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Missão em Timor

Durante 3 anos estarei a fazer uma missão em Timor, pela Ordem dos frades menores capuchinhos, e neste blog tenciono contar todas as minhas aventuras e a percepção que vou tendo dos acontecimentos, tudo de uma forma peculiar que só eu sei viver :D



Terça-feira, 11.06.13

Pequena homenagem a um grande missionário...

Olá amiguinhos! Desculpem ter ficado tanto tempo sem dar notícias, tive cerca de 15 dias para preparar e fazer 6 exames (de 17 a 31 de Maio) e depois disso entrei em dois retiros que duraram a semana toda. Fiz anos no Domingo passado (dia 2) e posso dizer que tive das melhores prendas que me podiam ter dado aqui em Timor. Uma ida à praia com respectivo banho. Sim, finalmente mergulhei nas lindas, limpas e quentes águas de Timor. O senão é que por baixo da água, em vez de areia, como é normal nas nossas praias portuguesas, tem pedras e o resultado foi um calcanhar magoado que, quase uma semana depois, ainda me dói, mas valeu mesmo a pena {#emotions_dlg.happy}(a seu tempo contarei melhor esta aventura)

Tendo terminado todas as festividades pascais e visto que ainda faltavam 4 dias para começarem as aulas, o frei Fernando, o nosso formador principal, decidiu conceber 3 dias de férias aos pós-noviços para poderem visitar a família, excepto a mim, visto que 3dias, no máximo, dariam para aterrar no aeroporto de Lisboa, vir cá fora, dizer “Olá mãe. Adeus mãe. Beijos.” E voltar a embarcar de volta a Timor e talvez não chegasse a horas para o jantar no 3º dia. {#emotions_dlg.bunny}Ainda me chegou a perguntar se queria ir a Laleia, mas eu recusei para poder cobrir as necessidades da fraternidade, nomeadamente as o que mais detesto fazer, cozinhar... É que não é só pelo trabalho que dá ter de descascar cebolas e alhos, é também porque me aleijo sempre que cozinho, se não é uma faca que me abre um dedo é uma panela que decide marcar-me os dedos, tenho-os todos queimadinhos… Estas foram as últimas queimadelas…

Na sexta-feira, dia 5 de Maio (tão atrasado que vai o blog), os nossos formando postulantes vieram a Tíbar, a fim de participar num encontro de formação para todos os postulantes da família franciscana. Como eles são 4 e a casa ainda não tem assim tantos quartos para acolher tanta gente combinou-se partilhar os quartos. Como cada quarto tem dois beliches dividiu-se duas pessoas para cada quarto, ficando dois quartos a serem ocupados por nós (os pós-noviços) e dois pelos postulantes. Cada um ficou responsável por preparar o seu quarto. Durante a tarde de 5ª feira (dia 4) decidi pôr mãos à obra e pôr o quarto a brilhar. Nunca vi aquele quarto tão limpo como ficou naquele dia, parecia novo… Na sexta-feira, quando chegaram os postulantes, distribuíram-se os quartos e percebi que ninguém queria partilhar o quarto comigo. Ainda pensei que fosse por cheirar mal dos pés, ou por ressonar muito alto, mas afinal são eles que têm vergonha de partilhar o quarto com um estrangeiro… Eu agradeço, porque gosto da minha privacidade, mas eles é que perderam a possibilidade de assistir a um grande filme do Van Dame, actor que eles tanto admiram :P Durante a tarde aproveitamos a estadia deles por cá para os desafiar para uma partida de futebol inter-fraternidades, com a fraternidade de Tíbar a ganhar por 10-5. Neste jogo fiquei o tempo todo a guarda-redes (não tive vontade de correr), por isso não marquei nenhum golo para vos poder dedicar, desculpem! {#emotions_dlg.blushed}

Uma semana depois, sexta-feira dia 12, os postulantes regressaram à nossa fraternidade para dar continuidade ao encontro de formação que começaram no fim-de-semana passado. Desta vez não quiseram ser humilhados e até vieram com a desculpa de “ah e tal, não temos chuteiras para jogar futebol…” que por acaso até é verdade, temos campo, temos bola, mas falta-nos equipamento. Num dos nossos jogos houve mesmo que jogasse de chinelos e, mais caricato ainda, houve quem jogasse de galochas por não ter calçado para jogar… cheguei mesmo a ver esquerdinos e destros a partilharem as chuteiras para poderem chutar mais à vontade… Estou mesmo a pensar tentar convencer o Pinto da Costa e o Luís Filipe Vieira para ver se nos financiam uns equipamentos… Se as equipas italianas fazem isso com os frades capuchinhos de Cabo-verde, porque não os portugueses fazerem isso com os frades capuchinhos de Timor?! Não custa ajudar quem é de Ti…Mor… {#emotions_dlg.lol} E nem vou pedir equipamentos novos, ficamos contentes se nos enviarem os equipamentos de treino de épocas passadas que já não usam… é um sonho que um dia, se Deus quiser, se poderá concretizar… quem sabe… {#emotions_dlg.unknown}

Estava a brincar, os postulantes não ficaram com medo de voltar a jogar contra nós, até o faziam descalços, se fosse preciso, nós é que “fugimos” deles assim que o almoço de sexta-feira acabou. Como tinha sido programado no início do ano, a fraternidade de Tíbar teve o seu Capítulo local (encontro periódico de toda a fraternidade para programar as actividades pastorais e limar algumas arestas que sejam preciso nos assuntos internos da casa). Ao contrário do que é habitual, fomos fazer o nosso capítulo fora de casa, na última aldeia de Tíbar, Lebuloa. Mal acabamos de almoçar e lavar a louça arrancamos logo para lá. A viajem até se faz tranquilamente, apesar de a estrada não estar em muito bom estado. Chegando lá estava a família responsável pela igreja (por acaso até mora mesmo em frente) à nossa espera, parece que nos esperavam desde manhã cedo… Enquanto davam os últimos preparativos na sala da reunião aproveitei para conhecer a zona e reparei nuns miúdos, provavelmente no intervalo das aulas, a jogar à bola. Eram cerca de 20 miúdos, incluindo raparigas, a fintarem, passarem a bola e a marcarem golos como o Cristiano Ronaldo, quer dizer, passar a bola como o CR7 é difícil, porque ele não o faz, mas isso são outras histórias… {#emotions_dlg.tongue}Enquanto assistia àqueles miúdos a jogar à bola lembrei-me dos meus tempos de escola, era tal e qual, todos a jogar à bola e eu a assistir é preciso alguém para dar apoio moral, pelo menos é o que s meus colegas me diziam… Eu nunca fui muito dado ao desporto, cansa muito… {#emotions_dlg.tired} No final da reunião a família que nos acolheu ofereceu-nos um grande lanche, que mais parecia jantar, o pior é que ofereceram bacalhau, logo a comida que mais detesto… Felizmente tínhamos trazido umas bolachas de casa, o qual seria o nosso lanche se este povo não fosse tão generoso, que deu para eu me entreter… {#emotions_dlg.confused}

Chegamos a casa ao fim da tarde, mais tarde até que a hora prevista, e com uma única coisa em mente… Temos que preparar uma despedida em grande para o frei António, toda a sua dedicação e carinho para com o povo timorense o merece… O frei António é um frade missionário português da nossa Ordem que esteve cerca de 4 anos em Timor, na nossa comunidade de Tíbar a apoiar no serviço pastoral. Criou uma escola de música onde ensinou várias crianças a tocar flauta, e que bem que elas tocam, e criou também uma pequena turma a quem dava aulas de português. As crianças adoravam estas actividades e, principalmente, todo o carisma, entusiasmo e amor com que o frei António se entregava a estas actividades. Todos os anos o número de inscritos aumentava, uns persistam até ao fim, outros, dando mais prioridade a outras actividades, acabavam por sair, mas o mais importante é que todos os anos havia sempre caras novas a bater-nos à porta e a pedir ao frei António que os deixasse entrar tanto na escola de música como na turma de português. Foi um missionário sempre atento às necessidades da população e sempre disponível para ajudar quem necessitasse. Como temos um poço, as pessoas que não têm água canalizada aproveitam para vir cá buscar água, o frei António, ao ver que as condições para tirar a água não eram as melhores, decidiu angariar fundos e construir uma fonte a fim de dar alguma dignidade, e higiene também, às dezenas de pessoas que diariamente vêm cá buscar água para as suas necessidades diárias. Dentro da fraternidade procurou sempre empregar os seus conhecimentos na melhoria das condições da casa, tratando muito bem da nossa quinta e, principalmente, nunca guardando os seus conhecimentos para si, mas transmitindo-os a quem com ele trabalhava. Muita coisa se poderia dizer do frei António, provavelmente daria para escrever um novo blog. Foi uma despedida emotiva e mais significativa se tornou pela presença de todos os frades e candidatos do qual ele foi formador. Esperemos que daqui a um ano, pelo menos, ele possa regressar. Tal como disse o frei Isidóros no discurso de despedida “Vai bem e volta melhor”.

PS: O frei António é o katuas (o mais velho), lado esquerdo da mesa, de barbas brancas...

 

Espero que tenham gostado. Um mês sem publicar é muito tempo, mas agora que os stresses dos exames acabaram vou começar a publicar com mais frequência. Ah, é verdade, tenho uma boa notícia para vos dar, tive 19 a Filosofia do conhecimento e logo eu que não gosto muito de Filosofia. As outras notas ainda não sei… {#emotions_dlg.sarcastic}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração! {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 10:45



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