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Missão em Timor

Durante 3 anos estarei a fazer uma missão em Timor, pela Ordem dos frades menores capuchinhos, e neste blog tenciono contar todas as minhas aventuras e a percepção que vou tendo dos acontecimentos, tudo de uma forma peculiar que só eu sei viver :D



Domingo, 28.10.12

Conduzir? Eu? Só se fizer rally!!!!!!!

Olá amiguinhos, finalmente senti-me útil durante a minha estadia em Timor. Não falo do meu trabalho na fraternidade, que apesar de pouco tem a sua importância. Falo do meu contributo para a sociedade. Apesar de não ter sido nada de extraordinário, como eu verdadeiramente gostaria de fazer, acabou por ser uma boa acção. Depois de ganhar experiência a fazer curativos aos meus dedos, já são dois os dedos magoados, decidi pôr essa experiência em prática. No átrio da igreja estávamos eu, um grupo de crianças e outro frade na conversa quando deparo que o joelho de uma das crianças estava a sangrar, mas uma ferida bem grande e com fortes possibilidades de infeccionar se não fosse bem tratada. Não aguentei ver aquilo naquele estado, a ferida estava tapada com um farrapo velho, o sangue estava sempre a escorrer e a ferida não tinha sido minimamente tratada e pedi à rapariga para esperar um pouco e fui a casa buscar água oxigenada, betadine, algodão e uma gaze para fazer o curativo. Com muito jeitinho tratei a ferida. Com a água oxigenada limpei a ferida, que deitou mesmo muito pus, estanquei o sangue e coloquei o betadine e a gaze. O sorriso da criança no final foi a melhor recompensa que poderia ter recebido… Quando a criança foi embora apareceram outras que me foram mostrando as suas feridas, já toda saradas, mas que me fez reflectir. Estas crianças não têm noção do perigo de uma ferida mal tratada, se calhar deveria sensibilizá-los e até mesmo trata-los… A partir de agora estarei mais atento às crianças fazendo-lhes os curativos às feridas que elas forem apresentando… {#emotions_dlg.happy}

Sou um perigo na estrada… Era preciso ir às compras, ou seja, era preciso ir à cidade vizinha, porque em Laleia não há muita coisa à venda. Como a casa só tem dois condutores, eu e um padre, e o padre estava indisponível, lá fui eu aventurar-me. A distância é mais ou menos como do Porto a Gondomar (para quem é do sul Lisboa-Setúbal). Começo a aventura, mentalizo-me que tenho que conduzir pela esquerda e faço-me à estrada. Inicialmente tudo tranquilo, conduzindo entre os 30-50km/h até ao momento em que me habituo à estrada e, vendo-a tão livre e em condições minimamente apresentáveis, começo a colocar o pé no acelarador. Má ideia, sempre que chegava aos 90km/h lá aprecia um buraco. Se uns conseguia evitar outros batia em cheio neles. Que loucura, o carro dava cada salto, parecia que estava no filme “Ace Ventura em África” quando ele vai de carro para a floresta. Os saltos eram tantos que quase batia com a cabeça no tejadilho. Só pensava nos amortecedores do carro e a cada buraco novo rezava para que os pneus não furassem… era a loucura. Cheguei ao local sem maiores precedentes, fiz as compras que tinha a fazer e ainda tive que esperar que a mercearia abrisse (Supostamente abria às 16h, mas já eram 16:30h e ainda estava fechada e é uma loja de chineses…) O regresso, que deveria ter sido tranquilo devido à experiência, foi ainda pior. Apesar de evitar melhor os buracos não gostei da forma como um condutor me ultrapassou e decidi pôr pé a fundo, bati recorde de velocidade máxima (100km/h) e pumba… bati em cheio num buraco acontecendo aquilo que mais temia, um furo no pneu… {#emotions_dlg.happy} Primeira coisa a fazer é encontrar pedras grandes para fazer de calço e encontrar duas ou três pedras grandes e lisas para fazer de base para o macaco, senão ele não sobe o suficiente para levantar a roda do carro. Depois segue-se o desapertar dos parafusos, ou o apertar para quem fôr aselha e não souber distinguir para que lado se apertam e desapertam os parafusos… um bónus para mim que me pus aos pulos em cima da chave de desapertar os parafusos, porque o parafuso não queria desapertar, até que me disseram “E se tentasses para outro lado, acho que terias mais sorte”… E tinha razão, ainda bem que não estava sozinho… :D Depois de trocado o pneu voltamos à estrada, mas desta vez com velocidade controlada entre os 30-50km/h… ainda vou aprendendo com os erros… {#emotions_dlg.happy}

Na sexta-feira tivemos uma visita muito especial. As irmãs vitorianas, mais concretamente as postulantes e a sua mestre, vieram de propósito de Baucau a Laleia (viajem mesmo grande e cansativa, tipo Porto-Fátima, mas aos pulos por causa dos buracos) para um retiro. O local escolhido para o retiro foi a nossa igreja, por ser a igreja de espiritualidade franciscana mais próxima. É sempre bom receber alguém que fala português para trocarmos ideias e para eu falar um pouco mais que o habitual. A mestre das postulantes é uma irmã missionária portuguesa e teve a contar-me as suas histórias desde os tempos que veio para cá, já há uns longos anos. Que testemunho, achei fantástico. Apesar de estarem numa casa um pouco isolada da grande concentração populacional, nada a deteve. Quando chegou a Timor, pela primeira vez, foi convidada para dar aulas de português e aqui começaram os desafios, é que nem uma gramática ela tinha. E como quando se tem fé em Deus tudo se resolve, passado umas semanas uma voluntária, que não conhecia a irmã nem o seu trabalho, apareceu em Timor com umas gramáticas e uns dicionários que tanto encheram de alegria a bendita irmã. Outra história que me fascinou foi o testemunho dela que, sem carro (prometeram-lhe um, mas duraram um ano para lho oferecer) fazia todos os dias 13km a pé para o seu trabalho pastoral e para dar aulas de português. É fascinante a forma como estas pessoas se entregam com tudo o que têm aos outros. Uma lição de vida… {#emotions_dlg.happy}

Está quase a fazer um mês que estou cá, passou tão depressa que parece que estou cá há uma semana… {#emotions_dlg.faro}

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos no coração e na oração! {#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 07:24



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