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Missão em Timor

Durante 3 anos estarei a fazer uma missão em Timor, pela Ordem dos frades menores capuchinhos, e neste blog tenciono contar todas as minhas aventuras e a percepção que vou tendo dos acontecimentos, tudo de uma forma peculiar que só eu sei viver :D



Sexta-feira, 23.11.12

Uma folga na praia.

Como por cá os leigos missionários trabalham muito mais ao fim-de-semana que durante a semana, apesar deque também trabalharem muito durante a semana, a segunda-feira é o grande dia de folga deles. Visto que eles estavam de folga e nós os frades estávamos sozinhos em casa, o Fr. Fernando tinha ido a Dili, aproveitamos o dia para irmos à praia. E que belo dia de praia… {#emotions_dlg.sol}

O sol batia forte e o céu estava limpo, nem sinal de qualquer nuvem… Preparamos tudo, metemo-nos no carro e lá fomos nós aproveitar da melhor maneira a nossa folga. {#emotions_dlg.happy}

O caminho não é muito seguro, ruas estreitas e buracos, como a maioria das ruas timorenses, mas desta vez conduzi sem problemas, já estou a aprender… {#emotions_dlg.happy} Durante a viagem vi um senhor com uma cana de pesca na mão e um balde e decidi ser um bom samaritano e oferecer-lhe boleia até à praia: “Senhor, quer boleia? Suba?” e o homem simplesmente apontou com o dedo para o lado esquerdo e dirigiu-se para o lado direito, pensei para comigo “ou não entendeu ou não vai para a praia”… É que nem uma coisa nem outra, o homem ia para a praia e percebeu o que lhe estava a perguntar, simplesmente não queria boleia, porque eu tinha acabado de chegar ao final da estrada possível onde o carro nos poderia levar… estacionei o carro, pegamos nas nossas coisas e metemo-nos floresta adentro… parecia que estávamos numa savana, só estava a ver quando aparecia um leão ou uma cobra, sendo que esta última era bem provável… Uns metros à frente e avistamos a praia… Passo seguinte: Procurar uma sombra… raríssimo, mas lá conseguimos uma debaixo de uma grande árvore… estendemos uma lona e comecei a explorar a praia… não havia nada de especial, simples areia e o mar, nem pedras bonitas, ou crustáceos, ou búzios, simplesmente areia e mar até que, de repente, olho para o meu lado esquerdo e vejo a coisa mais linda do mundo, um paraíso… uma paisagem linda tirada dos filmes… uma praia paradisíaca… só tem um defeito, tem crocodilos… É que se em Portugal, principalmente no norte, podemos ir á água sem problemas, mas normalmente não vamos por causa da poluição e pela água ser gelada, aqui temos água límpida e quentinha, mas não podemos mergulhar, porque os crocodilos são invejosos e não partilham a água connosco… Ainda por cima os pescadores disseram que os crocodilos só não atacam pessoas que não têm pecados… bem que era logo devorado… {#emotions_dlg.blushed}

Visto que chegamos à praia por volta das 9h, não podíamos ir à água e não tínhamos nada para nos entretermos, eu e dois missionários leigos, a Ana e o Rafael, decidimos aventurarmo-nos pela savana adentro em busca de uma árvore de frutos para a nossa sobremesa… Com alguns esforços para não nos picarmos nos catos e nos espinhos lá descobrimos uma clareira com duas grandes árvores de coco… Tínhamos que apanhar um coco e, claro, ideias malucas não me faltaram, como por exemplo: escalar a árvore que deveria ter uns 5metros, no mínimo… rapidamente mudei de ideias e foi aí que decidimos atirar pedras para ver se acertávamos nalgum coco e ele caia… Começou o irmão Rafael e nada, tentou uma, duas, três vezes e nada… e eu observava a forma mais radical de poder subir à árvore e apanhar os cocos que quisesse… finalmente desisti da ideia e decidi juntar-me ao irmão Rafael no tiro ao alvo. À primeira pedra que lanço… trunfas… em cheio num coco… grande festa, finalmente tínhamos sobremesa… mas não nos ficamos por aí, queríamos mais e mais… começamos a fazer planos, mais dois cocos, um para cada casa… e continuou o lançamento da pedra, até que todas as pedras se perderam no meio do matagal e ficamos sem munições… já os cocos continuavam a olhar para nós e a rirem-se da nossa falta de pontaria… A irmã Ana não desistiu e foi à praia buscar mais pedras… mas nada, a pontaria continuava fraca, sorte de principiante foi o que tive com o primeiro coco… mas não desisti, afinal de contas para que serve a fisga que arranjei cá em Timor?! Juntei uma dúzia de pedras e lá fui eu insistir mais uma vez… que bela pontaria, todas as pedras acertavam em cheio nos cocos, a sério, mas infelizmente eram tão pequenas que não batiam com força suficiente para os abanar, quanto mais para os deitar abaixo… Estava já eu desiludido a regressar à praia quando apareceu a irmã Ana com o frei Manuel “Tem calma Tinoco, este é timorense vai ajudar-nos a apanhar outro coco”, disse-me ela… mas também não resultou… nenhum coco apanhado, até que o frei Manuel nos diz “É melhor irmos embora, porque se o dono nos vê vai ficar chateado” “Como?! Este coqueiro no meio deste matagal tem dono?!”… E foi aí que percebi, Deus viu que não tínhamos fruta para sobremesa e decidiu dar-nos um coco, mesmo sendo de propriedade privada… Nós é que fomos gananciosos e quisemos mais… E ainda dizem os pescadores que os frades e os missionários podem mergulhar à vontade no mar, porque os crocodilos não nos fazem mal por não termos pecados… seríamos era os primeiros a ser engolidos… {#emotions_dlg.snob}

Para preparar o almoço acendeu-se uma fogueira, frango no churrasco com arroz… óbvio que o arroz já o trouxemos preparado de casa, mas o frango foi frito na hora. O que era suposto ser um jantar a 7 logo se transformou num jantar a 1001, cheirou a frango frito às formigas e logo elas vieram ataca-lo… mas não tiveram muita sorte, felizmente {#emotions_dlg.happy}

Depois de um dia tão bom de praia só faltava fazer uma coisa, agradecer com todo o amor a quem nos proporcionou dia tão maravilhoso, agradecer a Deus. Reunimo-nos todos em grupo, de bíblia na mão, e fizemos uma leccio divina focad nas leituras do próximo domingo, solenidade de Cristo Rei, o último domingo do ano litúrgico de 2012. Com este domingo terminamos uma longa viagem com S. Marcos para iniciarmos uma nova viagem, lado a lado com Jesus, com o Evangelista S. Lucas… {#emotions_dlg.happy}

Depois das leituras cada um teve a oportunidade de partilhar o que Deus lhe falou ao coração naquele momento. Estando eu a dizer que Cristo é Rei num reinado de fé, esperança e amor, que o seu trono é a cruz e a sua coroa não é feita de ouro, mas de espinhos quando apareceram algumas ovelhas para nos lembrar que Cristo também é o pastor que vai à frente das suas ovelhas e as conduz a pastagens verdejantes… Este pastor não só conduziu as suas ovelhas a pastagens quase verdejantes, como também se juntou a nós escutando o que íamos partilhando… {#emotions_dlg.happy}

Estes dias de descanso e relaxamento são mesmo importantes para os leigos missionários, eles fazem um trabalho tão grande por cá… deitam-se tarde para organizar o dia seguinte, acordam cedo para rezar a oração de laudes e a missa. De manhã estão no jardim com as crianças, de tarde estão no Centro S. Francisco de Assis, uma biblioteca com acesso à internet e ponto de fotocópias, organizam e trabalham na pastoral de crianças com deficiência, dão explicações de português… entre muitos outros serviços que vão aparecendo… e fazem-no sempre com um grande sorriso no rosto, porque quem corre por gosto não se cansa… {#emotions_dlg.happy}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração. {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 08:09



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