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Missão em Timor

Durante 3 anos estarei a fazer uma missão em Timor, pela Ordem dos frades menores capuchinhos, e neste blog tenciono contar todas as minhas aventuras e a percepção que vou tendo dos acontecimentos, tudo de uma forma peculiar que só eu sei viver :D



Quarta-feira, 23.01.13

Benvindo 2013

Olá amiguinhos! Depois da noite de Natal mais pura que vivi, onde o centro da celebração foi o nascimento de Jesus e o convívio familiar, veio o dia de Natal, o dia 25. O acordar foi, como todos os dias, muito cedo, mas desta vez, ao contrário do que eu esperava, não foi dos melhores acordares. Acordei com muita azia, resultado de misturar café, coca-cola e vinho numa só refeição… :D Tomei um simples chá ao pequeno-almoço e fui para a missa. Enquanto se ultimavam os preparativos fui convidado para levar o Menino Jesus na procissão de entrada e ficar de pé com o Menino erguido até ao final das leituras. Com apenas um chá no estômago e o calor que se faia sentir, sabia que ia ser difícil cumprir a missão, mas mesmo assim aceitei. A missa era ao ar livre, como em todas as grandes celebrações, e o sol batia directamente em mim como se me quisesse destacar de todos os que me rodeavam. Eu, de pé, em frente do altar, de braços erguidos ao alto suava rios de suor sem fim, não havia poro que não largasse água, os que estavam na primeira fila até levantaram os pés do chão para não os molhar tamanho era a quantidade de água que me escorria e ainda só tinham passado 5min de missa… estava longe de terminar a minha missão… Uns minutos depois o padre colocou-se na minha frente de forma a poder incensar o menino e vendo a minha figura (parecia as cascatas de Niágara), disse-me aquilo que eu estava ansioso por ouvir “podes pousar o Menino e voltar para o teu lugar”… Foi um alívio total para mim. :D Visto que o Pedro e o Camilo tinham viagem marcada para regressarem a Portugal no dia seguinte, a tarde do dia 25 foi passada, uma vez mais, viciados no jogo PES13… Apesar de eu continuar invencível, a tarde foi muito divertida e animada. Chegou o dia das despedidas, dia 26. Eu, o frei Fernando, o frei Nicolau, o Pedro, o Camilo e a Ana dirigimo-nos bem cedo para Tíbar. A viagem foi tranquila. Os primeiros a ficarem pelo caminho foram o Pedro e o Camilo. Ficaram em Dili, num Hostel de onde, mais tarde, partiriam para o aeroporto rumo a Portugal. Foi bom tê-los por cá, com eles a animação foi constante e o trabalho deles na missão foi muito importante e precioso. Obrigado rapazes! No dia 27 era o dia da Ana partir, tal como os freis Nicolau, Jesuíno e Manuel que iriam passar 4dias a casa. A grande dúvida da Ana era se a concha grande que tinha na mala iria passar no check in ou não. Mandaram-na parar, pediram para trazer de volta a mala e perguntaram-lhe se ela não tinha nada fora do comum na mala tipo uma concha. Ela abriu a mala, tirou a concha e, quando se preparava para a entregar ao segurança ele pergunta-lhe “A senhora é portuguesa?” “Sim, sou de Lisboa” “Ah! Então pode levar a concha, vou fazer de conta que não a vi”. O sorriso na cara dela disparou, finalmente ser portuguesa tinha as suas vantagens… :D Depois de 4 dias sozinho em casa com o frei António, os 3 rapazes regressaram das suas mini férias a fim de, todos juntos, celebrarmos a passagem de ano. Perguntei-lhes o que eles faziam de especial e eles disseram que não faziam nada de especial. Disse-lhes que este ano iriamos fazer algo diferente. Como já era dia 31 não deu para comprar nada para a grande noite, mas haveríamos de arranjar algo para nos entretermos. À medida que as horas passavam eu desanimava cada vez mais, porque não tinha ideias de como animar a noite de 31 (pegar na viola e cantar uns cânticos estava fora de questão, porque não podíamos fazer barulho). Por volta das 22h fomos para a missa, muita gente na celebração, mais que o normal, e no final a grande surpresa. Terminada a missa começo a ouvir “Pum, pum, pum, trum, pum, pum” era a loucura, o povo, em frente da igreja, deitava foguetes, fogo-de-artifício e umas bombinhas que rebentavam no chão. O povo todo animado, toda a gente entusiasmada a ver o espetáculo, mesmo que a segurança não fosse a mais indicada (uma das bombinhas, ao rebentar, quase batia num dos rapazes). Podia não fazer mais nada até à meia-noite (também deviam faltar cerca de 30min), mas aquele momento já valia para me animar a noite. Chegados a casa ligamos a tv e ficamos a ver a final da casa dos segredos, a voz da Júlia Pinheiro é tão suave quando o som da tv está desligado… Tou a brincar, o que ficamos a ver foi o especial fim de ano da TVTL transmitido directamente a partir do palácio do governo, com vários concertos e a participação especial do Primeiro-ministro timorense Xanana Gusmão (já estive pessoalmente com ele, é muito simpático e brincalhão). Chegadas as 23:59:50h começou a contagem decrescente e pum, pum, pum, trum, pum, pum novo fogo-de-artifício rebentou e a tv transmitiu tudo… O fogo era bonito, mas só vi metade, porque entretanto a minha mãe ligou-me a desejar boas entradas… Só atendi porque era a minha mãe, se fosse outra pessoa não sei se atendia… interromper alguém enquanto está a desfrutar dos seus primeiros minutos de 2013 sentadinho no sofá para perguntar como é viver no novo ano?! Não tenho culpa que sejam atrasados e gostem de viver no passado… brincadeirinha, claro. Eu estava tão ansioso para receber aquela chamada que passei os últimos segundos de 2012 a olhar para o telemóvel. :D As duas semanas seguintes têm sido vividas na expectativa do novo ano escolar que começa agora em Janeiro, dia 14… Só espero que não se lembrem de dar as aulas em tétum ou de me fornecerem sebentas em indonésio, senão estou bem tramado… :D Têm visto a série Supernatural? E a série Walking dead? E o filme Paranormal activity? Pois é, vocês podem não acreditar, mas coisas estranhas têm acontecido nesta casa desde que ela foi construída… Tudo começou quando estava a ver tv e, depois de tocar o sino para chamar os frades para a oração, ela se desligou sem ninguém ter carregado em nenhum botão, apagou-se completamente, eu era o único na sala… Ainda pensei que a tomada se estivesse estragado, mas quando a oração terminou ela voltou a acender, também sem ninguém tocar em nenhum botão, visto que a pessoa mais próxima da sala da tv era eu e ainda me encontrava no corredor… Foi então que me começaram a contar tudo. Ao que parece, esta casa foi construída por cima de um dos locais onde foram enterradas pessoas vítimas do massacre de Santa Cruz, um massacre grande provocado pelos indonésios… E esta não foi a única manifestação, uma vez estava um frade a ver tv quando ouve, no lado de fora, água a correr duma torneira que temos lá para regar o jardim. Chegado lá deixa de ouvir o barulho de água a correr e repara que a torneira está fechada. Volta para dentro e ouve novamente o mesmo barulho, volta lá e não encontrou nada… Outra vez, um frade tinha plantado couves na horta. De manhã cedo, um dos formandos foi abrir a porta e reparou que estava alguém a regar as couves, pensando que seria o frade que as plantou (na verdade esse frade ainda estava a dormir) dirigiu-se ao local e, chagado lá não vê ninguém, nem a mangueira que essa suposta pessoa estaria a usar para regar as couves… Outra vez, a meio da noite um dos formandos estava a dormir (esta foi contada na primeira pessoa) e, acordando de repente, vê uma pessoa vestida com um pano branco a dançar algo típico asiático. Assustado e com a respiração ofegante acabou por acordar os companheiros da camarata e, mal eles acordaram, a pessoa que estava a dançar puff desapareceu e sou eu agora que durmo nesse quarto, sozinho… O portão grande da rua supostamente é para ser fechado antes do jantar, mas eu esqueci-me e só o fui fechar depois do jantar. Para surpresa minha encontrei-o fechado e supus que tivesse sido o frei António a fechá-lo. Para meu espanto, no dia seguinte de manhã, quando chego lá para o abrir encontro-o já aberto, sendo que fui o primeiro a acordar, ninguém o poderia ter feito antes. Qual a minha surpresa quando reparo que todas as portas que dão acesso a casa (ou pelo menos as que usamos com frequência) também se encontravam abertas, quando antes tinha a certeza que tinham sido fechadas… Se são coisas da mente ou se é verdade eu não sei, o que sei é que cada vez mais estou a gostar de viver nesta casa e tenho a certeza que numa casa onde Deus também reside, presente no sacrário e no coração de cada frade, nada de mal nos pode acontecer… Quanto ao caso da tv foi mais tarde explicado o fenómeno. O superior tem no seu quarto um interruptor que permite desligar a tomada da tv e ele fá-lo sempre antes de cada oração, voltando a liga-lo quando a oração acaba. Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração. PS: A minha net está muito, muito, muito lenta e não abre muito bem as páginas, por isso vai ser impossível postar fotos... esperemos que melhore... beijos!

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por missao em timor às 12:44


2 comentários

De Alexandre Fernandes a 01.02.2013 às 18:08

Oi gajo!
Adorei ler seu blog. Não te conheço, mas acho que você tá fazendo um grande trabalho em Timor. Espero que você continue escrevendo, estou me divertindo muito e entusiasmado com sua vivência aí. Abraços de um brasileiro!

Alexandre

De missao em timor a 07.02.2013 às 23:46

Bem! Estou mesmo fascinado com isto, o meu blog já chegou ao Brasil? Vou-lhe confessar, quando comecei a escrevê-lo pensei que ia ficar numa coisa caseira só de família e alguns amigos, mas rapidamente se espalhou por toda a parte... :D
Fico feliz por estar a gostar e a divertir-se com o meu blog. Continuarei a escrevê-lo e a partilhar as minhas aventuras por terras asiáticas. Obrigado pelo seu comentário.
Abraços!

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