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Missão em Timor

Durante 3 anos estarei a fazer uma missão em Timor, pela Ordem dos frades menores capuchinhos, e neste blog tenciono contar todas as minhas aventuras e a percepção que vou tendo dos acontecimentos, tudo de uma forma peculiar que só eu sei viver :D



Segunda-feira, 15.10.12

O grande acampamento!!!!

Depois de acordar às 6h para dar os parabéns à minha mãe (era para ser às 5h, mas adormeci) fui à missa, tomei o pequeno-almoço, voltei à net para dar um último beijinho de parabéns à grande mulher que me deu vida e comecei a preparar a mochila para a grande peregrinação. 3 dias acampado num descampado, em Soibara, para comemorar a festa de Nossa Senhora de Aitara (=espinhos).

Às 9:30h já estavam reunidas cerca de 80 pessoas só de Laleia para subir até ao santuário. Metemo-nos nos carros e demos início à nossa Road Trip… Uns foram numa carrinha Toyota Dyna, eu numa Pick Up caixa aberta e outros num camião, sim literalmente num camião normalmente usado para transportar areia e cimento nas obras… Estávamos todos entusiasmados durante a viagem, cantando e rindo em grande algazarra. O sol batia forte, e eu só tinha os meus óculos de sol para me proteger. O caminho inicial foi em estrada minimamente aceitável, mas a meio é que começou a provação. Acabou a estrada de alcatrão dando lugar a uma estrada de terra e gravilha cheia de buracos que levantava imenso pó (acho que nesta viajem inalei mais pó que o Maradona em toda a sua vida…). Paramos para almoçar. Num local com um coberto fizemos o nosso piquenique. Durante o almoço começam a surgir imensos carros do estado e da polícia, o povo começa a ficar entusiasmado e de repente alguém me diz “É o vice-presidente de Timor-Leste”. Nem pensei duas vezes, peguei na máquina fotográfica e “click” uma foto a tão ilustre figura…{#emotions_dlg.sarcastic}

Recomeçamos a peregrinação. O pessoal que vem comigo no carro já está cansado, há mais de 3horas que andamos de carro parando só para almoçar. Cansado do silêncio que se abateu decidi ouvir música… melhor, decidi recordar as minhas viagens de carro em Portugal e comecei a ouvir a Mega Hits (não a rádio, mas um improviso meu). A cada intervalo de 2/3 músicas repetia “Mega Hits, boa tarde, eu sou a Filipa Galrão e tenho 45’ de música sem para só para ti”, entre outras coisas do género (sim, tinha que ser a Filipa Galrão, afinal de contas sou o seu fã nº 1 e sim, eu imitava a voz dela, tudo para criar um clima mais real das suas emissões). Como tem sido hábito, só eu é que percebia a piada e só eu é que me ria…{#emotions_dlg.tongue}

Mais duas horas de viagem e paramos numa ribeira (paramos literalmente lá, porque o carro tem que a atravessar para passar para o outro lado da margem e não existem pontes… a parte mais funda da ribeira dá-me pelos tornozelos…). Mais uns quilómetros e finalmente chegamos ao destino… uma espécie de recinto de festival de verão. O local estava animado, cheio de música. Umas vinham das carrinhas dos peregrinos que vinham chegando e outras músicas vinham dos dois restaurantes presentes na zona. Depois de montada a tenda fui dar uma volta para conhecer a zona. A primeira coisa que me apresentaram foram as casas de banho e a partir desse momento rezei para que nada de mal acontecesse com o meu estômago… havia sanitas, não havia era como fazer a descarga… O banho também foi posto de lado, uma pequena pia onde ia pingando água de vez em quando… Em Roma sê romano, mas há que manter um pouco o nível… {#emotions_dlg.snob}

Fui conhecer o pessoal do restaurante. Eram pessoas simpáticas e até falavam razoavelmente bem o português. O contacto com eles deu para perceber que, tal como eu, eles também viram o filme Madagáscar, principalmente a cena final dos pinguins. Sempre que eles não entendiam algo que dizia eles “sorriam e acenavam”, tal como os pinguins no filme :D No dia seguinte, por volta das 7h, acordei com a melhor música que há para despertar “ai se eu te pego”… Quase me estragavam o dia… Depois da missa veio o pequeno-almoço e uma manha inteira sem muito para fazer… Aproveitei o tempo morto para melhor conhecer o pessoal que veio comigo à peregrinação e para conhecer o santuário e a igreja paroquial. À tarde tivemos a procissão do Santíssimo Sacramento que mais uma vez durou uma eternidade. Começou às 17h e acabou depois das 20h… Já estava farto de andar… a parte positiva é que deu para ir rindo com as gaf’s dos padres que iam orientando a procissão seguida da voz irritada do Bispo a corrigi-los. {#emotions_dlg.clown}

À noite, enquanto uns preparavam o jantar (as mulheres), os outros iam-se divertindo com uma guitarra e cânticos populares timorenses. Eu só batia palmas, mas foi tão animado que desejei que aquele momento se prolongasse por muitas mais horas…{#emotions_dlg.happy} Depois do jantar fui ter com as meninas do bar para continuarmos as nossas conversas em quase português até que uma me diz “eu gosto muito de Português, ensina-me a falar melhor” “claro, em 5min. irás aprender muita coisa, sem dúvida... “. Tudo corria dentro da normalidade até que, de repente, vi um sapo à minha frente. Fiquei entusiasmado e decidi tirar-lhe uma foto. Peguei no tlm, liguei a câmara e lá fui eu atrás do sapo. Como a camara não tem flash e era de noite, não dava para tirar uma foto nítida, resultado? Coloquei toda a gente do restaurante em grande alvoroço atrás do sapo a fim de o encaminhar para um local com luz para que, finalmente, pudesse tirar a bendita foto. Com muito esforço consegui tirá-la, a prova virá noutro post.

O último dia começou com a desmontagem do acampamento. O programa do dia era participar na procissão da Nossa Senhora de Aitara, assistir à missa, metermo-nos no carro e arrancar. O almoço seria junto do riacho que não ficava muito longe do local do acampamento. Inicia-se a procissão e, claro, o repórter Tinoco começa a andar duma ponta a outra a tirar fotos, parecia um profissional. Chegado perto da entrada do Santuário parei com as fotos a fim de me juntar com alguns jovens que vieram comigo. E qual não é o meu espanto quando, de repente, começo a ouvir alguém a rezar o terço em português. Nem pensei duas vezes, aproveitei uma pausa e meti conversa. Cada vez mais tenho orgulho em ser português, nós somos realmente um povo solidário. Mal me apresentei como um português que estava em Timor há duas semanas ela, a menina Helena, perguntou-me logo se estava bem instalado, se precisava de alguma coisa e até me deu o contacto dela caso precise de apoio durante a minha estadia por cá. Uma pessoa fantástica. É por isto que me orgulho em ser português, somos um povo realmente solidário.

Acabadas todas as celebrações regressamos a casa. A paragem no riacho foi muito boa não só para almoçar, mas também para o meu corpo sentir o que já não sentia há 3 dias… água fresca…{#emotions_dlg.happy} Acabado o almoço lá fomos nós em direcção a casa. O nosso carro ia animado, eu ia na parte de trás, de pé. Por cada casa que passávamos as pessoas acenavam-nos e nós respondíamos. Foi incrível, parecia o Papa no Papamóbil a acenar às pessoas. A animação aumentava sempre que nos cruzávamos com outros carros da peregrinação. Como as paragens foram muitas, devido a uma avaria numa das carrinhas, acabamos por nos cruzarmos muitas vezes com os mesmos carros. Num desses cruzamentos, enquanto acenava para o camião, umas raparigas que viajavam nele gritaram “amô”. Passei-me, “Como?! Amor?! Eu até acredito no amor à primeira vista, mas com tanta gente ao mesmo tempo?” – parei para pensar – “Ups! É verdade, amô quer dizer Padre em Tetum…” O meu Ego quase me tramava…{#emotions_dlg.bunny}

Devido à avaria da carrinha, um problema com o radiador, as paragens foram muitas e demoradas, o que deu para continuar a “tentar” meter conversa com o pessoal. Finalmente, e ao fim de muitas tentativas, já nos começamos a entender… numa mistura de Tetum-português-linguagem gestual as conversas, ou o que mais se aproximava disso, começaram a fluir.

A nossa carrinha parecia aquelas carrinhas dos filmes americanos que transportam os grupos corais em que o pessoal só canta música de Igreja com todos aqueles nerd’s… Foi melhor do que esperava, não pelas músicas (prefiro as do meu tlm), mas pela animação…{#emotions_dlg.blink} Com a chegada da noite, chegou também o cansaço. O sono apanhou quase toda a gente, restando só eu e outro frade acordado. Chegados finalmente a casa jantei, tomei um mais que merecido banho e fui à net dar os parabéns ao meu afilhado. {#emotions_dlg.happy} E como sou um padrinho dedicado, ou pelo menos tento, ainda acordei às 5h da manha para lhe dar novamente os parabéns… Com cerca de 3horas dormidas, depois de uma viagem dura como foi, as minhas olheiras eram tão grandes que mal conseguia abrir os olhos… mas foi bom ter visto a minha família toda e em especial o meu pai que já não o via desde o jantar de despedida em família, ainda em Portugal.

Paz e bem amiguinhos! Estaremos juntos na oração e no coração.{#emotions_dlg.heart}

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por missao em timor às 15:22


1 comentário

De Miguel Angelo a 15.10.2012 às 21:31

Sempre bem disposto e sempre com grande Alegria dentro de ti, é assim que se conquista um Povo Humilde e Lutador como o de Timor Leste.
Sem duvida que estas tuas primeiras emoções sentidas no terreno, são fantásticas para quem assiste a mtos Kilometros de ti.

Vale a pena conhecer-te e continuar a sentir na mesma a tua boa disposição, à distancia de um "simples clique".

PS: Adorei o promenor que contaste sobre a cada passo 2/3 musicas repetidas a frase da Filipa Galrao, digo-te q foi mt original :D
Por fim, deixo-te com grande Abraço e que Deus te abençoe nesta tua caminhada por terras Lorosae

Sê Feliz*

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