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Missão em Timor

Durante 3 anos estarei a fazer uma missão em Timor, pela Ordem dos frades menores capuchinhos, e neste blog tenciono contar todas as minhas aventuras e a percepção que vou tendo dos acontecimentos, tudo de uma forma peculiar que só eu sei viver :D



Sexta-feira, 07.02.14

Aqui trabalha-se quer faça chuva, quer faça sol...

Olá amiguinhos! Feliz ano novo! Nunca é tarde para se desejar e ainda só passaram cerca de 38dias que ele começou, ainda faltam cerca de 327 para terminar… {#emotions_dlg.bunny}

Depois de uma semana a beber do carisma e da fé da Mana Lu deu-se início ao segundo semestre de aulas. Se em Portugal, pelo menos na Universidade, os professores seguem a máxima do “prima non datur”, ou seja, na primeira aula não se dá matéria, aqui os professores decidiram ser um pouco mais radicais em relação a esta máxima, eles não se limitam a não dar matéria na primeira aula, eles não dão mesmo aulas… uma semana depois e ainda não conhecia nenhum dos meus novos professores… parece que é moda por cá, parece que nas outras Universidades também fazem o mesmo… Mas o que interessa é que ao fim de duas semanas a coisa normalizou-se.

Depois de termos celebrado a festa mais importante do mês de Junho, o meu aniversário (ahahah :P) começamos a preparar outra grande festa que os lisboetas muito gostam, o S. João do Porto… ahahah brincadeira outra vez, estou a falar, pois está claro, da festa de Sto. António de Lisboa. Não sendo o patrono principal da estação missionária de Tíbar, tem, pelo menos, uma Igreja dedicada a ele. Para ajudarmos a comunidade dessa capela a se preparar melhor para esta festa, no dia 12 decidimos passar um filme sobre a vida de Sto. António dobrado em brasileiro. Eu ficaria responsável pela parte informática e de som e os outros frades pela logística. As dificuldades começaram a surgir quando se começou a pensar em como iriamos apresentar o filme. 1º - Não havia uma sala própria para o fazer e 2º - Aquela aldeia ainda não tem electricidade própria, funcionam com um gerador que o ligam ao final da tarde e o desligam por volta das 23h. Se o primeiro problema se resolveu facilmente com uma sessão de cinema ao ar livre, o segundo problema deu mais que pensar, e se o gerador não aguenta com tanta tecnologia? Se ele mal aguenta com uma lâmpada acesa em cada casa, como vai aguentar com um portátil e um data show? Como a população dizia que era possível e que até, inclusive, ligavam todas as noites uma televisão para verem as notícias, nós confiamos e lá fomos nós… É claro que tínhamos um plano de contingência, se não aguentasse com a nossa tecnologia, ligávamos a televisão e passávamos lá o filme…

Estávamos todos prontos, prendemos um lençol branco à parede de uma casa para fazer de tela, as pessoas estavam sentadas no chão coberto de relva e o gerador e os aparelhos electrónicos estavam ligados e a funcionar correctamente, só faltou o sol apagar a luz para que a projecção ficasse nítida… 2horas depois de esperarmos pelo anoitecer o filme começou. O filme era em português/brasileiro, todos estavam em silêncio, homens, mulheres e crianças, todos estavam a gostar e se divertiam com o filme, mas ninguém percebia nada do que diziam… ou, pelo menos, a maioria das palavras… Estava tudo a correr de forma perfeita quando começaram a surgir os problemas… primeiro foi a humidade, fiquei assustado quando começo a ver o meu portátil, o amplificador e o data show completamente molhados devido à humidade e sem maneira de os poder proteger, depois foi o gerador que começou a dar uma de preguiçoso. De repente foi tudo a baixo, o gerador desligou-se… o responsável pelo gerador foi logo ver se era problema de gasolina, mas não, ainda tinha bastante… ligaram outra vez o gerador e o filme recomeçou… e 5min depois, puuummm, tudo abaixo outra vez, comecei a ficar preocupado, o data show não pode ser desligado assim tão bruscamente, e comecei a ficar preocupado… voltou-se a ligar tudo e, passados 5min, a mesma situação… Aí já intervim e disse que se o gerador voltasse a desligar-se que teria de cancelar o filme, pois não poderia arriscar a estragar um material tão caro… aí já interveio a população, não queriam ficar com o filme a meio, tinham de o ver até ao fim e assim decidiram ir desligar todas as lâmpadas, rádios e tv’s ligados em suas casas para que o gerador só funcionasse para o projector e o portátil… depois de resolvido esse percalço vimos o filme até ao fim e sem mais nenhuma interrupção. No final, e é o que interessa, as pessoas ficaram alegres e satisfeitas por conhecerem um pouco mais da história do padroeiro da sua capela, mesmo não tendo percebido o que se disse no filme… {#emotions_dlg.smile}

A preparar a tela

 

À espera que o sol se pusesse para começar o filme.

 

No dia 14 de junho deu-se inicio a mais uma etapa de formação à comunidade de Tíbar. Durante um mês todas as capelas iriam ter alguém que lhes orientasse uma Letio Divina (leitura e meditação da bíblia). A mim calhou-me a capela de Lebuloa. Estava assustado, eu ainda mal falava o tétum, só sabia dizer meia dúzia de frases, como iria orientar uma Letio Divina para um público que sabe tanto de português como eu de tétum (ou se calhar até menos)? Deixei que o Espírito Santo fizesse a sua parte e não é que fez mesmo?! Devagarinho, com alguma dificuldade, com pessoas a olhar com cara de caso para mim e outras a conterem-se para não se rir, lá consegui comunicar com eles e orientar, de forma impecável, a Letio Divina, onde todos participaram intervieram… A cada encontro (cerca de 4) o grupo aumentou. Inicialmente comecei com cerca de 12 elementos e, na última sessão, já contava com cerca de 20 participantes. Foi uma experiência muito boa que tive pena de ter durado apenas um mês… {#emotions_dlg.ok}

Aqui em Timor trabalha-se sempre, faça chuva ou faça sol… e se normalmente se desespera quando estamos no campo a trabalhar, porque o calor é muito no dia 22 de junho foi mais o contrário, a gente desesperou, porque estava a chover torrencialmente e o frei Fernando não queria que deixássemos o trabalho a meio, começando ele por dar o exemplo trabalhando duro como se o tempo estivesse limpo… a chuva era tanta que mal conseguia ter os olhos abertos para poder trabalhar… curioso é que passados cerca de 30min de termos terminado o serviço a chuva parou… Deve ter sido para receber o frei John e o frei Rafael que regressaram de Portugal para um tempo de férias e também para renovarem os seus votos religiosos por mais 1 ano. Como eu também precisava de renovar os meus juntei-me à festa (depois conto-vos os pormenores)… :D

Bom, amiguinhos, o mês de junho foi talvez o mês mais espiritual que tive cá em Timor. Tive o prazer de conhecer a Mana Lu e beber da sua espiritualidade e passei a conhecer o significado (à letra) da expressão “vou fazer isto quer faça chuva quer faça sol”… apesar de preferir um tempo mais moderado… {#emotions_dlg.snob}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração!{#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 02:54



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