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Missão em Timor

Durante 3 anos estarei a fazer uma missão em Timor, pela Ordem dos frades menores capuchinhos, e neste blog tenciono contar todas as minhas aventuras e a percepção que vou tendo dos acontecimentos, tudo de uma forma peculiar que só eu sei viver :D



Sexta-feira, 08.03.13

Historinhas da avó...

Olá amiguinhos! No dia seguinte à chegada do Concelheiro Geral, no Domingo 17, fizemos o nosso primeiro passeio oficial do pós-noviciado. Acontecerá uma vez por mês e tem como fundamento não só passarmos uma tarde todos juntos, mas também conhecermos melhor Timor, pelo menos eu {#emotions_dlg.clown} Em Junho, cabe-me a mim organizar, só não sei ao certo aonde irei, mas provavelmente será à praia. Fomos visitar o monumento que, desde que soube que vinha para Timor, todos os meus amigos que já passaram por cá me incentivaram a visitar. A estátua de Cristo Rei de braços abertos, virada para o mar, igual à estátua que temos em Portugal. Primeiro fomos deixar o frei Fernando em casa de uma irmãs indonésias a fim de participar numa reunião, depois peguei no carro e foi sempre a abrir… e lá ia eu a conduzir cheio de estilo, de sandálias nos pés, calções de ganga, camisa com o último botão aberto para se ver os pelos do peito (mesmo à tuga), óculos de sol e chapéu… musica sempre a bombar e a conduzir a alta velocidade 30/40km/h, nalguns troços ainda deu para chegar aos 50km/h, mas para evitar as multas por excesso de velocidade não abusei… Estou a brincar, a estrada para Cristo Rei tem tantos buracos que no dia que fizerem um metro subterrâneo não vão precisar escavar muito… e lá ia eu a conduzir cheio de estilo, com uma mão no volante, outra apoiada na janela do carro e a mirar as pessoas que estavam nas praias ao longo da costa marítima… Tenho-vos a dizer que não vi praias tão maravilhosas e tão desvalorizadas como as de Timor. Neste país há muito por onde investir, principalmente no que se refere ao turismo.

Estava ainda eu maravilhado a apreciar a costa marítima quando chegamos ao local. Estacionei o carro num local próprio para estacionamento e foi aí que me comecei a arrepender de ter dito que queria visitar Cristo Rei. É que nós estávamos em frente à praia e a estátua fica no topo da montanha, ou seja, iria ter de subir e muito para lá chegar… Toda a zona está muito bem preparada, tem uma calçada para se pode passear, sítio para sentar, relaxar e merendar, vendedores ambulante e um bar com música para dançar. Para se chegar ao Cristo Rei é preciso subir uma escadaria (e nada pequena). As escadas são grandes, largas, bem pintadas e, ao longo da escadaria, uma via-sacra pintada embutida na parede. Comecei a subir cheio de vontade, até que nunca mais via o fim. Passados 15min de caminhada pergunto mais ou menos quanto tempo dura a subida e me dizem que é cerca de 1:30h… Ia tendo um ataque cardíaco, tanto tempo a subir escadas?! Não estava habituado, ia morrer pelo caminho e o pior é que, se eu não fosse para o carro mais ninguém podia ir para casa, porque só eu é que sei conduzir… à medida que íamos subindo as escadas íamos conversando, contando umas piadas, trocando umas experiências e quando dou por mim lá estava eu frente-a-frente com a estátua… Afinal a 1:30h que me falaram não passou de 45min… Tirei as mais maravilhosas fotos que poderia tirar em Timor, deliciei-me com as excelentes paisagens deste país e vi a praia mais maravilhosa que alguma vez vi na vida (ao vivo, porque nos postais já vi muitas maravilhas). O meu espanto foi vê-la deserta. Perguntei se aquelas praias estavam desertas por dificuldades de acesso, mas ao que parece elas estão desertas, porque o timorense não é grande adepto de praias… podem ficar chocados, sim, eu também fiquei chocado quando me disseram isso… Aqui vão algumas dessas maravilhas:

Durante a tarde tive a primeira grande oportunidade para dar um mergulho, tinha a tarde por minha conta, o mar mesmo em frente e estava de calções de banho. Mas não foi desta que entrei totalmente no mar, só molhei os pés. Eu estava cansado de ter subido até ao Cristo Rei, não estava ninguém na água, o tempo não estava nada convidativo para mergulhos, ameaçava chover e nenhum dos rapazes estava com vontade de me acompanhar no mergulho. Com tantas contradições decidi fazer aquilo que mais gosto de fazer quando estou aborrecido, tirar fotos. J O regresso a casa foi tranquilo, a velocidade manteve-se reduzida, acho que o regresso foi ainda mais lento que a ida, o estilo à Zezeca Marinha mantinha-se e no rádio bombava o melhor do rock dos anos 60, 70 e 80… Foi conduzir e dançar como se não houvesse amanhã… J Durante o regresso paramos para ir buscar o frei Fernando e chegamos a casa completamente esgotados de uma agradável tarde bem passada J

A semana seguinte foi semana de despedidas, umas definitivas, outras temporárias. O Concelheiro Geral colocou a mochila às costas e continuou a sua visita às várias províncias capuchinhas na Ásia. A próxima paragem será o Japão. Nesse mesmo dia, o Provincial frei António Martins rumou até Laleia a fim de visitar a nossa outra fraternidade para também conversar com os frades que lá residem.

Estava eu a jantar todo contente, com as conversas normais que vamos tendo durante as refeições, quando de repente sinto o meu prato a fugir da minha frente e a alguém a abanar a minha cadeira. Como estávamos todos sentados comecei a ficar assustado. Visto que não podia ser nenhuma brincadeira dos frades presentes comecei logo a lembrar-me das histórias paranormais que me contaram. Como ninguém comentava nada pensei ser o único a senti-lo, comecei a questionar-me porque os fantasmas (caso fossem mesmo eles) me estariam a fazer aquilo, porque não me deixavam comer, porque me estavam a abanar daquela maneira, podia apanhar um congestão… se ainda fosse de noite na cama, até poderia servir para ajudar-me a adormecer (quem não gosta de dormir embalado?!). A seguir reparo que não é só a minha cadeira que abanava, mas a casa toda até que começaram os primeiros comentários… primeiramente questionámo-nos o que se estava a passar, de seguida vieram as primeiras teorias, e mais acertadas que as minhas. Era um sismo… a intensidade não foi muito grande, mas deu para sentir… acabado o abalo todos nos rimos e voltamos ao nosso saboroso jantar {#emotions_dlg.happy}

Fui à biblioteca pegar um livro para ler, no meu pouco tempo livre, quando deparo com um livro interessante sobre a cultura dos nossos antepassados. É um livro da editora Europa-América e chama-se “Contos populares portugueses”. Decidi lê-lo não só para conhecer mais sobre a cultura dos nossos antepassados, mas para ver se reconhecia algumas das histórias que a minha tia me costumava contar (encontrei duas, mas um pouco distorcidas). Abri o livro à sorte e foi esta a primeira história que encontrei:

 

OS FRADINHOS PREGADORES

Uma vez, eram dois fradinhos que andavam a pregar pelo mundo e anoiteceu-lhes no meio de um monte. Viram reluzir numa casinha. Foram lá bater para os deixarem passar a noite.

Na casinha moravam uma velhinha e o seu neto. Os frades pediram para lá dormir e ela respondeu que sim, mas que era muito pobrezinha e não tinha onde os deitar.

Eles não se importaram, dizendo que até podiam ficar sentados a um cantinho. Entraram e puseram-se ao lume.

A velha tinha lá uns ovinhos e deu-lhos, para eles não ficarem sem ceia. Mesmo assim, não havia azeite para os fritar. Porém, os fradinhos responderam que eles aqueceriam os ovos no borralho. Depois começaram a cuspir-lhes e só então é que os puseram ao lume.

O neto da velha estava muito admirado e perguntou para que cuspiam nos ovos. Os fradinhos responderam que era para eles não estoirarem. E de pronto o rapaz:

- Se os senhores cuspissem no rabo da minha avó, é que era, pois toda a noite estoira!... {#emotions_dlg.happy}

Depois desta história só queria era ler o livro todo. Esta história dedico-a à minha tia que muitas outras me contou.

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração! {#emotions_dlg.heart}

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