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Missão em Timor

Durante 3 anos estarei a fazer uma missão em Timor, pela Ordem dos frades menores capuchinhos, e neste blog tenciono contar todas as minhas aventuras e a percepção que vou tendo dos acontecimentos, tudo de uma forma peculiar que só eu sei viver :D



Domingo, 28.09.14

Eis-me aqui, Senhor, para fazer a tua vontade.

Olá amiguinhos, o frei Luan é um frade sacerdote natural do Vietname, mas a residir, desde os 15 anos, na Austrália. Ele veio para Timor em Agosto para apoiar a nossa missão de implementação da nossa Ordem em Timor-leste. Com uma fácil adaptação a Timor e fácil aprendizagem do português e do tétum, as nossas aventuras juntos começaram logo a surgir, deixo-vos aqui o relato:

 

Frei Luan vs frei Tinoco – Primeiro round:

(Uns dias depois de ele ter dito que gostava de Noddles)

Eu – (mostrando-lhe uma caixa) – Frei veja o que eu comprei.

Ele – (a olhar para a caixa com ar de quem não está a perceber nada) – E isso é o quê?

Eu – Veja bem…

Ele – Nop, ainda não percebi…

Eu – Comprei Noodles para amanhã ao jantar…

Ele – E?!

Eu – São Noodles, não é você que gosta de Noodles?

Ele – Ya, não é mau…

Eu  – {#emotions_dlg.snob}

 

Frei Luan vs frei Tinoco – Segundo round:

(No dia seguinte)

Eu – Frei como é que se cozinham os Noodles?

Ele – Vê as instruções na caixa…

Eu – Está em holandês, não percebo nada e a única pessoa que conheço que me poderia traduzir isto para português está no Brasil e de certeza que a esta hora não está ligada no fb… Você não sabe cozinhar Noodless?

Ele – Não, só comê-los…

Eu - {#emotions_dlg.snob}

 

Frei Luan vs frei Tinoco – Terceiro round:

(Eu na cozinha a preparar o almoço, entra o frei Luan na cozinha)

Ele - Tlm em cima do balcão e não estas a ouvir musica?
Eu - Nem sempre tenho vontade, hoje prefiro o silencio. Prefiro perder-me nos meus pensamentos...
Ele - Ah (faz uns segundos de silencio) Estas doente?
Eu - Não, estou com sono {#emotions_dlg.snob}

 

Frei Luan vs frei Tinoco – Quarto round:

(Eu a cozinhar. Entra o frei Luan na cozinha, mais uma vez)
Ele - (Ar feliz e admirado) Já não estas doente?

Eu - ?!
Ele - Estás a cozinhar com musica...
Eu - {#emotions_dlg.snob}

 

Frei Luan vs frei Tinoco – Quinto round:

(Enquanto lavávamos a louça após o almoço)

Eu – Frei, pode fazer café, por favor?

Ele – Café? Sim, é bom, faz.

Eu – Você fazê-lo.

Ele – (Pega na thermus do café e abana percebendo que tem liquido lá dentro e abre) Este não presta, este frio…

Eu – Eu sei, é para você fazer o café

Ele -  Mas este não, este frio…

Eu – CAN YOU MAKE SOME COFEE FOR US PLEASE?

Ele – Ah! Para eu fazer café… pode ser… tens de falar de vagar para eu perceber melhor…

Eu – Eu estava a falar devagar… {#emotions_dlg.snob}


Não tenho hipóteses com este frade, mas estou entusiasmado com a vinda dele para cá, muito divertido, sempre à procura de criar o melhor ambiente possível para a fraternidade e incansável no trabalho, tanto pastoral como na quinta.

 

Mas continuando a minha aventura, Chegamos provavelmente ao dia mais importante para mim da minha vinda para Timor, o dia em que renovei os meus votos religiosos e disse, com toda a firmeza, “Sim, quero continuar a fazer parte desta grande família que é a Ordem dos frades menores capuchinhos e continuar a servir a Deus através dos caminhos que Ele traçou para mim e seguir a Jesus Cristo ao jeito de S. Francisco de Assis”.

Foi no dia 1 de Agosto de 2013, quinta-feira. Após o almoço, eu, o frei Fernando, o frei Isidóros, o frei Rafael, o frei John e o frei Agostinho rumamos para Laleia para realizarmos a nossa tão esperada renovação. Renovei juntamente com o frei Rafael, frei John e o frei Agostinho. Chegamos a Laleia por volta das 16h e começaram aí os preparativos para a renovação. A nós não nos diziam nada, nem deixavam que nos envolvêssemos nos preparativos. Ainda tentei voluntariar-me à força, mas o frei Fernando disse logo “Tem calma, está tudo controlado, só preciso que preenchas a acta das profissões, mais nada”. Fui escrever a acta, estava com tanto medo de me enganar ao copiar o texto a partir de um texto modelo que em vez de copiar o texto frase a frase copiava letra a letra… durou a terminar, apesar de não preencher uma página inteira, mas consegui… {#emotions_dlg.clown}

Os outros rapazes seguiram-me o exemplo, mas mais descontraídos, pelo menos aparentavam… chegou o momento solene, foi por volta das 18h. A fraternidade de Laleia reuniu-se, juntamente com os que vieram de Tibar, na capela da fraternidade para a celebração da Santa Missa e o acto pelo qual eu muito aguardava, a renovação dos votos. Enquanto a hora da missa não chegava eu fui meditando em todo o percurso da minha vida como franciscano capuchinho, desde o momento em que senti o chamamento divino até este dia… Várias fases se passaram, momentos de grande alegria, de grande espiritualidade e de entrega na continuidade da obra salvífica de Deus eu vivi, mas também momentos de tristeza, alegria e dúvida. De nenhum destes momentos me arrependo de os ter vivido. Se os momentos altos de alegria e proximidade com Deus me fizeram ver onde está a verdadeira felicidade, os momentos de tristeza e angústia me provaram que Deus nunca me abandonou em nenhum momento da minha vida fazendo-me sentir o que é verdadeiramente a perfeita alegria. Dúvidas sempre as terei, mas a certeza de que Deus me chamou para o servir na simplicidade franciscana e no amor a todas as criaturas faz-me superar qualquer dúvida, qualquer tristeza, qualquer angústia, faz-me sonhar e voar, faz-me ser livre para a todos me dar, faz-me deixar todo o conforto e segurança de um lar, de uma família, para abraçar um mundo, um mundo que nos acolhe de braços abertos, um mundo ao qual damos tudo o que temos e somos, pois sabemos que o fazemos por amor Àquele que o criou, Deus Pai Todo-Poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Em 2004 plantei a semente quando aceitei o desafio de Deus para me tornar Seu servo na Ordem dos frades menores capuchinhos, agora estou a recolher os frutos de 30, 60, 100 (Cf. Mt 13,8) “Larguei” uma mãe, para abraçar todas as mães do mundo, “deixei para trás” quatro irmãos, para me tornar irmão de toda a humanidade, neguei dar netos à minha mãe, mas tornei-a mãe de 11mil filhos, pois como disse S. Francisco “A mãe de um frade é a mãe de todos os frades” e neguei fazer a minha vontade, para fazer a vontade daquele que me criou e formou, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Após a celebração dirigimo-nos todos para o refeitório para continuar a festa com um jantar. O frei Max até matou um galo em nossa honra… coisa rara… {#emotions_dlg.inlove} É nesta altura que percebo a riqueza de ter irmãos… {#emotions_dlg.happy}

 

 

Espero que tenham gostado.

Paz e bem amiguinhos! Continuaremos juntos na oração e no coração. {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 04:35



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