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Missão em Timor

Durante 3 anos estarei a fazer uma missão em Timor, pela Ordem dos frades menores capuchinhos, e neste blog tenciono contar todas as minhas aventuras e a percepção que vou tendo dos acontecimentos, tudo de uma forma peculiar que só eu sei viver :D



Quinta-feira, 28.02.13

1,2,3 e força maestro...

Olá amiguinhos! Este mês tem sido cheio de visitas, ora são irmãs que decidem aparecer por cá, ou são amigas voluntárias que vêm cá matar saudades, tivemos também a visita do Provincial… muita gente… E agora tivemos outra visita muito importante, o nosso Concelheiro Geral para as províncias franciscanas capuchinhas na Ásia. Traduzindo por miúdos, é o delegado do Ministro Geral (O manda-chuva dos Franciscanos Capuchinhos) que tem como função transmitir-nos as mensagens que o Ministro Geral tem para nós e de lhe fazer chegar as nossas mensagens. O Definidor Geral chama-se César Aquino e é filipino.

A parte da logística estava toda preparada, mas faltava um pormenor muito importante, saber que línguas ele falava. Começamos a raciocinar e lembramo-nos que as filipinas foram uma colónia espanhola no tempo do reinado de D. Filipe (daí o nome da ilha), logo o espanhol seria uma das línguas que ele falaria, o que já era uma grande vantagem… Mas foi nesse mesmo instante que o frei Isidoros nos lembrou que muito provavelmente a única língua falada pelo Conselheiro Geral seria mesmo o inglês e que o espanhol já não faz parte da cultura linguística das Ilhas Filipinas… Resumindo: Só eu e o frei Isidoros é que poderíamos comunicar com ele… {#emotions_dlg.sidemouth}

A chegada do frei César Aquino estava prevista para dia 16 de Fevereiro. Estávamos todos a postos. Os freis Isidoros, António Martins e Fernando foram busca-lo ao aeroporto, enquanto na casa eu e os freis António Pojeira, Nicolau, Agostinho, Gesuíno e Manuel ficamos a preparar a sua chegada. Ela estava prevista para as 14:30h. A mesa estava posta com umas bolachas simples e outras com recheio, pacotes de chá, água quente, água fresca, sumo e café, um requinte. Estávamos todos a postos para o receber, o frei Nicolau segurava o Tais para lho entregar, o frei Gesuíno tinha consigo a viola e eu a máquina fotográfica (como sempre). Meia hora depois e nenhuma notícia do frei César. Lá fora chovia torrencialmente, na soalheira da casa tirava-se sortes para ver quem ia, com um guarda-chuva, acompanhar o frei César do carro até à casa (eu estava safo por ser o fotógrafo) e o cansaço da espera já se começava a sentir. Chegaram a passar um ou dois carros em frente à casa (o que é raro), mas não era o carro desejado… A ansiedade aumentava até que o frei António nos disse “Vamos para dentro fazer a nossa oração da tarde… O avião atrasou-se”… E lá fomos nós todos desanimados… {#emotions_dlg.cry} Acabamos a oração e nem sinais do frei César... De repente ouve-se um barulho de carro, vai tudo a correr para a entrada da casa, era o nosso carro, a expectativa era grande, a chuva já tinha parado. O carro entra para junto da porta de entrada da casa, as portas do carro abrem-se e começam a sair os primeiros frades. Primeiro saiu o frei António Martins, de seguida foi o frei Fernando e depois… Os nossos olhos colam-se ao carro, todos nos perguntávamos quando é que ele sairia, os segundos transformam-se em minutos… Até que, depois de tanta ansiedade, o carro avança em direcção à garagem, chegamos que o frei César iria entrar pela porta traseira por ser mais fácil transportar as malas até ao quarto onde se iria hospedar, mas não… ficamos todos desiludidos, a expectativa de ver o Conselheiro Geral era muita, mas não seria neste dia que o veríamos… Pelos visto o avião teve de ser desviado para a Indonésia devido às más condições climatéricas… 

No dia seguinte a mesma dose, o frei Isidóros andava em contacto com a companhia aérea para saber pormenores do voo. Não lhe garantiram horas, mas disseram que era de manhã… Como era domingo, fomos logo cedo para a missa… terminada a celebração os freis Isidóros e António Martins foram esperar o frei César ao Aeroporto, o frei Fernando foi celebrar fora enquanto os restantes ficamos em casa a preparar a chegada do Conselheiro. Desta vez aconteceu tudo como tínhamos planeado, no minuto seguinte à chegada do frei Fernando chegou, finalmente, o carro que trazia o frei César Aquino. A expectativa para saber como era ele era grande, o frei António Martins saiu do carro e logo de seguida, como uma estrela de Hollywood, saiu o Conselheiro Geral. Primeiro ficamos admirados por ver uma pessoa branca, um quanto forte e cara quadrada tipo o velhote do filme ‘Up – Altamente’.

Depois ficamos paralisados e com cara de parvos a olhar para o frei César como se esperássemos que algo acontecesse. Lembramo-nos que tínhamos uma música preparada para a recepção dele e começamos a cantar o ‘Bem-vindo, bem-vindo’ que depois teve de ser traduzido para inglês para que ele pudesse entender. A minha máquina fotográfica não parava de disparar, sempre a tirar fotos… sempre à procura da foto ideal (e ainda a procuro) e aproveitando uma desculpa para não cantar (não tenho propriamente uma voz de rouxinol). Deu-se a entrega do Tais e a devida apresentação individual, isto ainda de manhã, por volta das 12:30h.

Depois do almoço fez-se uma Tour pela casa, deu-se a conhecer o horário da fraternidade e programou-se o horário da sua visita, ou seja, quando ia falar com os frades, com quem ia falar, quando ia visitar os Bispos, basicamente o que iria fazer na semana que ia passar connosco.

Na segunda-feira o frei César foi visitar o Bispo de Maliana, o que durou o dia todo pois só a viagem de ida são 5h, e no dia seguinte começou o encontro com todos os frades. Foi um encontro comunitário. Quando se reuniu connosco (os pós-noviços) tive de fazer de tradutor, pois mais ninguém sabia falar inglês… O difícil não foi traduzir do inglês para o português, mas o contrário… Traduzir expressões tipicamente portuguesas para inglês não é assim tão fácil como pensava… Traduzo do inglês para o português, sem grandes dificuldades, a letra de uma música, um artigo, um livro, qualquer coisa, agora fazer o contrário… Mas lá me desenrasquei, e a meio da reunião já parecia um tradutor profissional, já saltava do português para o inglês, e vice-versa, como se apenas de uma língua se tratasse… foi pena a reunião só ter durado duas horas, estava a gostar da experiência… {#emotions_dlg.blink}

Mas nesta semana as experiências não se ficaram só pela cultura linguística. Era a minha semana de trabalho pastoral, ou seja, orientar o grupo coral e apoiar na reunião com os jovens. Sim, tive que orientar o grupo coral… quem me conhece deve estar neste momento a rir que nem um perdido, a meter as mãos à cabeça e a dizer “coitado dos miúdos do coro”… O ensaio foi o frei Fernando que o fez, não só porque eu não conhecia bem os cânticos (a maioria era em tétum), mas também porque não tenho lá muito jeito para o ensaio, dei um apoio com a minha linda viola azul

Chegou a missa de Domingo (no mesmo dia em que o Conselheiro chegaria a Timor), depois de distribuir as folhas com os cânticos pelo grupo coral e pela assembleia, coloquei-me de fronte para o coro, com a minha viola na mão. O padre, juntamente com os acólitos, estavam no fundo da igreja prontos para começar a procissão de entrada, o suor escorria pela minha cara, não só por estar calor, mas também pelo nervosismo da minha estreia como regente de um coro, marco o tom do cântico de entrada com a minha viola, dou o primeiro acorde, os outros guitarristas fazem o solo introdutório, levanto a mão direita a fim de marcar os tempos da música, conto até 3, baixo a mão e toda a gente, em uníssono e afinado (menos mal), começaram a cantar… um suspiro de alivio deslizou pelo meu corpo, o pior já tinha passado, a partir daí era só deixar a confiança fluir e acreditar que tudo ia correr bem… tirando um ou dois cânticos que não começaram da melhor forma (eram cânticos novos e o grupo coral não tinha estado todo no ensaio) o resultado final foi positivo… O objectivo final foi atingido, animar a eucaristia e, com o cântico, ajudar os participantes a interiorizar o espírito da celebração. Uma experiência muito boa que irei repetir dentro de duas semanas… {#emotions_dlg.happy}

(O grupo coral no ensaio. A foto tem pouca qualidade porque foi tirada com o tlm)

 

Amiguinhos, mais uma vez, não consegui contar tudo o que queria… Continuarei no próximo post. {#emotions_dlg.happy}

 

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 23:11


2 comentários

De Alexandre Fernandes a 05.03.2013 às 02:49

Belíssimo trabalho, senhor Ricardo. Muito legal tornar a eucaristia lúdica. Foram canções em tétum? Será que são as mesmas musicas que tocam aqui no Brasil?

De missao em timor a 06.03.2013 às 00:10

Obrigado :D As canções foram algumas em português e a maioria em Tétum. As portuguesas são de autores portugueses, as de Tétum, como não são originais, são traduções, é provável que alguma seja do Brasil trazida pelos missionários brasileiros que por cá já passaram :D

Abraços!

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