantar e assim falo também com toda a família… {#emotions_dlg.happy} Estes são os dias mais difíceis, são os que dão mais saudades…

Na sexta vou acampar durante 3 dias… tem a ver com uma peregrinação aqui em Timor. Vou ficar 3 dias sem internet… Por agora não vou adiantar mais nada, mas quando voltar do acampamento irei contar-vos todas as aventuras… Ah é verdade, já tou a aprender umas palavrinhas em tétum… Aos poucos vou lá {#emotions_dlg.blink}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração.

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por missao em timor às 14:43

Quarta-feira, 10.10.12

Chamem o CSI

Acabaram-se as festas e aparece a monotonia… pensei eu, mas não foi bem assim. Uma semana, que ainda vai a meio, marcada por vários eventos e, claro, se estou no meio é porque tem diversão garantida… {#emotions_dlg.happy} Se a parte da manha costumo usá-la para pôr o sono em dia, ainda não consigo adormecer cedo devido ao jet lag, de tarde é que toda a magia acontece…

Começou a formação. É um pouco secante para mim estar a “aprender” o que já me ensinaram há 4 anos atrás no meu primeiro ano de formação como frade, mas tenho que compreender que estou num grupo com 3 novatos que precisam, mais do que eu, de aprender o que é ser frade, porque nos tornamos frades e para que somos chamados a ser como frades. O lanche de segunda-feira foi especial, os acólitos, quer dizer, as acólitas, só raparigas, ajudaram o frei Maximilian (frei indonésio) a preparar um lanche especial feito de papaia e piripiri… Credo o que me aguentei para não largar uma lágrima em frente daquelas crianças… comida indonésia é para se comer com um garrafão de água ao lado, acreditem… {#emotions_dlg.drool} De noite tive um pequeno convívio com as crianças do grupo de carismáticos que me deram um novo apelido, O Gigante… nem o homem mais alto de Laleia consegue fazer-me frente… Sou mesmo grande. {#emotions_dlg.happy} No dia seguinte encontrei um dicionário de Tetum-Português… é agora, vou decorar todas as palavras e falar tétum como um timorense… ah se vou… {#emotions_dlg.happy} Já tenho o plano todo traçado... agora é só esperar que o cérebro faça a parte dele… isso é que vai ser mais difícil, pôr a trabalhar o que está adormecido há uns tempos (isto para não dizer anos)… {#emotions_dlg.happy}

Por favor chamem o pessoal do Supernatural ou do CSI, preciso urgentemente de abrir uma porta e nada está a resultar… Ah! Finalmente, valeu a experiencia da minha primeira casa… Quando queríamos entrar em casa e não havia chave usávamos uma senha de autocarro, neste caso usei o cartão de pontos da BP… Eles aqui não dão desconto… {#emotions_dlg.clown} Porta arrombada, agora toca a abrir a fechadura para ver qual o problema… Eu olhava para aquilo como se realmente percebesse alguma coisa, até que decidi desparafusar aquilo tudo até ver uma peça a sair disparada e foi aí que meti as mãos à cabeça… “estraguei tudo” pensei eu, mas não… lá consegui colocar a peça no sítio e até resolvi o problema da fechadura… saí de lá como um herói… {#emotions_dlg.matrix}

Até gelei quando o superior me disse que ia levar o carro para ir buscar lenha… “O quê? Conduzir ao contrário? Vou-me baralhar nas faixas de rodagem, vou andar em contramão, não vou conseguir pôr as mudanças direito…” foi o que eu pensei… e pode dizer-se que o que aconteceu não foi muito diferente do que pensei. Tive dificuldades em colocar as mudanças, só pensava que tinha que andar “em contramão” e o meu braço direito sentiu-se claustrofóbico de tão colado à porta que estava… é difícil, mas tou a apanhar-lhe o jeito Ainda não andei a mais de 30km/h e mesmo assim já fui muito rápido… parece que tou a tirar a carta pela primeira vez… {#emotions_dlg.happy} E como a vida não são só alegrias, também temos de chorar… Vou sentir muito a tua falta, se estava cheio de saudades tuas agora ainda mais as vou sentir… Penso em ti quase todos os dias, no teu sorriso, na tua forma carinhosa de ser, na tua meiguice… A última recordação que guardo de ti foi da massagem na cabeça que me fizeste durante a viagem de comboio depois de um encontro da Jobifran… Sem te pedir e sem tu saberes do que me queixava começaste a massajar-me a cabeça e à medida que o fazias eu relaxava e sentia-me a flutuar no meio dum céu azul… tudo à volta desapareceu… senti-me livre, senti-me como que a recomeçar tudo de novo… Desde esse momento sempre que estou stressado ou com dores de cabeça são das tuas mãos que me lembro… e recordo aquele momento mágico que só tu me soubeste proporcionar… Obrigado pela tua amizade, simplicidade, pelo teu sorriso e pela tua ternura… Intercede por mim, intercede por nós todos, intercede por toda a família Jobifran que sofre a tua ausência, junto de Deus Pai! So long Marta {#emotions_dlg.cry}

 

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 10:27

Segunda-feira, 08.10.12

"A força armada timorense"

Não a verdadeira força militar timorense, mas uma representação...
Com direito a voz de comando e tudo... "direita, volver" {#emotions_dlg.happy} 

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por missao em timor às 03:44

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